O QUE DIRÁ O CAPITÃO
NASCIMENTO?
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 731
. A Polícia do Rio, sob o comando do
delegado federal José Mariano Beltrame,
fez uma razzia contra jovens da classe média
que vendiam ecstasy.
. (Clique aqui para ler no Globo)
. Um deles foi preso dentro de uma sala de aula
da universidade Estácio de Sá.
. O que diria o Capitão Nascimento disso
?
. (Clique aqui para ler o M&M sobre a “fraude”
do “Tropa de Elite”)
. Que a única maneira de enfrentar os
mauricinhos e patricinhas da PUC é com
saco plástico ?
. É nessa hora que a platéia deve
aplaudir ?
. Ou é com uma Polícia profissional
que resolve enfrentar o crime – e não
se aliar a ele ?
. Ou é melhor transformar o crime num
instrumento de um “estado de exceção”
? (*), e o Capitão Nascimento no incontestado
“soberano” do pedaço ?
. Li que o diretor do “Tropa de Elite”
vai enfrentar, agora, o problema da corrupção.
. Imagino, pelo precedente, que seja algo em
torno do mensalão e do dólar na
cueca.
. É o óbvio, caro diretor.
. Tenho, porém, uma sugestão a
fazer.
. Por que o próximo “Tropa de Elite”
não é sobre a corrupção
na privatização do Governo Fernando
Henrique ?
. Especialmente a privatização
dos telefones, para a platéia aplaudir
na hora em que um personagem gritar “isso
vai dar m...”, ou “estamos no limite
da irresponsabilidade” ?
. E que o papel principal seja o do “Capitão
DD”, interpretado pelo Matt Demon ?
(*) Recomendo a leitura de “Estado de
Exceção” (Boitempo Editorial)
e “Homo Sacer” (Editora UFMG), ambos
de Giorgio Agamben. Está tudo lá
...
Em tempo: a propósito, leia o que de
melhor se escreveu sobre o “Tropa de Elite”.
É o artigo de hoje na página A
6 do jornal Valor, de Maria Inês Nassif,
“Neoconservadorismo e seus cães
de guerra”.
Veja dois parágrafos:
“A ‘guerra’ justifica a militarização
da segurança pública; ela é
contra a favela. Não é o criminoso
violento o objeto da repressão, mas o
aglomerado de pobres circunscritos num espaço
urbano definido como favela, no Rio, ou periferia,
em São Paulo. A favela e a periferia
passam a ser, nessa visão autoritária
e elitista, a personificação do
crime - é o que se chama de criminalização
da pobreza. O efeito colateral de uma repressão
violenta a esses espaços geográficos
de exclusão - a morte de inocentes -
é menos condenável do que o roubo
de um Rolex de propriedade de uma celebridade.
(...)
Os cães de guerra dos neoconservadores
fazem a política de extermínio.
Isso é querer acabar fisicamente com
a pobreza. E é surpreendente.”
Clique aqui para ler a íntegra do artigo
de Maria Inês Nassif (apenas para assinantes
do Valor).
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