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a forma de teledramaturgia para difundir
idéias políticas |
GLOBO USA NOVELA PARA FAZER POLÍTICA
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1153
. O Conversa Afiada reproduz texto do site
Vermelho, do PC do B, de Eduardo Guimarães,
responsável pelo site Cidadania.com,
que denuncia a utilização de uma
concessão – o éter –
sob a forma de teledramaturgia para difundir
idéias políticas:
2 DE JUNHO DE 2008 - 21h37
Eduardo Guimarães: novelas da Globo,
a nova arma da direita
A novela Duas Caras, que os que se opuseram
à minha proposta de encaminhar denúncia
ao Ministério Público Federal
contra o folhetim político-ideológico
do novelista Aguinaldo Silva por uso de uma
concessão pública com finalidade
político-partidária dizem que
"ninguém vê", bate recordes
de audiência.
Por Eduardo Guimarães, no Cidadania.com
De acordo com a Folha Online, "O antepenúltimo
capítulo de Duas Caras (Globo), exibido
na noite de quinta-feira (29/05), bateu o recorde
de audiência da novela de Aguinaldo Silva.
A trama marcou 51 pontos no Ibope, com 70% dos
televisores ligados sintonizados na Globo".
A novela fez intensa propaganda contra o governo
Lula, trazendo para seus capítulos denúncias
do PSDB e do PFL contra esse governo. Além
disso, teorias da oposição contrárias
a políticas do governo federal tais como
cotas para negros nas universidades e a teoria
do diretor de jornalismo da Globo, Ali Kamel,
de que não há racismo no Brasil,
ganharam força na novela do seu começo
até o fim.
A novela Duas Caras foi intensamente criticada
em montes de artigos de sociólogos, jornalistas
e historiadores. Apesar disso, uma defesa esdrúxula
da "liberdade de expressão artística"
contaminou até aqueles que se deram conta
das intenções ilegais da dramaturgia
global.
Por se tratar de uma obra ficcional (pero no
mucho), a pregação contra a tomada
de alguma atitude por medo de acusações
de "tentativa de censura" impôs
constrangimento à única reação
proposta contra esse uso ilegal de uma concessão
pública para propagandear ataques políticos
e teorias racistas que negam o racismo, a proposta
que fiz aqui durante a última semana
de encaminhar representação ao
MPF.
O resultado da inação dos que
vêem o malfeito sendo cometido, mas temem
o discurso espertalhão sobre "censura"
que a mídia saca do bolso do colete toda
vez que é questionada, já começa
a produzir efeitos.
Mau início
A nova novela das oito da Globo, A Favorita,
de João Emanuel Carneiro, já começa
mal. Sua propaganda anuncia um personagem, composto
pelo ator negro Milton Gonçalves, que
já mostra que as preferências políticas
e ideológicas da Globo continuarão
sendo impingidas ao público.
Gonçalves fará um político
corrupto que alardeia sua origem pobre (quem
será que políticos com origem
pobre lembram?) para ganhar apoio do eleitorado.
Sua filha, incorporada pela atriz Taís
Araújo, será uma ninfomaníaca
maldosa, que assume que veio ao mundo para fazer
os homens sofrerem.
Escrevo isto pelo seguinte: presido uma ONG,
o Movimento dos Sem Mídia. Semana passada,
propus que a ONG fizesse uma representação
ao Ministério Público Federal,
para que investigue uso de uma concessão
pública com fins político-partidários
e ideológicos.
Contudo, a própria assessoria jurídica
da ONG discordou de mim, bem como vários
leitores de meu blog e de outras páginas
na internet que repercutiram a possibilidade
de se fazer a representação.
Acabei recuando de minha proposta porque a oposição
a ela veio com força e decisão,
de maneira que me deixei influenciar.
Abuso
A finalidade deste texto é reiterar que
o uso político-ideológico da teledramaturgia
pela Globo começa a adquirir uma dimensão
escandalosa. A aposta da emissora nessa nova
arma de luta político-ideológica
não está sendo feita à
toa. Pesquisas devem mostrar a efetividade do
estratagema.
Peço, pois, àqueles que se opuseram
à minha proposta de representar contra
a novela Duas Caras no MPF que acompanhem a
teledramaturgia global, pois tenho certeza de
que alguém terá que tomar uma
atitude. É um abuso de uma concessão
pública que, mesmo que não tivesse
sucesso em sua pretensão doutrinadora
de mentalidades desavisadas, nem por isso deixaria
de ser inaceitável.
A apatia da sociedade foi o que transformou
a grande mídia no poder avassalador e
corrupto que é hoje. Venho lutando contra
essa apatia, mas quando ela assola até
aqueles que têm clareza do papel nefasto
dos barões da mídia neste país,
sinto o desânimo se apossando de mim.