Por que será que a Lucent resolveu desistir de concorrer com a Alcatel na BrT ?
23/03 - 23h58


ALCATEL + BrT: OS FUNDOS E O CITI ESTÃO NESSA ?

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 1032


. Quando os Fundos e o Citi chutaram Daniel Dantas do controle da Brasil Telecom, em outubro de 2005, o Citi contratou uma empresa para investigar as falcatruas que Dantas tinha feito na Brasil Telecom.

. E descobriu que a BrT tinha o hábito de dar preferência à empresa francesa Alcatel ao comprar equipamentos de telefonia.

. Nas concorrências da BrT, a Alcatel não apresentava as melhores propostas, mas ficava com o negócio.

. Esquisito.

. Tão esquisito, que, quando o Citi entrou na Justiça de Nova York contra Dantas, citou as relações de Dantas com a Alcatel.

. Muito esquisito.

. A Alcatel comprava cotas do fundo de Dantas no Opportunity e ganhava as concorrências na BrT, administrada por Dantas.

. Como é isso ?

. Era assim, de acordo com o texto da ação que o Citi move contra Dantas, em Nova York:


(viii). The Alcatel Transaction
85. Upon information and belief, Alcatel, a supplier of telecommunications
equipment to Brasil Telecom, is a significant investor in the Opportunity Fund. Alcatel's
investment relates principally to Brasil Telecom and Telemar and is apparently segregated from
all other investments in the Opportunity Fund.

86. On January 14, 2005, Opportunity Fund informed IEII that, in exchange
for Alcatel's commitment to extend the term of its investment in the Opportunity Fund, the
Opportunity Fund had granted Alcatel the right to put back its investment to the Opportunity
Fund, thereby providing a guaranteed floor for the value of Alcatel's investment.

87. Upon information and belief, the put value was set at a price that would
enable Alcatel to recover significantly less than its initial investment and Alcatel granted the
Opportunity Fund the right to increasing success fees if Alcatel's interest is sold above certain
thresholds. Thus, the Opportunity Fund not only may be able to buy back Alcatel's investment
at a significant discount but also is entitled to receive all or part of any gain that Alcatel may
realize upon the sale of its interest in the Opportunity Fund.

88. The put/success fee arrangement with Alcatel effectively grants the
Opportunity Fund an additional interest in Brasil Telecom and Telemar that lies outside the
initial investment by the Funds and is not made available to the other Funds - a situation
prohibited by the "side-by-side" investment requirements in Article 5.2 of the Operating
Agreement and Article 2.5 of the Limited Partnership Agreement. In addition, the arrangement
with Alcatel constitutes a conflict of interest transaction for which approval should have been sought from the Advisory Committee pursuant to Article 6.4 of the Limited Partnership
Agreement. Finally, the inherent conflict of interest created by Dantas' arrangement with
Alcatel made it impossible for Opportunity and Dantas to have fulfilled their unequivocal duties
of loyalty and good faith to JEEI and the CVC Fund.


. (Clique aqui para ler a íntegra da ação do Citibank em Nova York contra Dantas )

. Muito esquisito.

. Como pode o Citi fazer uma acusação tão grave de “conflito de interesse” (“conflict of interest”)?

. Em que se baseava o Citi ?

. Na tal investigação que tinha mandado fazer.

. O que diz a investigação feita pela empresa ICTS Global, em 21 de dezembro de 2005 ?

. (Lembrem-se: a investigação foi contratada pela Brasil Telecom, já sob o controle dos Fundos e do Citi.)

. Leia a conclusão dessa investigação :

Existem indícios de ligação entre Alcatel e Opportunity, principalmente devido ao questionamento
da CVM quanto ao suposto investimento da Alcatel no Opportunity Fund em troca de favorecimento
em contratações na Brasil Telecom. Porém, estes indícios não foram comprovados em levantamentos
internos (entrevistas, e-mails e documentações), além da saída da Lucent também não ter sido
esclarecida pela área de operações ou DMS, não sendo possível afirmar que a saída da Lucent foi
motivada por uma desistência de investimento em fundos do Opportunity.

Outro ponto também levantado, mas não esclarecido, é o fato de decisão pela Alcatel em renovações
contratuais decorrentes de serviços prestados por mais de 3 empresas. Muitas renovações feitas por
aditivos contratuais não explicam, seja documentado em papel ou por relato das pessoas, porque
somente a Alcatel continuou como prestadora dos serviços e o motivo da saídas das outras empresas.


. Quer dizer: a Alcatel ganhava todas na BrT (dirigida por Dantas) e comprava cotas do fundo de Dantas no Opportunity.

. E, sem qualquer explicação, a BrT renovava os contratos com a Alcatel, assim, numa boa ...

. Por que será que a Lucent resolveu desistir de concorrer com a Alcatel na BrT ?

. E os sócios de Dantas, na BrT ?

. Os Fundos Previ, Petros, Funcef e Citi ?

. Faziam maus negócios na BrT, enquanto Dantas enchia a burra com o dinheiro da Alcatel no Opportunity – e ficaram quietos ?

. Não. O Citi foi à Justiça de Nova York.

. Os Fundos dos trabalhadores do Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Econômica delegaram à nova administração da BrT a responsabilidade de tomar medidas judiciais contra Dantas.

. Que medidas ?

. As medidas do tipo “fogo amigo”.

. Você finge que está com raiva, atira para tudo quanto é lado, especialmente para o foro em que Dantas é soberano a CVM e, na verdade, não faz nada de concreto para botar Dantas na cadeia.

. Em que deram as ações judiciais da nova administração da BrT contra Dantas ?

. Em nada ...

. Mas, não eram para dar, mesmo.

. Por que ?

. Porque são todos farinha do mesmo saco Dantas, Alcatel, a nova administração da BrT – escolhida pelos atuais dirigentes dos Fundos e liderada por um executivo de sobrenome K – e a BrOi (resultado próximo da fusão da BrT com a Oi).

. Quer dizer, são todos farinha do saco da... Pégasus.

. A Pégasus foi a empresa em que Daniel Dantas, Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, hoje donos da Oi, fundaram lá atrás, no processo de privatização do Farol de Alexandria.

. Eles eram chefes de K na Pégasus.

. O chairman of the board da Pégasus era um cavalheiro de nome Otávio Azevedo.

. Otávio Azevedo tem profundas ligações com a Alcatel.

. Vamos chamar de “profundas”, provisoriamente, até que novos documentos cheguem às minhas mãos ...

