GE Transportation fabrica a locomotiva

28/05 - 16h40

BRASIL JÁ PRODUZ LOCOMOTIVA DE GRANDE PORTE


O Brasil começou a produzir locomotivas de grande porte. Em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta quarta-feira, dia 28, o presidente da GE Transportation para a América Latina, Rafael Santana, disse que o Brasil se torna agora “um pólo mundial de produção de locomotivas de grande porte”.

Segundo Rafael Santana, o setor de locomotivas movimenta US$ 3 bilhões em todo o mundo.

O Presidente Lula participou na terça-feira, dia 27, da cerimônia de entrega da primeira locomotiva de grande porte na fábrica da GE Transportation em Contagem (MG).

A empresa MRS Logística comprou a locomotiva, que será usada para o transporte de minério.

Uma locomotiva de grande porte pesa cerca de 200 toneladas e consegue puxar 130 vagões.

Leia a íntegra da entrevista com Rafael Santana:

Paulo Henrique Amorim – Rafael, vocês ontem participaram, em Contagem, de uma solenidade com o Presidente Lula de lançamento de uma locomotiva gigante, que seria uma peça de engenharia produzida pela primeira vez no Brasil. Eu gostaria que você explicasse para os nossos leitores, do nosso site, o que tem de relevante nessa locomotiva ? Por que elas são significativas, que leva um Presidente da República até aí?

Rafael Santana – Paulo Henrique, o que há de mais relevante eu acho que é que, neste momento, um orgulho, como brasileiro, poder ver o Brasil, efetivamente, se tornar um pólo de produção de locomotivas de grande porte. E a gente passa a competir globalmente nesse setor. É um setor hoje de mais de US$ 3 bilhões. Isso foi possível na medida em que a gente transferiu tecnologia para o país, um centro de engenharia com profissionais capazes de desenvolver projetos relacionados a locomotivas. Então, torna, efetivamente, o país um pólo mundial de produção de locomotivas de grande porte, como estão rodando em países de Primeiro Mundo.

Paulo Henrique Amorim – Por que ela é de grande porte ? Qual é a dimensão dela? qual é o peso dela?

Rafael Santana – É uma locomotiva de 200 toneladas. Essa, especificamente, é uma locomotiva de 195 toneladas, com mais 4.400 HPs de potência, uma locomotiva que tem a capacidade de puxar mais de 130 vagões de minério. Olhando até para a demanda dos nossos clientes, estamos falando aí da MRS, da Vale, que são ferrovias operadas pelos padrões de algumas ferrovias de Primeiro Mundo e estão demandando um produto de primeira linha.

Paulo Henrique Amorim – Quer dizer então que os seus consumidores serão empresas de minério de ferro?

Rafael Santana – Num primeiro momento são as empresas com a maior demanda nesse sentido, principalmente em função da demanda da China. Então, nesse primeiro momento, são os principais clientes empresas envolvidas na logística de transporte de minério de ferro.

Paulo Henrique Amorim – E vocês pretendem vender isso para quem no exterior? Quem são os compradores no exterior?

Rafael Santana – Até o ano passado, 100% da nossa produção, da nossa fabricação de locomotivas, de menor porte, eram para o exterior. Ano passado nós chegamos a fabricar mais de 40 locomotivas visando mercados como Colômbia, mercados como a África, Jordânia. Nós fizemos uma série de exportações que ocorreram nesse sentido. Neste ano, a gente começa a fabricar finalmente locomotivas 9de grande porte) no país e continua a atender o mercado de fora. Estamos atendendo, este ano já, encomenda da África do Sul, temos algumas encomendas da Colômbia, que já foram embarcadas no primeiro trimestre deste ano. Continua essa demanda, o que a gente começa é efetivamente a disputar um mercado muito maior, o mercado de grande porte também. Continuamos a fabricar locomotivas de menor porte, mas temos um mercado muito maior à frente.

Paulo Henrique Amorim – Os componentes das locomotivas, as auto-peças são produtos nacionais ou você importa tudo?

Rafael Santana – As locomotivas de menor porte a gente começou com índices de nacionalização menores do que 20% e hoje já têm um índice de nacionalização de mais de 60%. Essas locomotivas, a tecnologia que a gente acaba de transferir para cá, a gente começa com índices de nacionalização da casa de 15%, nós temos um programa com o BNDES para poder elevar esses índices dentro de um prazo de cinco a seis anos a até mais de 60%.