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| Em
cinco anos São Paulo terá
um congestionamento contínuo, durante
o dia todo |
ESTUDO DIZ QUE TRÂNSITO
DE SP VAI “TRAVAR” EM 2013
Um estudo da Fundação Dom Cabral
mostra que os espaços entre os horários
de pico de congestionamento no trânsito
de São Paulo estão cada vez menores.
Desde de 2004, quando o estudo começou
a observar o trânsito da capital paulista,
o tempo de duração dos picos de
congestionamento em São Paulo cresce
15% ao ano.
O engenheiro responsável pelo estudo
Paulo Resende disse em entrevista ao Conversa
Afiada que, se continuar assim, a previsão
é que em cinco anos a cidade de São
Paulo não tenha horários de pico
para o congestionamento, mas um congestionamento
contínuo, durante o dia todo.
“Seria, basicamente, um travamento, que
a gente chama, dessas vias, desses corredores
importantíssimos para a vida de São
Paulo. E esse travamento funcionaria da seguinte
maneira: a qualquer momento que você tirasse
uma foto desses corredores, dessas avenidas,
você veria um congestionamento permanente”,
disse Resende.
Segundo Resende, as Marginais Pinheiros e Tietê
seriam as primeiras vias a sofrer esse “travamento”.
Ele disse que hoje essas vias já apresentam
congestionamento independente do horário
ou do dia da semana ou do mês.
“Começam a não apresentar
mais a chamada sazonalidade, ou seja, alguns
períodos tanto na semana quanto no mês
quanto no ano onde o trânsito é
menor”, disse Resende.
Resende disse que o estudo apresenta algumas
possíveis medidas para evitar o “travamento”
do trânsito em 2013. Essas possíveis
soluções se dividem em medidas
e longo prazo e medidas de curto prazo.
Medidas de longo prazo: investimento no transporte
público (metrô e corredores de
ônibus), investimento em infra-estrutura
para retirar veículos pesados do tráfego
de São Paulo durante a parte do dia (principalmente
veículos que não têm destino
São Paulo).
Medidas de curto prazo: um estudo para mudar
o horário de funcionamento de instituições
e de setores na cidade de São Paulo.
A pesquisa propõe que repartições
públicas, bancos e escolas e o comércio
mudem o horário de funcionamento. Com
isso, disse o professor Resende, no curto prazo,
se retiraria a pressão do trânsito
nas horas de pico. Uma segunda opção
de curto prazo seria abrir uma campanha educacional
de direção social, para conscientizar
os motoristas de que algumas atitudes no trânsito
podem piorar os congestionamentos. E, finalmente,
uma terceira ação é a instalação
sinais inteligentes: são os sinais controlados
por computador, onde os tempos de sinal verde
e de vermelho são definidos automaticamente
pelo computador, dado um certo volume de trânsito.
Leia a íntegra da entrevista
com o professor Resende:
Conversa Afiada – Um
estudo da Fundação Dom Cabral
revela que em cinco anos os congestionamentos
no trânsito da cidade de São Paulo
não terão mais um horário
de pico. Ou seja, a cidade de São Paulo
terá um congestionamento contínuo,
durante todo o dia. O estudo mostra ainda que
o período de lentidão da manhã
e do horário do almoço tem se
alongado, em média, 15% ao ano. Sobre
esse assunto eu vou conversar agora com o engenheiro
responsável pela pesquisa, professor
Paulo Resende. Professor, como foi que vocês
fizeram essa conta para saber quando é
que a cidade de São Paulo vai ter um
congestionamento contínuo?
Paulo Resende – Em 2004,
nós selecionamos quatro trechos da cidade
de São Paulo. Trechos na Avenida Bandeirantes,
na 23 de Maio e nas duas Marginais (Pinheiros
e Tietê), já próximas da
cidade, ou seja, já com a influência
do trânsito urbano. Em 2004, então,
nós fomos nesses trechos e fizemos medições,
nós medimos quanto tempo se demorava
para dissipar, ou seja, para terminar o congestionamento
na parte da manhã, na parte do almoço
e da tarde nesses trechos. Então marcamos
com o cronômetro a hora em que o congestionamento
começou e a hora que ele terminou. Isso
aí, então, nós medimos
o pico. A partir de 2004, que serviu de base,
em 2005, 2006 e 2007 nós realizamos cerca
de 12 medições por ano. Então,
de lá para cá nós tivemos
cerca de 36 medições. Quando nós
comparamos com aquele tempo de 2004 nós
então chegamos a uma média de
crescimento desse tempo de cerca de 15% ao ano.
Significa dizer que se nós projetarmos
para os próximos cinco anos nós
teremos então um alongamento do tempo
de pico, sendo que esse alongamento vai levar
ao pico da manhã se encontrar com o pico
do almoço, que se encontra com o pico
da tarde. Com isso nós teríamos,
então, um congestionamento o dia inteiro.
