Rousseff, no papel de Hércules

02/06 - 12h30

O PIG NÃO SE ENTENDE SOBRE O PAC

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1150


Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

“Ele (Serra) é sem escrúpulo, passa por cima da mãe”.
De Ciro Gomes, numa sabatina na Folha


. O Conversa Afiada sustenta a tese de que a melhor maneira de se informar sobre o Brasil é ler a imprensa estrangeira.

. Outra vez, o presidente Lula agora é recebido em Roma com respeito e admiração.

. Na imprensa brasileira, o PIG transforma o Brasil num vulcão em chamas.

. O segundo grau de investimento, o da Fitch, é, para o PiG, o mesmo desastre do primeiro.

. O PIG conseguiu transformar – para quem leva o PiG a sério – o grau de investimento da Standard & Poor’s e da Fitch na pior notícia que o Brasil poderia ter recebido.

. O PiG respeitou a tecnologia – quem primeiro observou isso foi Marilena Chauí - de usar a adversativa nos títulos: “Vai tudo bem, MAS ................”.

. Mesmo depois de a Fitch, expressamente, dizer que elevava a nota do Brasil por causa da política econômica do presidente Lula – e não apenas por causa da alta das commodities.

. Economistas do tipo “colonistas” do PiG acabam de lançar um livro para defender a tese de que o Brasil tirou o bilhete premiado da loteria: alta das commodities, crescimento da China, expansão do comércio internacional.
.

BRASIL GLOBALIZADO (em Portugues) (2008)
GIAMBIAGI, FABIO / BARROS, OCTAVIO DE
CAMPUS
CIENCIAS SOCIAIS-CIENCIA POLITICA


. O mundo puxa o Brasil, APESAR do Brasil, que, como se sabe, é administrado por um conjunto de néscios...

. É o que dizem o PiG e seus “colonistas”.

. Neste domingo, porém, o PiG deu com os burros n’água.

. A Folha (da Tarde *), como se sabe, tem o seu próprio PAC.

. O Conversa Afiada já notou que existe o PAC e o “PAC da Folha”.

. Clique aqui para ler sobre o PAC da Folha

. Uma coisa é o PAC, são as obras, os investimentos em infra-estrutura, as obras nas favelas do Rio.

. Outra coisa é o que a Folha diz que o PAC é: é o “PAC da Folha”.

. Neste domingo, dia 1º. de junho, reportagem de Fernando Canzian – clique aqui para ler – diz que “as obras do PAC seguem em ritmo considerado ‘lentamente ridículo’, por empresários ligados à área de infra-estrutura.

. Interessante é que a reportagem não diz quem diz “lentamente ridículo”, apesar de entrevistar vários empresários da área, que fazem severas criticas ao PAC.

. Mas, o “lentamente ridículo” cai naquela sinistra categoria de fontes anônimas citadas entre aspas ...

. Alô, alô, ombudsman da Folha (veja o “em tempo”)

. Isso é o que diz a Folha (da Tarde *).

. Já o Estadão usa outra tecnologia: descreve os 12 trabalhos de Hércules, mas não cita Hércules.

. Clique aqui para ler a partir da pág. B8

. Descreve “os projetos que vão mudar o Brasil” – é o titulo de um infográfico; diz que “infra-estrutura terá R$ 85 bilhões este ano”; volume de investimentos do setor começa a crescer e previsão é que chegue a R$ 100 bilhões por ano em 2009.”

. Na página seguinte, o entusiasmo do Estadão com os 12 trabalhos de ... - quem será ??? – não diminui: “a volta das grandes obras – setor privado tem 60% dos projetos – índice deverá subir nos próximos anos com retomada das concessões de estradas, portos e energia elétrica”.

. A seguir, na página B12, o Estadão parece que nos leva à China, aos mega-projetos de infra-estrutura, conduzidos pelo Estado: “Estreito a maior obra do pais”.

. Trata-se da hidrelétrica na divisa do Maranhão com Tocantins, que vai produzir 1 mil megawatts, criar 5 mil empregos e vai ficar pronta em 2010, quando José Serra assumirá a Presidência da República, que lhe é devida.

. Quem tem razão ?

. O PiG na versão Folha (da Tarde*).

. Ou o PiG na versão Estadão ?

. Nenhum dos dois, caro leitor.

. O Brasil tem a pior imprensa escrita dos países com o mesmo nível de renda per capita.

. Sem falar na imprensa da Europa, dos Estados Unidos.

. A imprensa escrita brasileira é pior que a da Argentina, do Chile, do México.

. Se puder, caro leitor, fuja dela.

. Em tempo: O ombudsman da Folha (da Tarde*) tece neste domingo inúteis comentários – clique aqui para ler - sobre uma obscura reunião anual da organização mundial dos ombudsman, realizada na Suécia. A quem interessa ? Parece a ata do último encontro, num templo da rua Benjamin Constant, no Rio, dos positivistas de Augusto Comte. É mais um dos exemplos do anacronismo provinciano da elite branca (e separatista) de São Paulo. Como se alguém levasse a sério que o papel do ombudsman da Folha (da Tarde*) é “expandir a consciência pública sobre o papel dos meios de comunicação na sociedade e refinar a relação entre eles e ela” ... Na Folha ... Mas, até o ombudsman faz minúsculo comentário ao fato de a Folha (da Tarde *) demorar a noticiar que os tucanos adoraram fazer negócio com a Alstom ...


(*) Instigado pelo Azenha – clique aqui para ir ao Viomundo – acabei de ler o excelente livro “Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989”, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir.

. Clique aqui para ler “tucanos da Alstom ainda não podem dormir em paz” .....