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| “Jornalista”
Marinho não deixa Lula abrir a boca
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LULA SE CURVA DIANTE DA GLOBO (DE
NOVO)
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1076
Em nenhuma democracia séria
do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade
técnica e até sensacionalistas,
e uma única rede de televisão
têm a importância que têm
no Brasil. Eles se transformaram num partido
político – o PIG, Partido da Imprensa
Golpista.
. Quando Roberto Marinho era vivo, os editores
do jornalismo da Globo não podiam dar
“sobe som” do candidato à
Presidência Luiz Inácio Lula da
Silva.
. Ou seja, o espectador não podia ouvir
a voz dele.
. Se Lula falasse swahili ou sânscrito,
os brasileiros só saberiam no horário
eleitoral gratuito, porque, no jornalismo da
Globo, ele não tinha som.
. No tempo de Roberto |Marinho, houve uma célebre
edição do jornal nacional, na
véspera da eleição do segundo
turno entre Lula e Collor.
. Uma edição que entrou para
os manuais sobre “jornalismo e manipulação
de eleições”, em todo o
mundo.
. A edição do jn continha uma
manipulação tosca do que fora
o debate entre os candidatos na véspera;
uma pesquisa por telefone que dizia que Collor
venceu o debate; e um editorial de Alexandre
Garcia que conclamava o povo a votar em Collor.
. Quando Roberto Marinho morreu, o jornal nacional
ignorou a queda do avião da Gol para
não “desmanchar” uma edição
que ressaltava a foto do dinheiro dos aloprados
e a ausência de Lula no debate da Globo,
na véspera.
. Essa edição do jornal nacional
levou a eleição para o segundo
turno.
. Clique
aqui para ler “O primeiro golpe já
houve. E o 2º?”
. E consulte o livro “A Mídia
nas Eleições de 2006”, da
Fundação Perseu Abramo, organizado
pelo professor Venicio A. de Lima (clique
aqui).
. Esta semana, o Presidente Lula sancionou
o projeto de lei de autoria do senador Marco
Maciel, que muda para ”Ordem do Mérito
das Comunicações Jornalista (?)
Roberto Marinho” a antiga “Ordem
do Mérito das Comunicações”.
. O Presidente Lula perdeu uma boa oportunidade.
. Se fosse para mudar o nome dessa Ordem obscura,
poderia seguir dois caminhos:
. Mudar para “Ordem das Comunicações
Roquette-Pinto”, o pioneiro do rádio
educativo, o primeiro a tentar fundar uma tevê
publica, o homem que desbravou o Brasil ao lado
do Marechal Rondon.
. Clique
aqui para ler o excelente perfil de Ruy
Castro sobre Roquette-Pinto.
.O Presidente Lula poderia também ter
dado o nome de coronel Dagoberto Rodrigues,
que era diretor dos Correios – a Embratel
da época – na hora em que Jango
caiu.
. E, ali, nos Correios, o coronel Dagoberto
tentou manter a lei de pé e impedir a
queda do Presidente eleito dentro das regras
da Constituição.
. Não, o Presidente Lula preferiu dar
curso a essa melosa e subserviente justificativa
de Marco Maciel:
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº
212, DE 2004
Denomina “Ordem do Mérito das Comunicações
Jornalista Roberto Marinho” a “Ordem
do Mérito das Comunicações.”
Art. 1º A “Ordem do Mérito
das Comunicações” passa
a denominar-se “Ordem do Mérito
das Comunicações Jornalista Roberto
Marinho”.
Art. 2º Esta lei entra em vigor na data
de sua publicação.
Justificação
Falecido ano passado, próximo de inteirar
um centenário de vida, o jornalista Roberto
Marinho marcou, de forma indelével, a
história da comunicação
social de nosso País. Não se pode
desconhecer que o século XX foi, sobretudo
a partir do último quartel da centúria,
um período marcado graças ao desenvolvimento
científico e tecnológico, o século
de um grande aggiornamento da comunicação
social.