Conversa Afiada – Seria
o colapso do trânsito de São Paulo?
Paulo Resende – É.
Seria, basicamente, um travamento, que a gente
chama, dessas vias, desses corredores importantíssimos
para a vida de São Paulo. E esse travamento
funcionaria da seguinte maneira: a qualquer
momento que você tirasse uma foto desses
corredores, dessas avenidas, você veria
um congestionamento permanente. Isso daí
poderia trazer para a cidade graves conseqüências
econômicas, de qualidade de vida, emissão
de poluentes e por que não a questão
da exposição dos motoristas ao
crime, à insegurança? Porque,
estando parado no congestionamento, cada motorista
está completamente exposto a qualquer
tipo de crime, porque ele não tem como
se defender. Então as conseqüências
são muito graves.
Conversa Afiada – O
que a pesquisa considera que contribuiu para
aumentar o congestionamento na cidade de São
Paulo?
Paulo Resende – Em primeiríssimo
lugar, sem nenhuma dúvida, o aumento
da frota. O que a pesquisa constatou e o que
outras pesquisas também estão
constatando é que nós temos, no
caso de São Paulo, uma inserção
diária de cerca de 850 veículos
no trânsito e esses 850 veículos,
ao contrário do que acontece em países
desenvolvidos, não estão substituindo
a frota mais velha. Significa dizer que nós
temos uma adição de veículos
novos, a frota velha continua nesse trânsito
e com isso nós temos uma equação
muito perigosa entre volumes cada vez maiores
de veículos, veículos novos ou
veículos velhos e essa equação
não é boa para a cidade.
Conversa Afiada – Professor,
hoje há um período do dia em que
o trânsito é pior em São
Paulo?
Paulo Resende – O que
nós estamos constatando é que
durante a semana está havendo um encontro
perigoso de congestionamentos durante toda a
semana, inclusive no final de semana, principalmente
no sábado. Em determinadas vias de São
Paulo, que começam a não apresentar
mais a chamada sazonalidade, ou seja, alguns
períodos tanto na semana quanto no mês
quanto no ano onde o trânsito é
menor. Nós evitamos, naturalmente, fazer
os levantamentos em período de férias,
já que nós sabemos, isso é
claro, que existe uma fuga muito grande da cidade
nesses períodos, mas durante o resto
do ano nós estamos constatando que não
existe uma diferença muito grande entre
períodos. Está sendo tudo mais
ou menos muito igual e igual no congestionamento.
Conversa Afiada – E
que vias são essas que o senhor citou
agora e que não há mais sazonalidade?
Paulo Resende – Nas
duas Marginais a gente tem visto isso com mais
freqüência. Nas duas Marginais: Marginal
Pinheiros e Marginal Tietê estão
apresentando essa característica com
mais freqüência.
Conversa Afiada – Nessas
vias, portanto, esse “travamento”,
como disse o senhor, deve chegar primeiro?
Paulo Resende – Se continuar
desse jeito elas apresentam sintomas de congestionamento
mais preocupantes do que a 23 de Maio e a Bandeirantes.
Então eu diria para você que se
nós tivéssemos que priorizar aquelas
vias onde o travamento poderá ocorrer
com mais rapidez seria realmente as duas Marginais.
Conversa Afiada – Professor
Resende, o estudo aponta algumas medidas que
devem ou que podem ser tomadas para evitar esse
congestionamento contínuo em 2013, previsto
pela pesquisa?
Paulo Resende – O estudo
aponta sim, até porque nós entrevistamos
em São Paulo cerca de 150 usuários
dessas vias pesquisadas e usuários freqüentes,
usuários diários dessas vias.
Então nós tivemos no estudo tanto
a perspectiva de quem usa quanto a perspectiva
de estudos em outros lugares do mundo. E nesse
caso nós teríamos que dividir
ações de curto prazo e ações
de longo prazo. No longo prazo, não tenha
dúvida nenhuma de que existe um consenso
por parte dos entrevistados e de outros estudos
para nós tenhamos bastante investimento
no transporte público. O transporte público
em São Paulo tem sido visto como a grande
solução. O que nós poderíamos
falar de transporte público? Principalmente
a extensão das linhas do Metrô,
associada a uma maior extensão de vias
exclusivas para ônibus. A outra questão
no longo prazo são os investimentos em
infra-estrutura para retirar veículos
pesados do tráfego de São Paulo
durante a parte do dia, mas principalmente veículos
que não têm destino São
Paulo, estão apenas cruzando. Isso aponta
para o término, mais rápido possível,
do rodoanel. Agora no curto prazo nós
estamos propondo três questões
para que se tenha um certo alívio. A
primeira delas seria um estudo para se mudar
o horário de funcionamento de instituições
e de setores na cidade de São Paulo.
