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quarteto da Alstom: o início e o
fim das irregularidades |
PT: TCE APONTOU IRREGULARIDADES DE R$ 1,3 BI
EM CONTRATOS ENTRE ALSTOM E GOVERNO DE SP
Um levantamento da bancada do PT na Assembléia
Legislativa de São Paulo junto ao TCE
(Tribunal de Contas do Estado) mostra que a
empresa francesa Alstom firmou 139 contratos
com o Governo de São Paulo entre 1989
e 2008.
A Polícia da França investiga
a Alstom, que é suspeita de pagar propinas
ao Metrô de São Paulo. A notícia
da investigação foi publicada
no último dia 06 pelo Wall Street Journal
(clique
aqui).
O líder da bancada do PT na Assembléia
Legislativa de São Paulo Roberto Felício
disse em entrevista ao Conversa Afiada que o
TCE considerou irregular contratos no valor
de R$ 1,3 bilhão entre a Alstom e o Governo
de São Paulo.
“O próprio Tribunal de Constas
do Estado de São Paulo julgou irregulares
contratos da Alstom com o governo paulista em
diferentes setores no valor de R$ 1,3 bilhão...
afora o fato de que outros casos não
tiveram licitação, não
tivemos procedimentos adequados e de acordo
com a Lei”, disse Felício.
Segundo o deputado Roberto Felício,
a Alstom firmou contratos com o Estado de São
Paulo durante os governos Quércia, Fleury,
Covas e Alckmin. Ele disse que o valor desses
contratos crescia a cada governo.
“Se a gente pegar a média do primeiro
ano do Mário Covas, que é durante
quatro anos R$ 1,1 bilhão você
vai ter, grosso modo, um pouquinho menos de
R$ 300 milhões ao ano. Você pega
o período Alckmin você já
tem algo superior a R$ 500 milhões por
ano”, disse Felício.
Felício disse que a bancada do PT na
Assembléia vai tentar colher assinaturas
para pedir a abertura de uma CPI para investigar
as denúncias contra a Alstom e o Governo
de São Paulo. Ele também disse
que os dados que a bancada do PT levantou vão
ser repassados ao Ministério Público
Estadual e ao Ministério Público
Federal. Felício também quer convocar
em alguma Comissão temática da
Assembléia o presidente do Metrô
de São Paulo José Jorge Fagali
e o secretário de Transportes Metropolitanos
de São Paulo José Luiz Portela
para que prestem esclarecimentos sobre o assunto.
Clique
aqui para ler o levantamento feito pela
bancada do PT na Assembléia Legislativa
de São Paulo.
Em tempo: o governador Orestes
Quércia, como se sabe, hoje é
aliado do presidente eleito José Serra,
na dupla também conhecida como Serquércia.
É o começo e o fim das irregularidades
no Metrô de São Paulo. Clique
aqui para ler as 29 perguntas que o Conversa
Afiada formulou repedidas vezes ao presidente
eleito José Serra - . Até hoje
ele não respondeu. A trigésima
pergunta, que também não mereceu
resposta, é sobre como o presidente eleito
pretende comprar ambulâncias para São
Paulo. (PHA)
Em tempo 2: é bom não
esquecer que essa investigação
independe do TCE ou da Polícia de São
Paulo. A verdade se conhecerá através
da Justiça da Suíça, da
França e da imprensa internacional, onde
tudo começou. (PHA)
Leia a íntegra da entrevista
com o deputado Roberto Felício:
Conversa Afiada – Eu
converso agora com o líder do PT na Assembléia
Legislativa de São Paulo, deputado Roberto
Felício. Deputado, em primeiro lugar,
vocês, da bancada do PT, têm um
número de 130 contratos do Governo do
Estado de São Paulo firmados com a Alstom,
é isso?
Roberto Felício –
Isso. Na verdade, são 139 contratos ocorridos
no período de 1989 até este último
ano, em 2008. E além de tudo o que se
sabe, que está sendo divulgado pela imprensa,
nós fizemos uma pesquisa junto ao site
do próprio Tribunal de Contas do Estado,
outras consultas, através de outras instituições
e chegamos a essa conclusão. Nós
podemos discriminar para vocês, se for
de interesse, a cada período, correspondente
a cada governo dentro desse período.
