Em cinco anos São Paulo terá um congestionamento contínuo, durante o dia todo

19/05 - 19h00

ESTUDO DIZ QUE TRÂNSITO DE SP VAI “TRAVAR” EM 2013

 

Um estudo da Fundação Dom Cabral mostra que os espaços entre os horários de pico de congestionamento no trânsito de São Paulo estão cada vez menores. Desde de 2004, quando o estudo começou a observar o trânsito da capital paulista, o tempo de duração dos picos de congestionamento em São Paulo cresce 15% ao ano.

O engenheiro responsável pelo estudo Paulo Resende disse em entrevista ao Conversa Afiada que, se continuar assim, a previsão é que em cinco anos a cidade de São Paulo não tenha horários de pico para o congestionamento, mas um congestionamento contínuo, durante o dia todo.

“Seria, basicamente, um travamento, que a gente chama, dessas vias, desses corredores importantíssimos para a vida de São Paulo. E esse travamento funcionaria da seguinte maneira: a qualquer momento que você tirasse uma foto desses corredores, dessas avenidas, você veria um congestionamento permanente”, disse Resende.

Segundo Resende, as Marginais Pinheiros e Tietê seriam as primeiras vias a sofrer esse “travamento”. Ele disse que hoje essas vias já apresentam congestionamento independente do horário ou do dia da semana ou do mês.

“Começam a não apresentar mais a chamada sazonalidade, ou seja, alguns períodos tanto na semana quanto no mês quanto no ano onde o trânsito é menor”, disse Resende.

Resende disse que o estudo apresenta algumas possíveis medidas para evitar o “travamento” do trânsito em 2013. Essas possíveis soluções se dividem em medidas e longo prazo e medidas de curto prazo.

Medidas de longo prazo: investimento no transporte público (metrô e corredores de ônibus), investimento em infra-estrutura para retirar veículos pesados do tráfego de São Paulo durante a parte do dia (principalmente veículos que não têm destino São Paulo).

Medidas de curto prazo: um estudo para mudar o horário de funcionamento de instituições e de setores na cidade de São Paulo. A pesquisa propõe que repartições públicas, bancos e escolas e o comércio mudem o horário de funcionamento. Com isso, disse o professor Resende, no curto prazo, se retiraria a pressão do trânsito nas horas de pico. Uma segunda opção de curto prazo seria abrir uma campanha educacional de direção social, para conscientizar os motoristas de que algumas atitudes no trânsito podem piorar os congestionamentos. E, finalmente, uma terceira ação é a instalação sinais inteligentes: são os sinais controlados por computador, onde os tempos de sinal verde e de vermelho são definidos automaticamente pelo computador, dado um certo volume de trânsito.

Leia a íntegra da entrevista com o professor Resende:

Conversa Afiada – Um estudo da Fundação Dom Cabral revela que em cinco anos os congestionamentos no trânsito da cidade de São Paulo não terão mais um horário de pico. Ou seja, a cidade de São Paulo terá um congestionamento contínuo, durante todo o dia. O estudo mostra ainda que o período de lentidão da manhã e do horário do almoço tem se alongado, em média, 15% ao ano. Sobre esse assunto eu vou conversar agora com o engenheiro responsável pela pesquisa, professor Paulo Resende. Professor, como foi que vocês fizeram essa conta para saber quando é que a cidade de São Paulo vai ter um congestionamento contínuo?

Paulo Resende – Em 2004, nós selecionamos quatro trechos da cidade de São Paulo. Trechos na Avenida Bandeirantes, na 23 de Maio e nas duas Marginais (Pinheiros e Tietê), já próximas da cidade, ou seja, já com a influência do trânsito urbano. Em 2004, então, nós fomos nesses trechos e fizemos medições, nós medimos quanto tempo se demorava para dissipar, ou seja, para terminar o congestionamento na parte da manhã, na parte do almoço e da tarde nesses trechos. Então marcamos com o cronômetro a hora em que o congestionamento começou e a hora que ele terminou. Isso aí, então, nós medimos o pico. A partir de 2004, que serviu de base, em 2005, 2006 e 2007 nós realizamos cerca de 12 medições por ano. Então, de lá para cá nós tivemos cerca de 36 medições. Quando nós comparamos com aquele tempo de 2004 nós então chegamos a uma média de crescimento desse tempo de cerca de 15% ao ano. Significa dizer que se nós projetarmos para os próximos cinco anos nós teremos então um alongamento do tempo de pico, sendo que esse alongamento vai levar ao pico da manhã se encontrar com o pico do almoço, que se encontra com o pico da tarde. Com isso nós teríamos, então, um congestionamento o dia inteiro.