. Aí, o que acontece ?

. Apesar da investigação da ICTS e da ação do Citi em Nova York, a administração de K na BrT faz,
de novo, um super negócio com a Alcatel.

. Em 15 de janeiro de 2008, a Brasil Telecom faz com a Alcatel o maior contrato de fornecimento de
equipamentos de telefonia, no Brasil: DOIS BILHÕES DE REAIS !!!

. Clique aqui para ler:
http://www.clicnews.com.br/economia/view.htm?id=70214

http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/Subsecretaria/noticias/
clipping/noticias/assunto7/tel05mar2g/


. Isso, poucos dias antes de se concluir a fusão da BrT com a Oi, segundo o PIG.

. E o mais espantoso, ainda, é que a tecnologia da Alcatel é incompatível com a que a Oi utiliza.

. Ou seja, não vai haver – se o PIG estiver certo –, na BrOi, aquilo que os especialistas (e espertalhões) chamam de “sinergia”...

. Interessante é que o chairman of the board da BrT é um advogado do Citibank, de nome Sergio Spinelli.

. Quando ele se senta no board da BrT, ele contrata uma auditoria sobre as atividades de Dantas na BrT.

. E, alguns anos depois, fecha novo negócio milionário com a Alcatel.

. Quando ele é Citi em Nova York, ele diz que o Dantas fazia negócios penumbrosos com a Alcatel.

. Quantos chapéus usa o Sr. Spinelli ?

. E como ficam os funcionários do Banco do Brasil, da Petrobras e da Caixa Econômica, teoricamente
representados pela Previ, Petros e Funcef ?

. Será que eles sabem disso ?

. Será que seus investimentos na BrT são bem defendidos pela administração “K” ?

. Aquele pecúlio que eles levam para casa, na hora de se aposentar ...

. É esse pecúlio que eles entregam a K e aos amigos dele na Pégasus ?

. Será que os funcionários do Banco do Brasil, da Petrobras e da Caixa Econômica não aprenderam
a amarga lição dos tempos do Farol de Alexandria, que deu a Previ, a Petros e a Funcef na bandeja para Dantas ?

. Veja aqui como se trata de farinha do mesmo saco: Dantas, Jereissati, Andrade, K, Otávio Azevedo:

Opportunity investiu na Pégasus
http://209.85.165.104/search?q=cache:0v4XOf8uhYUJ:www.telemar.com.br/docs/pegasus_
animec.ppt+p%C3%A9gasus+opportunity&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=1&gl=br&lr=lang_pt


Sérgio Andrade, La Fonte e Opportunity eram sócios na Pégasus. Otávio Azevedo era ligado à Telemar (foi presidente).
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/256/economia/256_polemica_telemar.htm

Opportunity era sócio da Andrade Gutierrez em vários empreendimentos, como iG e Sanepar.
http://arquivoetc.blogspot.com/2005/04/lus-nassifconsumo-e-cidadania-ainda-o.html

Otávio Azevedo presidente da Telemar procurou Alcatel, principal credor da empresa.
http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=120097

Alcatel ajudou na infra-estrutura da Oi, que é da Telemar, que tinha como presidente Otávio Azevedo.
http://209.85.165.104/search?q=cache:P3ARFmEGnQsJ:frecuenciamagazine.com/images/documentos/
7f61f14ef3bfc818a1566342bddff7f7.pdf+%22otavio+azevedo%22+alcatel&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=7&gl=br&lr=lang_pt


Foto Otávio Azevedo, Armando Medeiros, da Alcatel (pagina 53).
http://telebrasil.org.br/arquivos/revista-30anos-telebrasil-2.pdf

Otávio Azevedo era porta-voz do consórcio Calais, formado por Geodex, Telemar, Brasil Telecom e Telefônica.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u83426.shtml
http://www.abusar.org/art60.html

Requião rompeu com a Dominó Holding, que era formada por Opportunity, Andrade Gutierrez e Vivendi.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u46832.shtml
http://www.aenoticias.pr.gov.br/modules/news/article.php?storyid=3527

. Leia aqui tudo o que a respeitada publicação Teletime, do respeitado jornalista Rubens Glasberg, divulgou sobre a BrT, o Citi e a Alcatel:

Alcatel é investidora do Opportunity Fund, diz Citi

Quarta-feira, 13 de Abril de 2005, 18h05
A Alcatel, uma das principais fornecedoras da Brasil Telecom, tem investimentos significativos no Opportunity Fund, fundo baseado em Cayman e totalmente controlado por Daniel Dantas e seu Opportunity. A informação consta explicitamente nas acusações que o Citibank faz em Nova York contra Dantas e em relação às quais pede indenização de US$ 300 milhões. Entre as acusações estão danos causados, quebra de contrato, quebra de dever fiduciário, fraude, afirmações negligentes, conduta profissional indevida, enriquecimento ilícito, entre outras. O Citi luta para tirar o Opportunity da administração de seus ativos no Brasil, especialmente do CVC Opportunity Equity Partners LP, acionista controlador da Brasil Telecom, Amazônia Celular e Telemig Celular, além de acionista minoritário da Telemar.

Segundo as informações fornecidas pelo Citi na sua peça de acusação contra o Opportunity, a Alcatel é um investidor significativo do Opportunity Fund, que também é acionista da Brasil Telecom e da Telemar. O Citibank não especula sobre as razões desse investimento da Alcatel em um fundo controlado por Daniel Dantas, mas entende que há um evidente conflito de interesse por parte do Opportunity. As acusações que resvalam na Alcatel estão na página 20 do "Amended Complaint", peça de acusação do Citi contra Dantas, que TELETIME News oferece para download na íntegra pelo link www.teletime.com.br/arquivos/complaint2.pdf (585kb).

Segundo o relato do Citibank, a participação da empresa fornecedora como acionista do Opportunity Fund foi informada pelo próprio Opportunity Fund ao Citi no dia 14 de janeiro deste ano. Nesta data, segundo relato da ação do Citi, o grupo de Dantas teria dito que a Alcatel estava disposta a vender seus investimentos, mas o Opportunity fez um acordo dando à Alcatel condições melhores de saída caso permanecesse por mais algum tempo no fundo off-shore. A informação é levada à Justiça de Nova York porque, além de ser uma prova de ação característica de conflito de interesse, as condições de saída da Alcatel poderiam representar a Daniel Dantas condições de, indiretamente, aumentar sua participação na Brasil Telecom.