Ninguém melhor do que Roberto
Marinho encarnou pela sua visão, capacidade
empreendedora e sentimento de nacionalidade,
a figura que simboliza o grande salto do Brasil
nesse campo. Coetâneo do século,
soube viver em parceria positiva com os avanços
tecnológicos e as transformações
que ocorreram não somente na mídia
impressa, mas também na vídeoesfera
e nos chamados meios virtuais.
O seu exemplo deve servir de paradigma para
todos que reconhecem o relevante papel que desempenham
as tecnologias da informação e
do conhecimento em todo o mundo, mormente num
País como o nosso, cuja integração
se faz não apenas entre outros pontos
através da língua comum em que
nos expressamos, mas também na construção
de uma infra-estrutura física e no campo
das comunicações.
O Dr. Roberto Marinho avulta pela continuada,
consistente e articulada ação
que desenvolveu em suas empresas de comunicação,
ensejando inclusive melhor percepção
da imagem do Brasil no exterior, através
da difusão de nossa cultura por meio
de programas esportivos e artísticos,
especialmente novelas e senados sobre a nossa
história e a nossa rica diversidade.
Daí assistir razão ao Presidente
Roberto Civita, do Grupo Abril, ao dizer: “Roberto
Marinho entra na história com o peso
de ter feito, em todas as frentes Julho de 2004
DIÁRIO DO SENADO FEDERAL Quarta-feira
7 21003 da comunicação, uma obra
importantíssima. Foi urna grande figura.
Vai ser difícil encontrar outro “.
O Senador Jorge Bornhausen, Presidente Nacional
do PFL, com propriedade expressa: “...
empresário vitorioso, cuja tenacidade,
inteligência e capacidade deixaram uma
das mais competentes e profundas marcas no jornalismo
e na indústria artística e cultural
do País”.
Convém também citar a declaração
do ex-Governador, ex-Ministro das Comunicações
do Governo José Sarney e atual Senador
Antônio Carlos Magalhães: “Roberto
Marinho soube consolidar a comunicação
brasileira, conseguindo princípios democráticos
e defendendo a verdade com coerência”.
O ilustre Líder do PDT nesta Casa, Senador
Jefferson Péres, reconhece que tendo
muitas vezes divergido da posição
do Sistema Globo: “Com o tempo, minha
certeza se esgarçou, meu fervor ideológico
arrefeceu, permitindo que pudesse admirar o
capitão da indústria de comunicação
por suas evidentes qualidades”.
Leonel Brizola, cujo desaparecimento ainda sentimos
e que teve divergências com o jornalista
Roberto Marinho, não deixou de reconhecer:
“O nosso País perdeu uma das grandes
expressões destes tempos. Um homem do
qual podíamos discordar, e muitas vezes
o fizemos, mas que mereceu no curso de sua vida
a admiração de todos”.
O ex-Ministro da Justiça
e Líder Renan Calheiros da Bancada do
PMDB no Senado Federal, assim se referiu: “Roberto
Marinho foi responsável por uma das mais
emocionantes sagas do jornalismo brasileiro”.
E por fim destaco o depoimento do Governador
Geraldo Alckmin, de São Paulo: “O
jornalista Roberto Marinho foi um grande brasileiro,
um empreendedor, um homem de fé. Construiu
um complexo de comunicação que
é referência no mundo todo. Vai
fazer muita falta. Ele escreveu uma parte importante
da história da imprensa do Brasil e quem
faz história não morre, continua
em sua obra”.
Em face do exposto e juntando cópia de
sucinto currículo, é que venho
propor projeto de lei com o objetivo de denominar
“Ordem do Mérito das Comunicações
Jornalista Roberto Marinho” a ordem honorifica
instituída pelo Decreto nº 87.009,
de 15 de março de 1982. Espero contar
com a anuência dos membros das duas Casas
do Congresso Nacional à iniciativa, de
forma que a significativa comenda tenha como
patrono a ilustre figura de Roberto Marinho.
Sala das Sessões, 6 de julho de 2004.
– Marco Maciel.