Conversa Afiada – Seria o colapso do trânsito de São Paulo?

Paulo Resende – É. Seria, basicamente, um travamento, que a gente chama, dessas vias, desses corredores importantíssimos para a vida de São Paulo. E esse travamento funcionaria da seguinte maneira: a qualquer momento que você tirasse uma foto desses corredores, dessas avenidas, você veria um congestionamento permanente. Isso daí poderia trazer para a cidade graves conseqüências econômicas, de qualidade de vida, emissão de poluentes e por que não a questão da exposição dos motoristas ao crime, à insegurança? Porque, estando parado no congestionamento, cada motorista está completamente exposto a qualquer tipo de crime, porque ele não tem como se defender. Então as conseqüências são muito graves.

Conversa Afiada – O que a pesquisa considera que contribuiu para aumentar o congestionamento na cidade de São Paulo?

Paulo Resende – Em primeiríssimo lugar, sem nenhuma dúvida, o aumento da frota. O que a pesquisa constatou e o que outras pesquisas também estão constatando é que nós temos, no caso de São Paulo, uma inserção diária de cerca de 850 veículos no trânsito e esses 850 veículos, ao contrário do que acontece em países desenvolvidos, não estão substituindo a frota mais velha. Significa dizer que nós temos uma adição de veículos novos, a frota velha continua nesse trânsito e com isso nós temos uma equação muito perigosa entre volumes cada vez maiores de veículos, veículos novos ou veículos velhos e essa equação não é boa para a cidade.


Conversa Afiada – Professor, hoje há um período do dia em que o trânsito é pior em São Paulo?

Paulo Resende – O que nós estamos constatando é que durante a semana está havendo um encontro perigoso de congestionamentos durante toda a semana, inclusive no final de semana, principalmente no sábado. Em determinadas vias de São Paulo, que começam a não apresentar mais a chamada sazonalidade, ou seja, alguns períodos tanto na semana quanto no mês quanto no ano onde o trânsito é menor. Nós evitamos, naturalmente, fazer os levantamentos em período de férias, já que nós sabemos, isso é claro, que existe uma fuga muito grande da cidade nesses períodos, mas durante o resto do ano nós estamos constatando que não existe uma diferença muito grande entre períodos. Está sendo tudo mais ou menos muito igual e igual no congestionamento.

Conversa Afiada – E que vias são essas que o senhor citou agora e que não há mais sazonalidade?

Paulo Resende – Nas duas Marginais a gente tem visto isso com mais freqüência. Nas duas Marginais: Marginal Pinheiros e Marginal Tietê estão apresentando essa característica com mais freqüência.

Conversa Afiada – Nessas vias, portanto, esse “travamento”, como disse o senhor, deve chegar primeiro?

Paulo Resende – Se continuar desse jeito elas apresentam sintomas de congestionamento mais preocupantes do que a 23 de Maio e a Bandeirantes. Então eu diria para você que se nós tivéssemos que priorizar aquelas vias onde o travamento poderá ocorrer com mais rapidez seria realmente as duas Marginais.

Conversa Afiada – Professor Resende, o estudo aponta algumas medidas que devem ou que podem ser tomadas para evitar esse congestionamento contínuo em 2013, previsto pela pesquisa?