TELETIME News enviou à Alcatel uma série de perguntas questionando sobre a natureza deste investimento no Opportunity Fund. A filial brasileira repassou os questionamentos à matriz. Segundo a empresa, "qualquer declaração sobre este assunto será feita pela Alcatel Mundial, depois que a empresa tiver acesso ao documento completo. A Alcatel Brasil não possui investimentos em nenhum tipo de fundo".

Não se sabe, ainda, se tais investimentos estão atrelados aos contratos de fornecimento de equipamentos na BrT. O Citibank e os fundos de pensão nacionais pretendem, no momento em que assumirem efetivamente a gestão das empresas que estavam sob a administração do Opportunity, fazer um levantamento dos contratos, inclusive com fornecedores, para saber em que condições Daniel Dantas e sua equipe administravam as companhias.

O Opportunity Fund, também vale lembrar, é um fundo baseado em Cayman e que foi recentemente condenado pela CVM por infrações às regras do Anexo IV, entre elas permitir a residentes no Brasil serem cotistas do fundo, que é aberto apenas a estrangeiros.

Em defesa, Dantas admite ter recebido pagamento de italianos
Terça-feira, 13 de Junho de 2006, 00h16

Daniel Dantas e o grupo Opportunity entregaram para a Justiça de Nova York na sexta passada, dia 9, um conjunto de documentos que configura a resposta do grupo às acusações feitas pelo Citibank no terceiro adendo da acusação inicial, pela qual o banco norte-americano acusa o Opportunity de fraude, quebra de dever fiduciário, gestão temerária dos ativos do fundo CVC etc. Essa é, na verdade, a discussão que perfaz o cerne da disputa em Nova York. Todas as outras ordens temporárias, que impedem Dantas e seu grupo de venderem ativos, tentarem substituir gestores etc, tudo isso é apenas parte menor de uma disputa muito maior, em que o Citi faz pesadas acusações contra o Opportunity e pede indenização de pelo menos US$ 300 milhões.

As respostas do Opportunity nessa nova leva de documentos repetem todas as anteriores: negam parágrafo a parágrafo todas as colocações feitas na peça de acusação do Opportunity. Mas há, agora, alguns aspectos novos na defesa de Dantas a serem considerados:

1) Banco Opportunity nega ter qualquer relação com Dantas

Isso mesmo. O assim conhecido “banqueiro” Daniel Dantas não é banqueiro, segundo sua própria defesa à Justiça de Nova York. Segundo os documentos apresentados para o Juiz Lewis Kaplan, o Banco Opportunity não tem nenhuma relação com Dantas. Todas as ações do banco são controladas pelo seu presidente Dório Ferman (98%) e sua família (2%). Dantas não é acionista, não é diretor, não participa de nenhuma decisão de investimento, não participa de decisões estratégicas e apesar de o banco estar no mesmo endereço dos demais escritórios do grupo Opportunity (com variação apenas do andar), o contato entre os funcionários do banco e as demais empresas do grupo Opportunity é esporádico e se limita ao compartilhamento de alguma infra-estrutura física, como a parte de tecnologia de informação. A estratégia do Opportunity com esse argumento é, possivelmente, livrar o banco de acusações de que taxas e benefícios teriam sido indevidamente pagas ao Banco Opportunity pelo fundo CVC International (onde estão os recursos do Citi) quando Dantas era o responsável pela sua gestão.

2) Opportunity, agora, diz que Alcatel não é cotista do Opportunity Fund

Em todas as demais peças de defesa do Opportunity entregues à Justiça de Nova York desde que o processo do Citibank contra o grupo de Daniel Dantas começou em março de 2005, nunca foi negada a acusação feita pelo Citi de que o fundo Opportunity Fund teria a Alcatel, uma das maiores fornecedoras da Brasil Telecom, como sua cotista. Segundo o Citi, este investimento da Alcatel no Opportunity Fund foi feito em condições prejudiciais à BrT, em claro abuso por parte do Opportunity da posição de gestor da operadora para obter benefícios em interesse próprio. Dantas sempre confirmava que a Alcatel era cotista do Opportunity Fund, negando apenas haver qualquer ação em benefício próprio. Agora, na nova leva de documentos de defesa apresentada à Justiça de Nova York, o Opportunity simplesmente nega que a Alcatel seja cotista, sem maiores explicações. Resume-se a reconhecer a empresa como uma importante fornecedora da Brasil Telecom.Vale lembrar que a BrT abriu ação em Cayman contra o Opportunity Fund em dezembro de 2005, justamente por conta dessa relação do fundo com fornecedores da operadora, especificamente Alcatel (cotista em US$ 40 milhões, segundo a BrT) e Lucent. Em Cayman, a Brasil Telecom pede a quebra de sigilo do Opportunity Fund. A própria Alcatel também já admitiu ter feito investimentos no Opportunity Fund.

3) Opportunity confirma ter recebido dinheiro da Telecom Itália

Pela primeira vez, o Opportunity confirma ter recebido dinheiro da Telecom Italia em decorrência do acordo fechado com o grupo italiano em abril de 2005. Pelo acordo, Dantas poderia receber até US$ 460 milhões por suas ações diretas e indiretas na Brasil Telecom e pelo fim de processos judiciais movidos pela BrT contra a Telecom Italia. Em troca, a BrT e a Telecom Italia se comprometiam a fundir as operações de telefonia celular TIM e BrT GSM. O acordo acabou não indo adiante em função de liminares na Justiça de Nova York e na Justiça Brasileira, e em abril deste ano a Telecom Italia anunciou o fim do entendimento com o Opportunity, já que se esgotara o prazo para que fosse efetivado. Contudo, nunca se soube ao certo se o Opportunity recebeu algum benefício com a tentativa de operação. Agora, em declaração à corte de Nova York, Verônica Dantas admite que o Opportunity recebeu, por meio da empresa Opportunity Prime (baseada nas Ilhas Virgens Britânicas) o montante referente ao acerto das pendências judiciais com os italianos. A própria Verônica Dantas admite que o Opportunity Prime é uma empresa que tem como diretores apenas ela e seu irmão Daniel Dantas e que Dantas é acionista indireto do Opportunity Prime. Verônica Dantas não fala em valores, mas pelo acordo a Telecom Italia pagaria o equivalente a US$ 65 milhões ao Opportunity pelo fim das pendências na Justiça. Provavelmente é isso que foi pago ao Opportunity Prime. Vale lembrar que apesar de o dinheiro ter ido para Daniel Dantas e sua irmã, as pendências envolviam principalmente interesses da Brasil Telecom e tinham a empresa ou suas holdings controladoras como autoras. As ações foram retiradas assim que o acordo com a Telecom Italia foi celebrado em abril de 2005. O Citibank alega que Dantas agiu em interesse próprio porque já estava demitido quando celebrou o acordo com a Telecom Italia, negociando, portanto, interesses jurídicos da operadora e obtendo vantagens para si.

