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| Tolmasquim:
brasileiros vão consumir um “mix”
de energia, que vem da biomassa, das hirelétricas
e das térmicas |
PRIMEIRO LEILÃO DE ENERGIA DE
BIOMASSA VAI TER CAPACIDADE DE UM MADEIRA
O consórcio franco-belga Suez Energy,
formado pelas empresas Camargo Corrêa,
Chesf e Eletrosul, arrematou a usina de Jirau,
no rio Madeira. O deságio do leilão
foi de 22% e a tarifa vai ser de R$ 71 por MWh
(megawatt / hora).
O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética),
subordinada ao Ministério de Minas e
Energia, Maurício Tolmasquim disse em
entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta terça-feira,
dia 20, que o leilão foi uma grata surpresa.
A gente não podia imaginar que a gente
tivesse no Brasil uma tarifa de R$ 71 por MWh...
É uma surpresa maravilhosa. Já
foi uma surpresa muito boa Santo Antônio.
Essa é uma surpresa melhor ainda porque
indica que nós temos na região
Norte uma energia viável para o Brasil.
Viável e barata”, disse Tolmasquim.
O próximo leilão de energia elétrica
no Brasil será no dia 30 de julho. O
Governo Federal vai comprar energia de biomassa,
feita a partir do bagaço da cana-de-açúcar.
Esse será o primeiro leilão exclusivo
de energia de biomassa.
Tolmasquim disse que o leilão de julho
tem inscrito 7 mil megawatts. Isso significa
toda a energia produzida pelas duas usinas do
rio Madeira (Jirau e Santo Antônio).
“A usina do Madeira, as duas usinas juntas,
são 6,4 mil megawatts. A usina de biomassa
tem inscrito cerca de 7 mil megawatts. Então,
tem, de potencial, de biomassa, o Madeira, que
está participando do leilão no
dia 30 de julho”, disse Tolmasquim.
Maurício Tolmasquim explicou que a energia
de Biomassa será distribuída por
todo o Brasil. Segundo ele, os brasileiros vão
consumir um “mix” de energia que
vem das usinas hidrelétricas, da biomassa
e das outras térmicas.
Leia a íntegra da entrevista
com Maurício Tolmasquim:
Paulo Henrique Amorim –
O consórcio multi-nacional franco-belga
Suez Energy associado às empresas brasileiras
Camargo Corrêa, Chesf e Eletrosul arrematou
ontem o leilão para construir a usina
de Jirau, que fica no rio Madeira, com um deságio
de 22%. Eu vou conversar agora com Maurício
Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa
Energética, subordinada ao Ministério
das Minas e Energia. Maurício Tolmasquim,
esse leilão com deságio de 22%,
vocês esperavam mais ou menos, ou está
de bom tamanho?
Maurício Tolmasquim
– Foi uma ótima surpresa. A gente
não podia imaginar que a gente tivesse
no Brasil uma tarifa de R$ 71 por MWh (Megawatt
por hora), com uma energia vinda da Amazônia.
E nesses R$ 71 por MWh está incluído
a transmissão. R$ 25 por MWh é
só de transmissão. Então,
na realidade, a energia é muito menos
que R$ 71. Então é uma surpresa
maravilhosa. Já foi uma surpresa muito
boa Santo Antônio. Essa é uma surpresa
melhor ainda porque indica que nós temos
na região Norte uma energia viável
para o Brasil. Viável e barata.
Paulo Henrique Amorim –
Em relação a Santo Antônio,
o deságio foi de quanto, para esclarecer
o nosso leitor?
Maurício Tolmasquim
– Olha, Santo Antônio o deságio
foi maior, mas o preço inicial foi maior.
Porque Santo Antônio o preço inicial
foi de R$ 122 por MWh e a usina saiu por R$
78. Essa o preço inicial, Jirau, foi
de R$ 91 por MWh e o preço foi R$ 71.
