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| Pena
(foto) conseguiu a façanha de extorquir
Marcola, o chefe do PCC |
MP EXPLICA OS 2 CRIMES DOS INVESTIGADORES DA
POLÍCIA DE SP
Os Promotores do Gaeco (Grupo de Atuação
Especial e Repressão ao Crime Organizado)
José Mário Barbuto, Marcelo Alexandre
e Silvio Loubeh prestaram depoimento nesta quarta-feira,
dia 14, à CPI dos grampos telefônicos
sobre a investigação que envolve
dois investigadores da Polícia Civil
de São Paulo (clique
aqui).
O Promotor José Mário Barbuto
disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim
nesta quinta-feira, dia 15, que os investigadores
da Polícia Civil de São Paulo
Augusto Pena e José Roberto Araújo
cometeram pelo menos dois crimes: extorsão
mediante seqüestro e crime de corrupção.
“A extorsão mediante seqüestro
foi praticada contra o filho de um líder
(Marcola) de uma grande facção
criminosa que atua no nosso Estado (PCC)...
O outro crime foi uma corrupção.
Eles teriam recebido dinheiro para facilitar
a fuga de um traficante que estava preso e,
apesar disso, essa fuga acabou não acontecendo.
E esse fato, esse acordo não cumprido,
teria sido o motivo dos ataques sofridos pela
delegacia de Suzano no ano de 2006”, disse
Barbuto.
Segundo Barbuto há depoimento de testemunhas
que confirmam a relação de amizade
entre o investigador Pena e o então secretário-adjunto
de Segurança de São Paulo Lauro
Malheiros.
“O depoimento de um delegado de polícia
que afirma ter recebido uma ligação
do então secretário-adjunto pedindo
que o Pena, fosse liberada a sua transferência
da região da Grande São Paulo
para que ele pudesse atuar na capital”,
disse Barbuto.
Clique
aqui para ver o vídeo da reportagem
apresentada no último domingo pelo programa
Domingo Espetacular, da TV Record.
Leia a íntegra da entrevista com o Promotor
José Mário Barbuto:
Paulo Henrique Amorim –
Eu vou conversar agora com o Promotor José
Mário Mazargão Barbuto. Ele é
do Gaeco de Guarulhos e investiga as atividades
do investigador Pena e do outro investigador
Araújo, que são da Polícia
Civil de São Paulo. Barbuto, na companhia
de Marcelo Alexandre de Oliveira e Silvio Loubeh,
também promotores em Guarulhos, depuseram
ontem na CPI das escutas telefônicas clandestinas.
Dr. Barbuto, o Jornal Folha de S. Paulo publica
hoje uma pequena nota a respeito do depoimento
dos senhores e eu gostaria de poder expandir
um pouco isso. A notícia diz que os senhores
confirmaram que escutas clandestinas mostram
que Pena e Araújo usavam grampos telefônicos
para extorquir dinheiro de criminosos. O que
se sabe disso?
José Mário Barbuto
– Exatamente. As investigações
até agora feitas já demonstraram
que esses dois investigadores eles se utilizavam
de grampos de interceptações telefônicas
obtidas com autorização judicial
para fins pessoais ilícitos. Ou seja,
eles desviavam esse material obtido de forma
lícita para, ao invés de produzir
provas em processos e inquéritos, extorquir
criminosos.
Paulo Henrique Amorim –
Que tipo de crimes eles teriam cometidos, que
atividades eles cometeram?
José Mário Barbuto
– Até o momento nós já
conseguimos levantar provas bastante fortes
de pelo menos dois crimes que estão sendo
apurados em um inquérito policial e que
tramita na Corregedoria da Polícia Civil,
que são: extorsão mediante seqüestro
e crime de corrupção.
Paulo Henrique Amorim –
Extorsão mediante seqüestro contra
quem?
José Mário Barbuto
– Extorsão mediante seqüestro
praticada contra o filho de um líder
de uma grande facção criminosa
que atua no nosso Estado.
Paulo Henrique Amorim –
E o outro crime seria qual?
José Mário Barbuto
– O outro crime foi uma corrupção.
Eles teriam recebido dinheiro para facilitar
a fuga de um traficante que estava preso e,
apesar disso, essa fuga acabou não acontecendo.
E esse fato, esse acordo não cumprido,
teria sido o motivo dos ataques sofridos pela
delegacia de Suzano no ano de 2006.
Paulo Henrique Amorim –
Qual o tipo de evidência que os senhores
conseguiram com esse tipo de investigação
feita até agora da relação
entre o investigador pena e o até então
secretário-adjunto da Secretaria de Segurança
de São Paulo Dr. Malheiros?
José Mário Barbuto
– Existem alguns depoimentos que indicam
que havia uma relação de amizade
entre os dois, entre eles. O depoimento de um
delegado de polícia que afirma ter recebido
uma ligação do então secretário-adjunto
pedindo que o Pena, fosse liberada a sua transferência
da região da Grande São Paulo
para que ele pudesse atuar na capital.
Paulo Henrique Amorim –
E agora o que acontece com o Pena e com o Araújo?
Os dois estão presos, não é?
José Mário Barbuto – Exatamente,
eles estão presos. Foi decretada a prisão
temporária pelo juiz de Suzano. O inquérito
está em sua fase final. Encerrado esse
inquérito policial, os autos são
encaminhados ao Ministério Público,
que faz a avaliação de toda a
prova colhida e se o caso oferece a denúncia
à Justiça e, presente os requisitos,
será pedida a prisão preventiva
deles.
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