Alcatel diz ter investimento não-significativo no Opportunity Fund
Quinta-feira, 14 de Abril de 2005, 19h13

A matriz da Alcatel na França admitiu, em entrevista por escrito ao TELETIME News, que tem investimentos no Opportunity Fund, mas diz que se trata de um investimento não-significativo, ao contrário do que afirma o Citibank em ação que move contra o Opportunity em Nova York.

Ao ser perguntada por que razão, como fornecedora das empresas controladas pelo Opportunity, a fabricante teria investido em um fundo offshore, a empresa respondeu: "À época da privatização do setor de telecomunicações no Brasil, em 1999, a Alcatel ajudou na criação de novas operadoras de telecomunicações, em geral por meio de 'vendor financing' (financiamento para fornecimento de equipamentos), e excepcionalmente por meio de investimento em fundos, que indiretamente investiam em participações nas operadoras. O investimento foi realizado por meio de uma empresa francesa que não tem restrições para investir em fundos de investimento offshore."

TELETIME News perguntou ainda à Alcatel se a empresa foi forçada pelo Opportunity a realizar tais investimentos como forma de garantir contratos. A esta pergunta, a Alcatel respondeu apenas: "Os contratos assinados no Brasil foram realizados em condições de mercado (arm's length)". Ao ser questionada se os investimentos no Opportunity Fund estão contabilizados e onde aparecem estes registros, a Alcatel respondeu:"Os investimentos e contratos da Alcatel estão registrados de forma acurada em perfeito cumprimento às regras e padrões contábeis."

Lucent também investiu no Opportunity Fund, diz BrT
Segunda-feira, 27 de Março de 2006, 20h10

A Brasil Telecom prepara-se para iniciar uma ação contra o Opportunity Fund na Justiça das Ilhas Cayman. Os primeiros passos formais do processo foram dados na Grand Court of the Cayman Islands, e se mostram alinhados a outra ação já movida na mesma instância pelos fundos de pensão nacionais também contra o Opportunity Fund.

Trata-se do principal fundo de investimentos do grupo Opportunity baseado em Cayman e que tem participação acionária na Brasil Telecom. Até a demissão do grupo de Daniel Dantas da gestão das diferentes empresas na cadeia societária da Brasil Telecom, o Opportunity Fund era o controlador final da companhia, ao lado do fundo CVC Opportunity Equity Partners LP, pertencente ao Citibank (e hoje chamado CVC Brazil), e que na época também era gerido pelo grupo Opportunity.

A ação da Brasil Telecom contra o Opportunity Fund trará mais denúncias contra a gestão do Opportunity enquanto controlador da operadora. A principal novidade diz respeito a mais um caso de fornecedor da BrT que se tornou investidor do Opportunity Fund. Segundo a Brasil Telecom, o grupo de Dantas conseguiu estes investimentos graças a sua posição no comando da operadora, o que caracteriza recebimento irregular de recursos. O novo fornecedor citado pela Brasil Telecom é a Lucent. Trata-se de um caso semelhante ao da Alcatel, já denunciado pelo Citibank na justiça de Nova York. O mecanismo denunciado pela operadora é simples: o Opportunity Fund recebia investimentos das empresas fornecedoras em troca de contratos.
A Lucent foi, até 2004, a principal fornecedora de serviços de manutenção da BrT na rede dos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os investimentos foram realizados aproximadamente na mesma época dos contratos, segundo apurou este noticiário.

A BrT alega que os investimentos foram conseqüência dos contratos concedidos pela gestão de Daniel Dantas. Os gestores da companhia, por sua vez, tinham consciência dos investimentos feitos pela empresa fornecedora no Opportunity Fund. O contrato da Lucent foi encerrado em agosto de 2004, e então transferido para a Alcatel, que também fez investimentos no fundo controlado pelo Opportunity em Cayman. Os investimentos da Alcatel no Opportunity Fund foram da ordem de US$ 50 milhões, diz a BrT.
No caso da Alcatel, tanto o Opportunity quanto a própria empresa fornecedora confirmam os investimentos no Opportunity Fund, mas alegam não haver relação com os contratos da Brasil Telecom. No caso da Lucent, a empresa foi procurada por este noticiário mas não quis se pronunciar.

Outras acusações

Além da questão dos fornecedores, a Brasil Telecom deve usar como argumentos contra o Opportunity Fund em Cayman os US$ 65 milhões recebidos pelo grupo de Daniel Dantas como parte do acordo firmado com a Telecom Italia em 28 de fevereiro de 2005. Para a operadora, o fato de o fundo ter recebido estes recursos constitui quebra de dever fiduciário, pois foram montantes só conseguidos com o uso indevido da posição de controlador da companhia. Segundo a Brasil Telecom, o Opportunity negociou com a Telecom Italia o fim de ações que eram relacionadas à BrT e os recursos provenientes do acordo foram transferidos apenas para o próprio Opportunity. Como se recorda, em 28 de fevereiro de 2005 o Opportunity fechou um acordo de US$ 445 milhões com a Telecom Italia pelo qual vendia suas posições acionárias de controle e sem controle na Brasil Telecom, comprometia-se com a fusão das empresas celulares BrT GSM e TIM e ainda encerrava as pendências judiciais. Apenas o montante referente às pendências foi pago pelos italianos, justamente os US$ 65 milhões.