Então, em termos relativos, em termos
de deságio, Santo Antônio foi menor,
mas o que importa é que o preço
final está mais barato, apesar de ser
uma usina mais difícil porque gera menos
energia Jirau do que Santo Antônio. Apesar
disso, foi melhor o negócio.
Paulo Henrique Amorim –
Agora, eu estou lendo aqui o jornal Valor e
o jornal Valor diz que o consórcio Suez
Energy só conseguiu chegar a esse preço
porque fez alterações radicais
no projeto de engenharia. Essas alterações
radicais são radicais em que sentido,
se é que são mesmo radicais? E
não há nenhum problema que possa
vir em relação à mudança
do projeto original que possa vir a prejudicar
o funcionamento da usina no futuro?
Maurício Tolmasquim
– Não, não. Foram modificações
no eixo CE construção da usina,
que foi modificado, e isso evita, reduz o nível
de escavações que têm que
ser feitas, mas isso não tem pactos maiores
para reduzir o custo. Agora, além disso,
eles vão conseguir antecipar a obra.
O fato de antecipar a obra permite que essa
energia que vai ser gerada antecipadamente possam
vender para grandes consumidores e, com isso,
eles melhoram o fluxo de caixa deles. Então,
é muito bom para o país porque
a usina está prevista para entrar em
2013 e vai entrar no início de 2012.
A gente ganha um ano de energia.
Paulo Henrique Amorim –
E os bagres, foram preservados?
Maurício Tolmasquim
– Sem dúvida. Os bagres serão
preservados, vai ser construído nas duas
usinas uma que a gente chama escada, um elevador
que está sendo discutido, quer dizer,
o mecanismo que permite os peixes irem da região
mais baixa para a região mais alta e
desovarem lá nos Andes.
Paulo Henrique Amorim –
Qual é o próximo leilão
que está na bica?
Maurício Tolmasquim
– Olha, nos estamos trabalhando, de grandes
usinas, com duas: com Belo Monte, no rio Xingu,
e em Parabá, lá no Tapajós.
Então, são as duas que estão
em vistas. Agora, tem uma série de outros
leilões que vão ocorrer, agora
em julho a gente está fazendo um leilão
de bioeletricidade, que é um leilão
belíssimo, é um leilão
para contratar energia do bagaço da cana,
que tem um potencial enorme. Dia 30 de julho.
Vai ser um leilão que tem muitas usinas
escritas, não só em São
Paulo, mas Mato Grosso do Sul, Goiás...
Paulo Henrique Amorim –
Mas o que será leiloado?
Maurício Tolmasquim
– Vai ser comprada e energia gerada pelo
bagaço. Nós vamos comprar. E está
inscrito, só para ter uma idéia
da importância disso, é claro que
eu não sei se vai participar, mas a usina
do Madeira, as duas usinas juntas, são
6,4 mil megawatts. A usina de biomassa tem inscrito
cerca de 7 mil megawatts. Então, tem,
de potencial, de biomassa, o Madeira, que está
participando do leilão no dia 30 de julho.
Paulo Henrique Amorim –
E o governo, quando comprar essa energia de
biomassa, vai entregar aonde?
Maurício Tolmasquim –
Nós todos consumidores do Brasil vamos
estar consumindo energia de biomassa porque
essa energia, cada usina que ganha o leilão,
assina contrato com todas as distribuidoras,
na proporção de demanda de cada
distribuidora. Então, nas nossas casas,
nós vamos consumir um mix de energia
que vem das usinas hidrelétricas, da
biomassa e das outras térmicas.
Paulo Henrique Amorim –
E hoje temos a cana como o segundo maior produtor
da nossa matriz energética, não
é isso?
Maurício Tolmasquim
– É, a cana ultrapassou esse ano
a hidroeletricidade em termos de geração
de energia, quer dizer, aí vai energia
de etanol, a energia continua contida na cana,
ela passou a ser uma fonte importante no Brasil.