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| Valter
Pereira: projetos sobre segurança
terão “boa receptividade”
na CCJ do Senado |
PROJETOS QUE ENDURECEM CÓDIGO PENAL PODEM
VIRAR LEI AINDA ESTE ANO
A Câmara aprovou nesta quarta-feira,
dia 14, uma série de projetos do chamado
“pacote anti-violência”. Alguns
deles seguiram para sanção do
Presidente Lula, como os que tratam da questão
do papel do Tribunal de Júri e de sentenças
superiores a 20 anos, que não serão
precisarão mais de um segundo julgamento.
Outros projetos seguem para análise
do Senado antes de ir para sanção
do Presidente Lula. São eles: tipificação
como crime do seqüestro relâmpago,
criminalização da entrada de celular
nos presídios e a extensão de
seqüestro de bens e imóveis de indiciado
ou acusado aos bens que tenham sido registrados
em nome de terceiros.
O vice-presidente da CCJ (Comissão de
Constituição e Justiça)
do Senado Valter Pereira (PMDB-MS) disse em
entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta quinta-feira,
dia 15, que acredita que a maioria desses projetos
pode ir à sanção do Presidente
Lula ainda este ano.
“Eu acredito que até o final do
ano a maioria desses projetos já se transformará
em Leis”, disse Pereira.
Segundo o Senador Valter Pereira, há
uma “boa receptividade” do Senado
para esses projetos que compõem o chamado
“pacote anti-violência”. Ele
disse que esses projetos devem chegar ao Senado,
passar pela CCJ, onde será nomeado um
relator e depois seguir para votação
no Plenário. Se não houver nenhuma
mudança, os projetos seguem direto para
sanção do Presidente Lual. Se
houver alguma alteração, os projetos
alterados voltam para a Câmara novamente.
“Essas matérias que estão
vindo da Câmara chegam na Comissão
de Constituição e Justiça
com a maior receptividade possível. Eu
não tenho dúvida que a tramitação
será rápida, tudo o que puder
ser evitado de mudanças que possam retardar
o processo será evitado”, disse
Pereira.
Leia a íntegra da entrevista
com o senador Valter Pereira:
Paulo Henrique Amorim –
Eu vou conversar agora com o senador Valter
Pereira, ele é do PMDB do Mato Grosso
do Sul e vice-presidente da CCJ (Comissão
de Constituição e Justiça)
do Senado. Senador, a Câmara aprovou ontem
e agora vão à sanção
do Presidente Lula importantes projetos na área
de segurança: a questão do papel
do Tribunal de Júri, sentenças
superiores a 20 anos não serão
necessárias ir a um segundo julgamento,
a questão das provas... Agora, no Senado,
estão sob análise do Senado, a
questão sobretudo da tipificação
como crime do seqüestro relâmpago,
da criminalização da entrada de
celular nos presídios e a insdiponibilidade
de bens, a extensão de seqüestro
de bens e imóveis de indiciado ou acusado
aos bens que tenham sido registrados em nome
de terceiros. Eu gostaria que o senhor nos desse
uma idéia de qual a perspectiva que as
pessoas podem ter sobre o tramite disso, a rapidez
com que isso pode ser analisado no Senado.
Valter Pereira – Bom,
no Senado Federal, desde o ano passado, quando
foi produzido o chamado pacote anti-violência,
tem sido dado prioridade absoluta para normas
que visam dar mais rigor e mais celeridade a
apuração e ao processo criminal,
de sorte que essas matérias que estão
vindo da Câmara chegam na Comissão
de Constituição e Justiça
com a maior receptividade possível. Eu
não tenho dúvida que a tramitação
será rápida, tudo o que puder
ser evitado de mudanças que possam retardar
o processo será evitado.
Paulo Henrique Amorim –
O senhor poderia dar ao nosso leitor uma idéia
de como é o processo de tramitação?
Esses processos chegam ao Senado, à sua
Comissão CCJ e aí o que acontece?
Valter Pereira – Bom,
o primeiro passo é a distribuição
para essa Comissão. A mesa do Senado,
ao receber o projeto aprovado pela Câmara,
o remete para a Comissão de Constituição
e Justiça e lá o presidente já
designa o relator, um ou mais de um relator.
E aí o relator com certeza vai dar o
seu parecer com maior rapidez possível,
indicando já o seu voto. Submetido à
votação, vai para o Plenário.
Se não ocorreu nenhuma mudança
num projeto que é da autoria da outra
Casa, aí uma vez aprovado pelo Senado
já vai direto à sanção
presidencial. Se ocorreu alguma mudança,
aí sim deve ser devolvido para a Casa
de onde ele saiu, quer dizer, para a Câmara
dos Deputados. E assim vale para as duas casas,
a Câmara também seguiria esse mesmo
rito, caso o projeto fosse de autoria do Senado.
Paulo Henrique Amorim –
Agora, senador, esses projetos que eu mencionei:
seqüestro relâmpago, indisponibilidade
de bens e criminalização do uso
do celular na cadeia, isso vai ser tudo votado,
analisado, como um projeto só, num pacote,
ou cada projeto será examinado separadamente?
Valter Pereira – Bom,
aí é o seguinte: o projeto pode
ser avulso ou pode ser apartado. Ele pode ser
integrado como emenda a uma outra Lei. Alguns
desses projetos estão modificando dispositivos
do Código de Processo Penal. Esses que
modificam o Código de Processo Penal
serão incorporados à norma correspondente
nessa legislação, já que
é uma legislação complementar,
uma legislação já básica.
E aqueles que são avulsos terão,
portanto, uma legislação apartada.
Paulo Henrique Amorim –
Uma análise grosso modo, o senhor acredita
que se não houver nenhuma objeção
ou não precisar voltar à Câmara,
o senhor imagina que isso sobe à sanção
do Presidente, esse conjunto de projetos, em
quanto tempo?
Valter Pereira – Eu
acredito que até o final do ano a maioria
desses projetos já se transformará
em Leis.