Outra acusação da Brasil Telecom em Cayman contra o Opportunity Fund diz respeito ao empréstimo feito indiretamente pela BrT, na época sob a gestão de Dantas, à Highlake International Business, empresa usada pelo Opportunity para comprar, por US$ 65 milhões, 49% da Telpart pertencentes na época à canadense TIW. A Telpart é a empresa controladora da Telemig Celular e da Amazônia Celular. O montante emprestado pela Brasil Telecom foi de US$ 43 milhões, denúncia essa já encaminhada para apuração da CVM (os outros US$ 22 milhões usados pelo Opportunity foram tirados do Citibank). Segundo a Brasil Telecom, o empréstimo para a compra da Telpart pela Highlake foi feito sem que fosse dada a chance da operadora de avaliar se preferia receber o montante de volta ou optar por manter uma posição acionária na empresa de celular. Essa opção ficava por conta do grupo de Dantas. Além disso, o empréstimo teria sido feito sem a aprovação adequada conforme os estatutos da companhia e sem a devida informação ao mercado.
Alegações

A Brasil Telecom alega que Carla Cico, ex-presidente da operadora, tinha conhecimento de todas as condutas irregulares do Opportunity e agiu de modo a favorecer os interesses do grupo. Da mesma forma, o Opportunity Fund e seus dirigentes, na condição de controladores da Brasil Telecom, também tinham conhecimento de que havia condutas irregulares em curso, e por isso quebraram seu dever fiduciário. Segundo apurou este noticiário, a Brasil Telecom deve pedir à Justiça de Cayman a abertura das contas do Opportunity Fund de modo a verificar os recursos obtidos pelo fundo em decorrência da conduta irregular dos gestores, especialmente em relação aos depósitos feitos por fornecedores da BrT. A BrT quer o levantamento preciso desses montantes e a devolução dos valores para a operadora, com as devidas correções. O Opportunity Fund tem até o final de março para responder as acusações antes que uma ação formal seja iniciada.

Várias ações

A ação da Brasil Telecom contra o Opportunity Fund engorda o número de investidas internacionais contra Daniel Dantas. Ele é processado desde março de 2005 pelo Citibank em Nova York, com mais ou menos os mesmos os argumentos. Também os fundos de pensão nacionais entraram em 2005 com ação nas Ilhas Cayman contra o Opportunity Fund. O Citibank processa ainda a ex-dirigente da Brasil Telecom Carla Cico na justiça norte-americana. No Brasil são centenas de ações em curso.

Histórico

Não é de hoje que o Opportunity Fund está metido em irregularidades. O fundo foi condenado pela CVM, em setembro de 2004, por receber investimentos de pessoas residentes no Brasil, o que era proibido pelas regra do Anexo IV, nas quais o fundo se enquadrava. Todas as condenações, no entanto, somaram apenas R$ 480 mil e a CVM não suspendeu o direito do fundo de operar no Brasil e nem mesmo de participar do controle de empresas de telecomunicações. E o principal dirigente do Opportunity Fund, Daniel Dantas, sequer foi investigado.

Mas há mais decisões da Comissão de Valores Mobiliários envolvendo indiretamente o Opportunity Fund. Duas empresas, a Parcom e a Forpart, ambas controladas pelo Opportunity Fund, foram repreendidas pela CVM por operarem de forma irregular no mercado de ações, comprando e vendendo papéis fora da bolsa, em operações de "garimpagem" de papéis de empresas de telecomunicações em nome de usuários que receberam as ações ao adquirirem os planos de expansão do antigo Sistema Telebrás. Operações de garimpagem são irregulares, e a aquisição em mercado não organizado era expressamente proibida a fundos enquadrados no Anexo IV. As operações de garimpagem foram investigadas, aliás, pelo atual presidente da CVM, Marcelo Trindade, que na época era um dos diretores da autarquia.

Alcatel é uma questão comercial dos investidores, diz Anatel
Quinta-feira, 14 de Abril de 2005, 21h49

O conselheiro da Anatel, José Leite Pereira Filho, disse nesta quinta-feira, 14, em entrevista ao TELETIME News, em São Paulo, que se existe a hipótese da Alcatel ter tirado alguma vantagem do fato de ser investidora do fundo Opportunity Fund em sua relação como fornecedora da Brasil Telecom e de outras teles onde o grupo de Daniel Dantas é administrador, isso foge totalmente do ambiente regulatório da agência.

“É uma questão comercial. Se os investidores não reclamaram ou não cobraram nada, é porque estavam todos de acordo”, afirmou. Para Leite, o que importa para a Anatel é o equilíbrio econômico-financeiro da concessionária (a Brasil Telecom). “A responsabilidade da agência é manter o serviço em funcionamento, com continuidade.”

A Alcatel é uma das principais fornecedoras da BrT e, conforme informações dadas pelo Citibank à Justiça de Nova York, é também cotista do Opportunity Fund, acionista indireto da BrT, Telemar, Telemig Celular e Amazônia Celular. A Alcatel confirma o investimento, mas diz que ele é não-relevante.

Bens reversíveis

Perguntado se a Anatel não se preocupa com uma possível crise na adminsitração da Brasil Telecom decorrente da relação conflituosa entre o administrador Opportunity e os acionistas, o conselheiro José Leite afirmou que a preocupação que há é com a reversibilidade dos bens da BrT, ou seja, se a empresa for à falência, os bens têm que estar disponíveis para a Anatel transferir a concessão para outro operador.

“Agora, se a operadora der mais ou menos lucro, isso é com o investidor.” Leite diz que o acionista ou controlador da concessão, desde o momento da sua privatização, tem que assumir os riscos. “O Estado não é mais o dono da operadora, deixou de ser o empresário. Se o serviço tem continuidade e se a operadora for à falência devido a falhas de origem empresarial, os bens têm que estar disponíveis e a Anatel monitora sempre, até porque não quer ser surpreendida”, diz o conselheiro.

A má gestão, se existe, é um problema dos investidores, na avaliação de Leite. “Os investidores é que escolhem os administradores. O risco é deles. A agência apenas monitora para ver se há algum risco iminente de descontinuidade. Até o momento, não detectamos nada que indique que a Anatel tenha que intervir”, afirma.

BrT ainda não abriu casos mais sérios sob investigação
Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2005, 21h01

A divulgação dos primeiros resultados da auditoria promovida pela Brasil Telecom sobre a gestão do Opportunity deixou de fora os pontos em que a empresa, seus acionistas e, sobretudo, os resultados registrados, possam efetivamente ter sido lesados, caracterizando possíveis fraudes na gestão da companhia. Como as provas ainda não estão todas coletadas, há uma preocupação de não causar preocupações no mercado ou cometer injustiças. Por exemplo, a empresa não apresentou publicamente a questão dos fornecedores de equipamento e serviços, onde, suspeita-se, esteja o maior rombo deixado pelo grupo Opportunity.

