08/11/2007 - 12h11

O QUE DIRÁ O CAPITÃO NASCIMENTO?

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 731

. A Polícia do Rio, sob o comando do delegado federal José Mariano Beltrame, fez uma razzia contra jovens da classe média que vendiam ecstasy.

. (Clique aqui para ler no Globo)

. Um deles foi preso dentro de uma sala de aula da universidade Estácio de Sá.

. O que diria o Capitão Nascimento disso ?

. (Clique aqui para ler o M&M sobre a “fraude” do “Tropa de Elite”)

. Que a única maneira de enfrentar os mauricinhos e patricinhas da PUC é com saco plástico ?

. É nessa hora que a platéia deve aplaudir ?

. Ou é com uma Polícia profissional que resolve enfrentar o crime – e não se aliar a ele ?

. Ou é melhor transformar o crime num instrumento de um “estado de exceção” ? (*), e o Capitão Nascimento no incontestado “soberano” do pedaço ?

. Li que o diretor do “Tropa de Elite” vai enfrentar, agora, o problema da corrupção.

. Imagino, pelo precedente, que seja algo em torno do mensalão e do dólar na cueca.

. É o óbvio, caro diretor.

. Tenho, porém, uma sugestão a fazer.

. Por que o próximo “Tropa de Elite” não é sobre a corrupção na privatização do Governo Fernando Henrique ?

. Especialmente a privatização dos telefones, para a platéia aplaudir na hora em que um personagem gritar “isso vai dar m...”, ou “estamos no limite da irresponsabilidade” ?

. E que o papel principal seja o do “Capitão DD”, interpretado pelo Matt Demon ?
(*) Recomendo a leitura de “Estado de Exceção” (Boitempo Editorial) e “Homo Sacer” (Editora UFMG), ambos de Giorgio Agamben. Está tudo lá ...

Em tempo: a propósito, leia o que de melhor se escreveu sobre o “Tropa de Elite”. É o artigo de hoje na página A 6 do jornal Valor, de Maria Inês Nassif, “Neoconservadorismo e seus cães de guerra”.

Veja dois parágrafos:

“A ‘guerra’ justifica a militarização da segurança pública; ela é contra a favela. Não é o criminoso violento o objeto da repressão, mas o aglomerado de pobres circunscritos num espaço urbano definido como favela, no Rio, ou periferia, em São Paulo. A favela e a periferia passam a ser, nessa visão autoritária e elitista, a personificação do crime - é o que se chama de criminalização da pobreza. O efeito colateral de uma repressão violenta a esses espaços geográficos de exclusão - a morte de inocentes - é menos condenável do que o roubo de um Rolex de propriedade de uma celebridade.
(...)

Os cães de guerra dos neoconservadores fazem a política de extermínio. Isso é querer acabar fisicamente com a pobreza. E é surpreendente.”

Clique aqui para ler a íntegra do artigo de Maria Inês Nassif (apenas para assinantes do Valor).