Nós estaríamos, então,
propondo um estudo para que, quem sabe, repartições
públicas, sistemas bancários,
escolas ou outras repartições
pudessem, o comércio, pudessem sofrer
uma mudança de horário de funcionamento
e, com isso, no curto prazo, você retira
um pouco de pressão nas horas de pico.
Uma segunda opção de curto prazo,
nós estamos pregando que São Paulo
deveria abrir imediatamente uma campanha educacional
para o que a gente está chamando de direção
social. Ou seja, o reconhecimento por parte
de cada indivíduo do efeito negativo
que ele provoca no trânsito com algumas
ações que ele geralmente faz e
que são maléficas. Por exemplo,
se alguém vai entrar à direita
numa via e conhece essa via, por que deixar
a mudança de pista para a última
hora? Por que ele precisa de bloquear todas
as pistas para entrar à direita? Por
que não entrar à direita 300 metros
ou 400 metros antes? Por que, por exemplo, não
dar seta sempre que é possível?
Porque ao dar a seta você indica para
o outro que está vindo no movimento contrário
a sua intenção. Com isso o outro
no pára para lhe esperar, então
ele já vai direto. Então, são
ações muito simples que nós
estamos chamando de direção social.
E, finalmente, uma terceira ação
que nós estamos propondo, e eu acho que
a Prefeitura de São Paulo já está
também propondo, são os sinais
inteligentes, são os sinais controlados
por computador, onde os tempos de sinal verde
e de vermelho são definidos automaticamente
pelo computador, dado um certo volume de trânsito,
volume de tráfego se aproximando do sinal.
Isso é feito através de detectores
com uma instalação muito rápida
e que poderia ter impacto interessante no curto
prazo.
Conversa Afiada – Essas
soluções e o estudo vocês,
de alguma forma, apresentaram ou encaminharam
ou vão apresentar ou encaminhar à
Prefeitura e ao Governo do Estado, professor?
Paulo Resende – Não,
não. Até agora somente a imprensa
nos procurou, mas nós estaríamos
absolutamente à disposição
da cidade e do Governo de Estado para discutir
com o pessoal os resultados desse estudo, porque
nossa intenção principal é
realmente contribuir para que o paulistano e
como de resto o Brasil inteiro, porque São
Paulo não é uma cidade paulista,
é uma cidade mais brasileira. Então,
a gente gostaria de contribuir muito para que
soluções fossem encontradas e
o sacrifício da população
não fosse tão grande ao se expor
nas avenidas de São Paulo.
Sobre o congestionamento em São
Paulo, veja o artigo que Paulo Henrique Amorim
escreveu em 26/11/2007.
14/XI/2012, 19H: O CARRO COMEU SP
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas
771
. O Domingo Espetacular da TV Record,
exibiu, neste domingo, dia 25 às 21h,
uma reportagem sobre o engarrafamento em São
Paulo.
. Numa leitura preliminar, a reportagem
teve uma audiência de 12 pontos no Ibope.
. A reportagem mostra por que,
no dia 14 de novembro de 2012, daqui a cinco
anos, véspera de feriado, às 19H,
haverá o "engarrafamento final",
o "engarrafamento do apocalipse" –
a soma das ruas engarrafadas na cidade de São
Paulo chegará a 500 km.
. Ou seja, mais do que uma viagem
do Rio a São Paulo.
. São Paulo emplaca 700
carros novos POR DIA !
. A indústria automobilística
nunca vendeu tanto carro como em 2007.
. Para tudo ficar COMO ESTÁ,
segundo o urbanista Candido Malta, São
Paulo precisaria construir oito avenidas Faria
Lima por ano, PARA FICAR TUDO COMO ESTÁ.
. São Paulo constrói,
quando não há nenhuma cratera
(*), um quilômetro de metrô por
ano.
. Precisa de 150 km.
. São Paulo pode esperar
150 anos ?
. Segundo Malta, a saída
é cobrar DOIS DOLARES POR DIA de quem
entrar no centro expandido de São Paulo
e usar o dinheiro para construir o metrô,
mais rápido.
. Agora, aqui entre nós,
que ninguém nos ouça: você,
caro leitor, acha que o prefeito Kassab ou o
presidente eleito José Serra tem coragem
para cobrar dois dólares POR DIA de quem
entrar no centro de São Paulo ?
. Kassab é o candidato de
Serra a prefeito de São Paulo, para sepultar
a carreira política de Geraldo Alckmin.
. Serra toma posse na presidência
de República em 2010.
. E não vai querer saber
do "engarrafamento apocalíptico"
de 2012: vai botar a culpa na Marta ...
(*) A propósito da cratera,
o Conversa Afiada enviou (clique aqui para ler)
29 perguntas ao presidente eleito José
Serra. Ele acha que foi uma "brincadeira".
Leia também:
R$
34 bi: o custo do engarrafamento em SP é
impressionante
Engarrafamento:
a culpa é da Marta
Kassab,
Serra e o PiG vão sepultar o viaduto
também