Sabe-se, até aqui, de apenas um caso comprovado de fornecedor que adotou uma prática não muito ortodoxa: é o da Alcatel, um dos principais fornecedores da Brasil Telecom e que assumidamente investiu em fundos do Opportunity, notadamente no Opportunity Fund, que estava no bloco de controle da companhia. Sabe-se que outros casos estão sendo apurados, inclusive com algumas “delações premiadas” por parte daqueles que praticaram algum ato suspeito ou tenham sido prejudicados. Charles Putz, vice-presidente de finanças da Brasil Telecom, faz questão de dizer que a empresa tem fundamentos sólidos e que seus resultados são bons. Ele rejeita comparações com casos de fraudes como os registrados nos EUA (Enron, Global Crossing etc) em que as companhias estavam falidas quando a verdade veio à tona. “No caso da Brasil Telecom, os números são bons”. Mas ele não negou, ao ser questionado por este noticiário, que a BrT, até hoje, vem registrando com muita freqüência margens (sobretudo EBITDA) abaixo das registradas pelos seus concorrentes, mesmo em épocas em que a BrT não investia para antecipar suas metas de universalização e as outras teles sim. Em entrevista à revista TELETIME de novembro, Ricardo Knoepfelmacher admite que as margens da companhia têm piorado desde 2002 mas não define uma causa. Diz apenas que estão sendo investigadas as possíveis razões, e cita os custos e os investimentos feitos como possíveis causas. Esse é o principal problema da Brasil Telecom e que pode trazer maiores dores de cabeça junto ao mercado financeiro. Uma apresentação das estratégias da empresa a analistas acontecerá no dia 19, em São Paulo.

Kroll

Outro episódio que a Brasil Telecom evitou tocar foi o caso Kroll. Sabe-se que a empresa pagou pelos serviços, há registros dos pagamentos, mas não há nenhum relatório sobre o tema. Sabe-se também que a ex-presidente da Brasil Telecom deu ordem à Kroll, às vésperas de deixar a empresa, para que não passasse nenhuma informação aos novos controladores. E sabe-se que a Kroll, até aqui, não tem informado à Brasil Telecom sobre nenhuma de suas atividades, ainda que a BrT seja a contratante dos serviços.

Compras

A Brasil Telecom, nesse momento, informa apenas que está investigando todos os contratos de compra de empresas feitas na época da gestão Opportunity, mas não diz se já chegou a alguma conclusão. Ente eles, se destacam a compra de companhias como iBest, um portal de Internet, ou o iG, onde o próprio Opportunity era acionista. Em todos os casos, as operações envolveram valores extremamente altos e não justificados aos membros do conselho de administração, apesar dos seguidos pedidos por explicações. Foram várias as operações de compra de ativos realizadas pelo Opportunity, entre elas a Globonet (cabos submarinos), MetroRED, Vant, iG, iBest, entre outras.

No caso do iBest, o que a auditoria constatou é que o portal emprestou a uma empresa ligada ao Opportunity (Visualpart) R$ 1,5 milhão, que até hoje não foi pago. Segundo Charles Putz, o ex-diretor financeiro da Brasil Telecom, Paulo Pedrão Rio Branco, teria informado que o Opportunity pressionava a Brasil Telecom para desprezar o empréstimo, considerando-o “perda financeira”, o que não foi aceito.

Novas convocações podem incluir Alcatel e Telecom Italia
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005, 05h34

As CPIs do Mensalão e dos Correios devem fazer uma série de convocações que podem mexer com o mercado de telecomunicações. Serão votados nesta quinta, 22, requerimentos para várias atividades das comissões. O deputado Mauricio Rands (PT/PE) quer trazer o presidente da Alcatel no Brasil para explicar as razões do investimento feito pela empresa fornecedora no Opportunity Fund. Também há a expectativa sobre a votação de requerimento para que o presidente da Telecom Italia no Brasil, Paolo Dal Pino, seja chamado a depor. O deputado ACM Neto (PFL/BA) propôs uma acareação entre Dal Pino, Dantas e o presidente do Citibank. Ele também quer trazer o ex-presidente do Banco do Brasil, Cassio Casseb.

Também estão sendo requisitadas a quebra de sigilo do Opportunity Fund, nas ilhas Cayman, onde se pretende analisar se há cotistas residentes no Brasil, já que o banqueiro Daniel Dantas afirmou não saber quem são os investidores desse fundo, que hoje tem mais de R$ 8 bilhões de patrimônio e é central na questão societária das teles. O Opportunity Fund, informou Dantas, foi o principal comprador das ações diretas da BrT. Ele confirmou que o fundo é vedado a investidores residentes no Brasil, mas disse que não tem controle, já que a venda é feita por outros bancos. Disse apenas que há uma advertência no prospecto do fundo.

Outro requerimento a ser votado é a quebra dos sigilos das aeronaves do consórcio VOA, que opera para a BrT, Telemig e Amazônia. As CPIs querem saber se não houve uso indevido dos aviões, inclusive para transporte de políticos. Dantas afirmou que em épocas de campanha os aviões não transportam políticos.
Também foi solicitada a quebra de sigilo do hard disk do servidor do Opportunity, apreendido pela Operação Chacal na sede do Opportunity. A suspeita é que o HD mostre movimentações financeiras irregulares no Opportunity e seus diversos fundos.

Em NY, Daniel Dantas acusa Telemar e governo
Segunda-feira, 05 de Setembro de 2005, 22h41

A estratégia judicial de Daniel Dantas e seu Opportunity na disputa que trava com o Citibank em Nova York tornou-se ainda mais agressiva. Dantas não mais se defende das acusações, mas agora também passou a fazer uma série de acusações diretas (ainda que sem provas) contra autoridades brasileiras, contra a Telemar, contra os fundos de pensão, contra o próprio Citibank (naturalmente) e contra a Telecom Italia. Além disso, Dantas utiliza todas as notícias que têm sido publicadas na imprensa em relação aos fundos de pensão e às supostas relações com o escândalo político do mensalão para montar um cenário que suporte a sua tese central: a de que há uma conspiração contra ele patrocinada pelo Citi, pelos fundos, pela Telemar e pelo governo.

No documento "Amended Counterclaims", datado de primeiro de setembro, Dantas dispara: "Membros do governo, por meio dos fundos de pensão (...), têm usado o poder político para tomar o controle da Brasil Telecom e demais empresas (controladas pelo Opportunity). Recentemente, certos membros do governo, novamente por meio dos fundos, têm tentado vender os ativos para indivíduos politicamente favorecidos e entidades, como os controladores da Telemar". Dantas não apresenta provas concretas. Diz ter ouvido de Mike Carpenter, principal responsável pelos investimentos internacionais do Citibank, que haveria um suporte de alto nível no governo a esta estratégia. Em outro momento, apresenta emails que ele, Dantas, teria enviado a Mary Lynn Putney, ex-diretora do Citi, relatando supostas conversas tidas com José Dirceu (então ministro da Casa Civil) e Cassio Casseb (então presidente do Banco do Brasil) em abril de 2003. Dessas conversas, Dantas teria entendido que haveria uma disposição do governo de ajudar os fundos de pensão. Não há provas de que os emails sejam autênticos.

