Pena (foto) conseguiu a façanha de extorquir Marcola, o chefe do PCC

15/05 - 14h30

MP EXPLICA OS 2 CRIMES DOS INVESTIGADORES DA POLÍCIA DE SP

 

Os Promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) José Mário Barbuto, Marcelo Alexandre e Silvio Loubeh prestaram depoimento nesta quarta-feira, dia 14, à CPI dos grampos telefônicos sobre a investigação que envolve dois investigadores da Polícia Civil de São Paulo (clique aqui).

O Promotor José Mário Barbuto disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta quinta-feira, dia 15, que os investigadores da Polícia Civil de São Paulo Augusto Pena e José Roberto Araújo cometeram pelo menos dois crimes: extorsão mediante seqüestro e crime de corrupção.

“A extorsão mediante seqüestro foi praticada contra o filho de um líder (Marcola) de uma grande facção criminosa que atua no nosso Estado (PCC)... O outro crime foi uma corrupção. Eles teriam recebido dinheiro para facilitar a fuga de um traficante que estava preso e, apesar disso, essa fuga acabou não acontecendo. E esse fato, esse acordo não cumprido, teria sido o motivo dos ataques sofridos pela delegacia de Suzano no ano de 2006”, disse Barbuto.

Segundo Barbuto há depoimento de testemunhas que confirmam a relação de amizade entre o investigador Pena e o então secretário-adjunto de Segurança de São Paulo Lauro Malheiros.

“O depoimento de um delegado de polícia que afirma ter recebido uma ligação do então secretário-adjunto pedindo que o Pena, fosse liberada a sua transferência da região da Grande São Paulo para que ele pudesse atuar na capital”, disse Barbuto.

Clique aqui para ver o vídeo da reportagem apresentada no último domingo pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record.


Leia a íntegra da entrevista com o Promotor José Mário Barbuto:

Paulo Henrique Amorim – Eu vou conversar agora com o Promotor José Mário Mazargão Barbuto. Ele é do Gaeco de Guarulhos e investiga as atividades do investigador Pena e do outro investigador Araújo, que são da Polícia Civil de São Paulo. Barbuto, na companhia de Marcelo Alexandre de Oliveira e Silvio Loubeh, também promotores em Guarulhos, depuseram ontem na CPI das escutas telefônicas clandestinas. Dr. Barbuto, o Jornal Folha de S. Paulo publica hoje uma pequena nota a respeito do depoimento dos senhores e eu gostaria de poder expandir um pouco isso. A notícia diz que os senhores confirmaram que escutas clandestinas mostram que Pena e Araújo usavam grampos telefônicos para extorquir dinheiro de criminosos. O que se sabe disso?

José Mário Barbuto – Exatamente. As investigações até agora feitas já demonstraram que esses dois investigadores eles se utilizavam de grampos de interceptações telefônicas obtidas com autorização judicial para fins pessoais ilícitos. Ou seja, eles desviavam esse material obtido de forma lícita para, ao invés de produzir provas em processos e inquéritos, extorquir criminosos.

Paulo Henrique Amorim – Que tipo de crimes eles teriam cometidos, que atividades eles cometeram?

José Mário Barbuto – Até o momento nós já conseguimos levantar provas bastante fortes de pelo menos dois crimes que estão sendo apurados em um inquérito policial e que tramita na Corregedoria da Polícia Civil, que são: extorsão mediante seqüestro e crime de corrupção.

Paulo Henrique Amorim – Extorsão mediante seqüestro contra quem?

José Mário Barbuto – Extorsão mediante seqüestro praticada contra o filho de um líder de uma grande facção criminosa que atua no nosso Estado.

Paulo Henrique Amorim – E o outro crime seria qual?

José Mário Barbuto – O outro crime foi uma corrupção. Eles teriam recebido dinheiro para facilitar a fuga de um traficante que estava preso e, apesar disso, essa fuga acabou não acontecendo. E esse fato, esse acordo não cumprido, teria sido o motivo dos ataques sofridos pela delegacia de Suzano no ano de 2006.

Paulo Henrique Amorim – Qual o tipo de evidência que os senhores conseguiram com esse tipo de investigação feita até agora da relação entre o investigador pena e o até então secretário-adjunto da Secretaria de Segurança de São Paulo Dr. Malheiros?

José Mário Barbuto – Existem alguns depoimentos que indicam que havia uma relação de amizade entre os dois, entre eles. O depoimento de um delegado de polícia que afirma ter recebido uma ligação do então secretário-adjunto pedindo que o Pena, fosse liberada a sua transferência da região da Grande São Paulo para que ele pudesse atuar na capital.

Paulo Henrique Amorim – E agora o que acontece com o Pena e com o Araújo? Os dois estão presos, não é?

José Mário Barbuto – Exatamente, eles estão presos. Foi decretada a prisão temporária pelo juiz de Suzano. O inquérito está em sua fase final. Encerrado esse inquérito policial, os autos são encaminhados ao Ministério Público, que faz a avaliação de toda a prova colhida e se o caso oferece a denúncia à Justiça e, presente os requisitos, será pedida a prisão preventiva deles.

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