Conversa Afiada – Sim,
eu gostaria, por favor.
Roberto Felício –
Então, nós tivemos, do período
de 1989 a 1994, que corresponde ao governo Quércia
– Fleury, nós tivemos 20 contratos,
correspondendo a R$ 2,2 bilhões, evidentemente
em valores corrigidos, atualizados pelo IGPDI.
De 1995 a 1998, que corresponde ao primeiro
mandato do governador Mário Covas, 28
contratos no montante de R$ 1,1 bilhão.
No período de 1999 a 2000, segundo mandato
do governador Mário Covas, evidentemente
um período mais curto pelas razões
que se sabe do seu falecimento, foram 12 contratos
no valor de R$ 1,2 bilhão. E depois,
no período de 2001 a 2006, no governo
Alckmin, você tem 77 contratos no contratos
no valor de R$ 3,1 bilhões. Você
observe, portanto, que nós tivemos um
crescimento vertiginoso no número de
contratos e um aumento significativo dos valores.
Quer dizer, se a gente pegar a média
do primeiro ano do Mário Covas, que é
durante quatro anos R$ 1,1 bilhão você
vai ter, grosso modo, um pouquinho menos de
R$ 300 milhões ao ano. Você pega
o período Alckmin você já
tem algo superior a R$ 500 milhões por
ano.
Conversa Afiada – E
esses contratos, deputado, eles são relativos
a que tipo de serviços?
Roberto Felício –
Olha, tem serviços de toda ordem. Tem
contrato de manutenção, tem contrato
de fornecimento de equipamento, por exemplo,
manutenção do sistema operacional,
equipamentos como rodas, então tem aquisição
de vagões, tem reformas de vagões,
o sistema operacional inteligente do Metrô
foi adquirido nessas condições.
E evoluindo, também, além do Metrô...
o Metrô é o principal elemento,
mas você contratos que envolvem a CESP,
que envolvem a CPTM, que envolvem a Companhia
de Transmissão de Energia Elétrica
do Estado de São Paulo, que é
a CTEEP, você tem um conjunto de empresas,
mas eu estou destacando aquelas que foram, digamos
assim, mais significativas.
Conversa Afiada – E
a bancada do PT pretende fazer um estudo mais
minucioso sobre esses contratos?
Roberto Felício –
Veja, nós estamos fazendo. Já
temos um dado que ainda não foi divulgado
por nenhum órgão de imprensa,
quer dizer, nós conseguimos contatar,
através do Tribunal de Contas do Estado,
através das investigações,
o dado mais relevante que eu gostaria de dizer
para você, o que o próprio Tribunal
de Constas do Estado de São Paulo julgou
irregulares contratos da Alstom com o governo
paulista em diferentes setores, como eu já
disse para você, no valor de R$ 1,3 bilhão.
Então, para melhor compreensão:
R$ 1,3 bilhão julgados irregulares pelo
próprio Tribunal de Contas, afora o fato
de que outros casos não tiveram licitação,
não tivemos procedimentos adequados e
de acordo com a Lei.
Conversa Afiada – Esse
julgamento de irregularidades no valor de R$
1,3 bilhão foi no decorrer desses 139
contratos?
Roberto Felício –
Dentre os 139, evidentemente que não
todos, porque eles importam num valor muito
superior a isso, mas só nesses contratos
nós já constatamos isso. E penso
que o Tribunal de Contas não apreciou
ainda contratos mais recentes. Mas nós
já constatamos também, e é
uma informação que considero relevante,
que parte desses contratos foi prorrogada já
na gestão do atual governador José
Serra. Portanto, ele compreende períodos
do Alckmin, do Covas, do Fleury, do Quércia,
mas compreende também o atual governo.
Daí, voltando à sua pergunta,
evidentemente nós vamos adotar... há
razões para nós suspeitarmos e
nos cabe enquanto bancada do PT cumprir o nosso
deve constitucional de investigação.