Medo da Telemar

O medo de Dantas de que a Telemar estivesse buscando alternativas para comprar a Brasil Telecom vem desde o começo de 2003. Em um dos emails trocadas com Putney, então funcionária do Citibank com quem mantinha todo o relacionamento institucional, o dono do grupo do Opportunity diz ter sido informado pela NEC e pela Alcatel de que Carlos Jereissati (Grupo La Fonte, acionista da Telemar) estaria tentando comprar a BrT. Dantas especula, nas supostas mensagens, que seria uma troca a ser feita com a Telecom Italia pela Oi, mas, mais uma vez, não dá provas além do seu próprio testemunho.

Mais adiante, em sua argumentação à Justiça de Nova York, Dantas diz, sem amenizar o discurso: "O Citibank conspirou com os fundos de pensão e a Telemar para influenciar o governo federal a mudar as regras para chegar ao objetivo", que, segundo Dantas, seria uma operação de venda da participação dos fundos e do Citi para a concessionária concorrente, com a suposta conivência das autoridades, segundo suas acusações.

Dantas faz ataques também à auditoria Trevisan. Diz que o Citibank contratou esta empresa para fazer a auditoria dentro da Brasil Telecom porque é uma empresa que tem "lucrativa relação com o governo brasileiro, pela qual recebeu contratos".

O Opportunity quer convencer a Justiça de Nova York de que é vítima de uma orquestração entre fundos e o banco norte-americano, com a concordância do governo Brasileiro. Diz ainda que a Telecom Italia pressionou o Citibank para romper relações com Daniel Dantas e diz que foi obrigado a comprar participações diretas na Brasil Telecom e nas demais empresas em que investe a fim de evitar uma tomada hostil por parte dos italianos.

Conivência interna?

Dantas afirma textualmente que sempre contou com a concordância do Citibank em todas as suas ações. A aprovação, segundo o Opportunity, vinha por meio da diretora Mary Lynn Putney, que acabou "informalmente" fazendo o papel que deveria caber a um conselho de investimento. Ou seja, segundo Dantas, Putney aprovava todos os seus atos. A diretora, hoje aposentada, não fala à imprensa nem o Citi fala por ela. O Citibank não explica, também, se ela seria conivente com Dantas ou se de fato ela era orientada pela diretoria do banco a aceitar todos os passos do Opportunity no Brasil. Fato é que a executiva, segundo fontes do Citi revelam informalmente, "foi aposentada" em meados de 2004, e sua relação próxima com Dantas pesou. Tanto que é a diretoria que entrou no lugar Putney quem sofre pesados ataques de Dantas. Foi esta diretoria que efetivamente tomou medidas para romper com o banqueiro.

Mary Lynn Putney foi quem escreveu cartas para ministros brasileiros em nome do Citi. Primeiro, foram cartas enviadas na gestão Fernando Henrique Cardoso, quando Pedro Malan (Fazenda), Alcides Tápias (Desenvolvimento) entre outras autoridades receberam correspondências "recomendando" Daniel Dantas e atacando os fundos de pensão. Na gestão Lula, Antônio Palocci (Fazenda) e Cassio Casseb (Banco do Brasil) receberam estas correspondências. Um dado curioso é que, em uma das mensagens enviadas por Dantas a Putney, ele dá a entender que o Citibank desautorizou a carta que teria sido enviada ao ministro Palocci, o que leva a supor que ela agia por conta própria, sem o conhecimento do banco. Dantas pede a Putney, então, que o Citi reforce posição em sua defesa.

Risco Demarco

Daniel Dantas menciona o empresário Luiz Roberto Demarco em sua defesa à Justiça de Nova York. Demarco foi sócio de Dantas e trava contra o banqueiro disputas judiciais em Cayman. O empresário já conseguiu, por exemplo, o direito de dissolver a empresa que controla o fundo pelo qual o Citibank investe no Brasil, além de várias outras vitórias. Uma das novidades da defesa do Opportunity é que Demarco aparece, agora, como razão para o chamado "Umbrella Agreement", um acordo em que ele, Dantas, assina por todos os investidores que estão na Zain Participações e da Futuretel (empresas que estão no topo da cadeia de controle da BrT e da Telemig Celular, respectivamente). O Umbrella Agreement, contestado pelos fundos, prevê, por exemplo, que o Opportunity continuaria decidindo pelas empresas mesmo que fosse destituído. Daniel Dantas diz, agora, que criou esse acordo porque temia que Demarco conseguisse o direito de dissolver algumas das empresas. Ele também afirma que as disputas judiciais em Cayman eram bancadas pelo Citibank, o que deixou de acontecer depois que o Citi e os fundos de pensão fizeram o acordo. Vale lembrar que há suspeitas levantadas pelos fundos de que o "Umbrella Agreement" tenha sido pós-datado para defender Dantas de sua destituição como gestor das fundações nacionais, o que ocorreu em outubro de 2003.

Atualidades citadas

Dantas utiliza todas as notícias recentes relacionadas aos fundos de pensão e ao escândalo do mensalão na sua defesa em Nova York. Diz que os fundos são suspeitos de lavagem de dinheiro e diz que há uma decisão do TCU suspendendo o acordo entre fundos de pensão e Citibank. Essa decisão do TCU, como revelou a revista Carta Capital, decorreu de uma reclamação do deputado federal Alberto Fraga (PFL/DF), cuja argumentação tem longos trechos idênticos a um documento enviado pelo Opportunity à Casa Civil. Ao TELETIME, Fraga chegou a afirmar que sequer sabia que Dantas estava por trás da Brasil Telecom.O Opportunity também diz em Nova York que o acordo de put está sendo investigado pelo Congresso, mas não cita que Daniel Dantas foi convocado a depor na CPI dos Correios. A íntegra das acusações feitas por Daniel Dantas à justiça de Nova York estão disponívis em www.teletime.com.br/arquivos/am_counterclaims.zip (4,8Mb).