Paulo Resende – O estudo aponta sim, até porque nós entrevistamos em São Paulo cerca de 150 usuários dessas vias pesquisadas e usuários freqüentes, usuários diários dessas vias. Então nós tivemos no estudo tanto a perspectiva de quem usa quanto a perspectiva de estudos em outros lugares do mundo. E nesse caso nós teríamos que dividir ações de curto prazo e ações de longo prazo. No longo prazo, não tenha dúvida nenhuma de que existe um consenso por parte dos entrevistados e de outros estudos para nós tenhamos bastante investimento no transporte público. O transporte público em São Paulo tem sido visto como a grande solução. O que nós poderíamos falar de transporte público? Principalmente a extensão das linhas do Metrô, associada a uma maior extensão de vias exclusivas para ônibus. A outra questão no longo prazo são os investimentos em infra-estrutura para retirar veículos pesados do tráfego de São Paulo durante a parte do dia, mas principalmente veículos que não têm destino São Paulo, estão apenas cruzando. Isso aponta para o término, mais rápido possível, do rodoanel. Agora no curto prazo nós estamos propondo três questões para que se tenha um certo alívio. A primeira delas seria um estudo para se mudar o horário de funcionamento de instituições e de setores na cidade de São Paulo. Nós estaríamos, então, propondo um estudo para que, quem sabe, repartições públicas, sistemas bancários, escolas ou outras repartições pudessem, o comércio, pudessem sofrer uma mudança de horário de funcionamento e, com isso, no curto prazo, você retira um pouco de pressão nas horas de pico. Uma segunda opção de curto prazo, nós estamos pregando que São Paulo deveria abrir imediatamente uma campanha educacional para o que a gente está chamando de direção social. Ou seja, o reconhecimento por parte de cada indivíduo do efeito negativo que ele provoca no trânsito com algumas ações que ele geralmente faz e que são maléficas. Por exemplo, se alguém vai entrar à direita numa via e conhece essa via, por que deixar a mudança de pista para a última hora? Por que ele precisa de bloquear todas as pistas para entrar à direita? Por que não entrar à direita 300 metros ou 400 metros antes? Por que, por exemplo, não dar seta sempre que é possível? Porque ao dar a seta você indica para o outro que está vindo no movimento contrário a sua intenção. Com isso o outro no pára para lhe esperar, então ele já vai direto. Então, são ações muito simples que nós estamos chamando de direção social. E, finalmente, uma terceira ação que nós estamos propondo, e eu acho que a Prefeitura de São Paulo já está também propondo, são os sinais inteligentes, são os sinais controlados por computador, onde os tempos de sinal verde e de vermelho são definidos automaticamente pelo computador, dado um certo volume de trânsito, volume de tráfego se aproximando do sinal. Isso é feito através de detectores com uma instalação muito rápida e que poderia ter impacto interessante no curto prazo.

Conversa Afiada – Essas soluções e o estudo vocês, de alguma forma, apresentaram ou encaminharam ou vão apresentar ou encaminhar à Prefeitura e ao Governo do Estado, professor?

Paulo Resende – Não, não. Até agora somente a imprensa nos procurou, mas nós estaríamos absolutamente à disposição da cidade e do Governo de Estado para discutir com o pessoal os resultados desse estudo, porque nossa intenção principal é realmente contribuir para que o paulistano e como de resto o Brasil inteiro, porque São Paulo não é uma cidade paulista, é uma cidade mais brasileira. Então, a gente gostaria de contribuir muito para que soluções fossem encontradas e o sacrifício da população não fosse tão grande ao se expor nas avenidas de São Paulo.

Sobre o congestionamento em São Paulo, veja o artigo que Paulo Henrique Amorim escreveu em 26/11/2007.


14/XI/2012, 19H: O CARRO COMEU SP

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 771

. O Domingo Espetacular da TV Record, exibiu, neste domingo, dia 25 às 21h, uma reportagem sobre o engarrafamento em São Paulo.

. Numa leitura preliminar, a reportagem teve uma audiência de 12 pontos no Ibope.

. A reportagem mostra por que, no dia 14 de novembro de 2012, daqui a cinco anos, véspera de feriado, às 19H, haverá o "engarrafamento final", o "engarrafamento do apocalipse" – a soma das ruas engarrafadas na cidade de São Paulo chegará a 500 km.

. Ou seja, mais do que uma viagem do Rio a São Paulo.

. São Paulo emplaca 700 carros novos POR DIA !

. A indústria automobilística nunca vendeu tanto carro como em 2007.

. Para tudo ficar COMO ESTÁ, segundo o urbanista Candido Malta, São Paulo precisaria construir oito avenidas Faria Lima por ano, PARA FICAR TUDO COMO ESTÁ.

. São Paulo constrói, quando não há nenhuma cratera (*), um quilômetro de metrô por ano.

. Precisa de 150 km.

. São Paulo pode esperar 150 anos ?

. Segundo Malta, a saída é cobrar DOIS DOLARES POR DIA de quem entrar no centro expandido de São Paulo e usar o dinheiro para construir o metrô, mais rápido.

. Agora, aqui entre nós, que ninguém nos ouça: você, caro leitor, acha que o prefeito Kassab ou o presidente eleito José Serra tem coragem para cobrar dois dólares POR DIA de quem entrar no centro de São Paulo ?

. Kassab é o candidato de Serra a prefeito de São Paulo, para sepultar a carreira política de Geraldo Alckmin.

. Serra toma posse na presidência de República em 2010.

. E não vai querer saber do "engarrafamento apocalíptico" de 2012: vai botar a culpa na Marta ...

(*) A propósito da cratera, o Conversa Afiada enviou (clique aqui para ler) 29 perguntas ao presidente eleito José Serra. Ele acha que foi uma "brincadeira".

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