Eu não estou fazendo nenhum julgamento
à priori, mas informações
colocam os casos sob suspeição
e em caso de forte suspeição e
forte indício nos cabe fazer investigação.
Então, nós estamos fazendo, nós
estamos enviando seis processos irregulares
do TCE para o Ministério Público
Estadual, dentre 3 mil que estão engavetados
aqui na Assembléia, que é uma
coisa que nós vamos investigar internamente
porque nós temos manifestações
do Tribunal engavetadas na própria Alesp.
Vamos fazer manifestações ao Ministério
Público Federal, nós vamos envolver
o Ministério Público Federal,
nós vamos fazer uma auditoria especial
no TCE sobre os contratos do grupo Alstom, vamos
solicitar documentos ao Ministério da
Justiça, porque o Ministério está
com relações, inclusive internacionais,
as investigações que estão
ocorrendo inclusive na Europa. Nós vamos
remeter essas informações que
nós estamos levantando para o Ministério
Público Estadual e para o Ministério
Público Federal também. E requerimentos
de informação junto a Secretaria
de Transportes Metropolitanos e já estamos
apresentando também requerimento de convocação.
Nós vamos convocar o secretário
de Transportes Metropolitanos e o presidente
do Metrô para prestarem esclarecimentos
aqui na Assembléia. E por último,
nós vamos começar, evidentemente,
a coleta de assinaturas. Nós queremos
implantar, propor na Assembléia, a criação
de uma Comissão Parlamentar de Inquérito
para dar continuidade às investigações.
A partir dos indícios, dos elementos
de convicções que nós já
temos, é preciso que se faça uma
investigação. E a investigação
da Assembléia se somara às investigações
já em curso no Ministério Público
e àquelas que o próprio Governo
está dizendo que vai fazer. Mas no caso
do Governo, investigar ele mesmo, não
nos parece razoável.
Conversa Afiada – Deputado,
vamos por parte. A primeira coisa, o senhor
falou de enviar seis processos irregulares do
TCE ao Ministério Público Estadual.
Esses processos dizem respeito àqueles
que o TCE julgou irregulares no valor de R$
1,3 bilhão?
Roberto Felício –
Isso. Nós estamos pegando seis desses
processos, que são, digamos assim, os
mais significativos, aqueles que envolvem valores
maiores e aqueles em que há indicativo
de manifestação do próprio
Tribunal para que o Ministério Público,
ao invés de ficar lidando com o conjunto
daqueles que têm manifestação
do Tribunal, que dá mais de 3 mil processos...
na verdade, nós estaríamos colaborando,
em tese, com o Ministério Público
e sugerindo que ele possa atuar sobre esses
que nos parecem mais substantivos, pelo conteúdo
e pelo elemento de gravidade dele, pelas razões
que levou o Tribunal a julgar improcedente.
Conversa Afiada – Outra
pergunta: como poderiam ser convocados os secretário
de Transportes Metropolitanos e o presidente
do Metrô, se não por uma CPI, porque
a gente sabe das dificuldades de se criar uma
CPI na Assembléia?
Roberto Felício –
Isso, nós temos, de fato, muita dificuldade
para convocar CPI porque até agora há
uma blindagem por parte do Palácio dos
Bandeirantes junto à sua base aliada
e temos dificuldade de convocar autoridades
também nas Comissões. Mas nós
temos as Comissões temáticas aqui
da Casa. Dentre elas nós temos a Comissão
de Transporte, a Comissão de Fiscalização,
a Comissão de Administração
Pública. São Comissões,
através das quais nós podemos
requerer, todo e qualquer deputado pode fazer
um requerimento de convocação
de uma autoridade do Estado e evidentemente
será apreciado. Será aprovado
pela Comissão ou não? Esse é
o embate. Nós vamos ver qual é
o comportamento que o Governo vai adotar. É
possível que eles adotem o comportamento
de não aprovar a convocação?
É possível, mas nos cabe enquanto
bancada do PT fazer o processo. Nós vamos
propor que a Assembléia não fuja
à sua responsabilidade constitucional.
Se teremos êxito ou não, vamos
ver.
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