Jogo político

Daniel Dantas tem chances de se livrar de uma sessão de questionamentos na CPI dos Correios. Apesar de convocado para falar no dia 14, seu depoimento pode ser adiado, e as chances disso acontecer são grandes. Nos corredores do Congresso, junto a fontes de partidos da base aliada, a informação é de que para o governo a convocação de Dantas só aumentaria a crise política. Esta semana as coisas ficarão mais claras: se o PFL continuar insistindo em investigar os fundos de pensão, Dantas será ouvido de qualquer maneira. Entende-se, entre os governistas, que mesmo que os fundos tenham dado espontaneamente explicações e que nada tenha sido comprovado contra eles, o ruído de imprensa gerado pelo tema alimenta a crise.
Por outro lado, se a pressão da oposição sobre os fundos de pensão ficar mais fraca, há quem acredite que o governo não pressionaria mais para que o banqueiro seja ouvido, ainda que muitos parlamentares não queriam abrir mão de fazê-lo. O preço dessa decisão seria perder a chance de cobrar o Opportunity diretamente sobre seu envolvimento com o escândalo do mensalão e outros pontos nebulosos, como o próprio processo de privatização. Isso poderia ficar para depois, eventualmente na CPI da Anatel (já aprovada). O ganho para o governo seria evitar mais combustível para a crise.

Briga com Citi detona onda de denúncias contra Dantas na CVM
Sexta-feira, 15 de Abril de 2005, 17h48

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que fiscaliza o mercado de capitais brasileiro, informa que recebeu nos últimos dias muitas reclamações de investidores em decorrência das recentes denúncias feitas pelo Citigroup na Justiça de Nova York contra o Opportunity. Algumas das reclamações dizem respeito especificamente à notícia da participação da Alcatel como cotista do Opportunity Fund, fato informado à Justiça norte-americana pelo Citi. Os nomes dos reclamantes não são divulgados pela CVM.

Somando com as denúncias que já vinham sendo feitas ao longo dos anos contra o grupo de Daniel Dantas, diz a CVM, são agora "dezenas" de casos, que serão analisados em conjunto pelo órgão fiscalizador.

De acordo com a assessoria de imprensa da entidade, os técnicos da CVM trabalham atualmente na análise de todas as reclamações recebidas. Quando essa primeira etapa for concluída, a entidade decidirá que providências tomar. Não há, contudo, previsão de quanto tempo será necessário para conclusão do processo de análise.

Dantas apresenta defesa à Justiça de Nova York
Sexta-feira, 01 de Julho de 2005, 20h01

O Opportunity e o banqueiro Daniel Dantas começaram a responder às dezenas de acusações feitas pelo Citibank em Nova York como parte do processo em que o banco norte-americano pede pelo menos US$ 300 milhões de indenização por administração fraudulenta de recursos e quebra de dever fiduciário. Dantas, como era de se esperar, nega todas as acusações. Não há provas nessa fase do processo ainda. Mas além de negar os argumentos do Citibank na peça inicial, o grupo Opportunity faz algumas acusações contra o banco norte-americano. Diz, por exemplo, que o Citi se aproximou da Telecom Italia em 2004, mesmo que isso fosse proibido pelo contrato de gestão. Nessa aproximação, acusa Dantas, o Citi teria entregado aos italianos cópias dos relatórios confidenciais da Kroll sobre as investigações feitas a pedido da Brasil Telecom.

Dantas também acusa o Citibank de ter dificultado a aceitação de uma oferta de mais de R$ 5,2 bilhões feita pela Vivo pela Telemig Celular. Diz ainda que o Opportunity teria direito a sair dos investimentos em condições iguais (side-by-side) e que com o acordo fechado com os fundos de pensão isso ficou impossível. O Opportunity, que era gestor dos recursos do Citi até março, quando foi demitido, alega que o banco norte-americano quebrou seu dever fiduciário ao interferir nas possibilidades de venda dos ativos e ao negociar diretamente com Telecom Italia e fundos de pensão.

O grupo de Daniel Dantas alega ainda que comprou ações em mercado aberto da Brasil Telecom (9.856.795.737 ações da Brasil Telecom Participações, precisamente) em 2000 e 2001 porque temia uma tomada hostil da companhia pela Telecom Italia. Diz que essa manobra foi aprovada pelo Citibank. O Opportunity reconhece, nas respostas às acusações do Citibank, que a Alcatel é mesmo cotista do Opportunity Fund, mas que seus investimentos estão separados.

Por fim, o Opportunity pede indenização por supostos danos causados pelo Citibank, e o reconhecimento de que o grupo de Dantas tem direito a participações nos lucros das vendas de participações que o Citibank venha a fazer nas empresas onde investe.

Alcatel-Lucent leva contrato de R$ 2 bi com Brasil Telecom
Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008, 20h45

A Brasil Telecom fechou com a Alcatel-Lucent o contrato para o fornecimento, em caráter de exclusividade, de serviços de manutenção de sua rede. Trata-se de um negócio de aproximadamente R$ 2 bilhões para os dois anos em que estiver em vigor, começando em fevereiro. Segundo o vice-presidente de operações da BrT, Francisco Santiago, trata-se da maior contratação feita pela empresa nos últimos anos. “A relação que teremos será como um casamento, bem diferente da relação normal entre cliente e fornecedor”. A Brasil Telecom continuará à frente da rede e da central de operações, cabendo à Alcatel-Lucent cuidar da gestão e da manutenção de toda a infra-estrutura de telefonia fixa, móvel e dados. A prestação desses serviços era compartilhada entre sete fornecedores até aqui.

Em tempo: vamos encaminhar esse texto às seguintes pessoas: Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras; Antônio Lima Neto, presidente do Banco do Brasil; Maria Fernanda Coelho, presidente da Caixa Econômica; Sérgio Rosa, presidente da Previ; Guilherme Lacerda, presidente da Funcef; Wagner Pinheiro, presidente da Petros; Ministra Dilma Roussseff, que, segundo o PIG, articula a fusão da BrOi; ao Ministro Franklin Martins, para, se quiser, encaminhar ao Presidente da República, e ele ter idéia de um capítulo que começa a ser escrito sobre os altos e baixos de seu Governo; ao diretor-geral da Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa; à Presidente da CVM Maria Helena Santana; ao presidente da Bolsa de Valores Raymundo Magliano; ao CEO do Citibank em Nova York Vikram Pandit, para explicar quantos chapéus o Sr. Spinelli usa; ao escritório de advocacia que defende o Citibank contra Dantas, em Nova York; ao presidente do BNDES Luciano Coutinho, para ver a quem ele vai dar dinheiro, de novo ...

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