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| Pellegrino
convocou investigador da Polícia
Civil de SP |
CPI
DA CÂMARA ENTRA NA CORRUPÇÃO
DA POLÍCIA DE SP
O
relator da CPI dos grampos telefônicos
da Câmara, deputado Nelson Pellegrino
(PT-BA) apresentou requerimento para convocar
o investigador da Polícia Civil de São
Paulo Augusto Pena para prestar depoimento à
Comissão (clique
aqui).
Pena foi preso no último dia 30 de abril.
Ele é acusado de participar de um esquema
que utilizava informações de escutas
telefônicas legais, autorizadas pela Justiça,
para extorquir membros do PCC. A denúncia
resultou na demissão do secretário-adjunto
de Segurança Pública de São
Paulo Lauro Malheiros Neto.
O deputado Nelson Pellegrino disse em entrevista
a Paulo Henrique Amorim nesta quinta-feira,
dia 08, que Malheiros pode ser convocado, caso
seu nome seja citado nos depoimentos dos promotores
do Gaeco.
“Nós vamos ouvir os promotores
da Gaeco, que é especializado do Ministério
Público no combate ao crime organizado,
se houver alguma citação no inquérito,
no procedimento apuratório que envolva
o ex-secretário-adjunto, ele será
ouvido”, disse Pellegrino.
Nelson Pellegrino disse também que o
foco da investigação da CPI é
saber como uma interceptação legal,
autorizada pela Justiça, pode ser utilizada
como objeto de extorsão.
“Qual é o foco da Comissão
Parlamentar de Inquérito? Saber como
é que uma interceptação
legal vai ser objeto de uma extorsão...
Aí envolve o debate que a CPI quer fazer:
quem pediu, quem fundamentou o pedido, quem
autorizou, e se quem pediu e autorizou fiscalizou
e como foi vazado”, disse Pellegrino.
Leia a íntegra da entrevista
com o deputado Nelson Pellegrino:
Paulo Henrique Amorim –
Deputado, o senhor, aparentemente, decidiu convocar
o investigador Augusto Pena para depor na CPI
dos Grampos da Câmara dos Deputados em
Brasília. Por que a Câmara dos
Deputados em Brasília está interessada
num aparente ato de corrupção
em São Paulo?
Nelson Pellegrino – Paulo,
veja bem, a nossa Comissão Parlamentar
de Inquérito tem como foco a investigação
de como as interceptações ilegais
ocorrem em nosso país e qual o aparato
tecnológico que está no mercado
para se fazer interceptações legais
e também ilegais. Esse é o foco
da nossa Comissão Parlamentar de Inquérito.
A notícia que eu tenho é que o
Augusto Pena se apropriou de conteúdo
de interceptações autorizadas
e, a partir dessa apropriação,
ele teria feito uma extorsão a um membro
do PCC.
Então, qual é o foco da Comissão
Parlamentar de Inquérito? Saber como
é que uma interceptação
legal vai ser objeto de uma extorsão.
Então, tem uma série de elementos
que vem ao encontro de preocupações
das CPI.
E que preocupações são
essas? Primeiro: nós vamos dar prioridade,
Paulo aos requerimentos de quebra de comunicações
telefônicas e nas concessões. Só
para você ter uma idéia, no ano
passado legalmente foram interceptados 409 mil
alvos em nosso país. Como cada alvo é
uma linha telefônica e em cada linha você
pode falar com dez pessoas, foram 4 milhões
de pessoas escutadas no Brasil no ano passado.
A lei estabelece no curso da investigação
para se lançar mão disso. Mas
o que nós estamos vendo hoje aqui na
comissão? É que hoje pede primeiro
o grampo para investigar depois. Tem havido
pouca preocupação no manuseio
dessas informações. Você
sabe que esse processo de interceptação
ocorre em segredo de Justiça e o conteúdo
dele está protegido pelo segredo de Justiça
também. Então, tem havido vazamentos,
a agora apropriação para extorsão.
E o que é mais grave, é a informação
que eu tenho e nós queríamos checar
isso, é que quem estava fazendo a interceptação
comunicava o juiz e não estavam encontrando
nada – porque queriam ficar com o conteúdo
para poder fazer extorsão – e o
juiz renovava a interceptação.
Aí envolve o debate que a CPI quer fazer:
quem pediu, quem fundamentou o pedido, quem
autorizou, e se quem pediu e autorizou fiscalizou
e como foi vazado.
Paulo Henrique Amorim –
Existe um pequeno problema aí porque,
aparentemente, a intenção inicial
era convocar para depor o secretário-adjunto
da Segurança Pública que acabou
de se demitir, Lauro Malheiros Neto, e o deputado
William Woo, do PSDB de São Paulo, retirou
isso da pauta. O senhor pretende ou conseguirá
chamar o Lauro Malheiros Neto também?
Nelson Pellegrino – Olha
Paulo, o acordo com o deputado é o seguinte:
nós vamos ouvir os promotores da Gaeco,
que é especializado do Ministério
Público no combate ao crime organizado,
se houver alguma citação no inquérito,
no procedimento apuratório que envolva
o ex-secretário-adjunto, ele será
ouvido. O deputado disse que não tinha
nenhuma citação ao nome dele,
especificamente, por isso pediu que tirasse
de pauta e o requerimento foi tirado de pauta.
A nossa intenção é, já
na semana que vem, ouvir os promotores da Gaerco.
Paulo Henrique Amorim – Quer dizer, além
do Peña, então, é possível
que o Malheiros deponha depois do depoimento
dos promotores.
Nelson Pellegrino – É.
A nossa idéia é que os promotores
venham. Vamos saber quem foi o delegado que
requereu o pedido, o juiz que autorizou, vamos
querer saber como essas informações
foram manuseadas, estamos querendo saber se
houve o devido cuidado com essas informações,
como é que elas foram vazadas, como é
que eles foram apropriadas. Eu soube, inclusive,
que foi a Regina, mulher do Peña, que
falou... a legislação estabelece,
inclusive, o que tem que fazer com a posse de
tipo de material, a destruição
do material que não for utilizado. Depois
da confusão do procedimento ele tem que
ser remetido ao juiz, se foi clonado. Essas
coisas todas são importantes, Paulo,
para a gente ilustrar o nosso relatório.
Paulo Henrique Amorim –
Muito bom. Muito obrigado, deputado, foi um
prazer conversar com um amigo.
Nelson Pellegrino – Eu que agradeço.
Você sabe da minha admiração
pessoal por você e que a gente possa continuar
conversando não só sobre esse
tema, mas como também de temas relevantes
dessa comissão, que eu penso que vá
prestar um grande papel ao Congresso Nacional.
A interceptação de comunicações
telefônicas é um instrumento importante
que o Estado de Direito dispõe para combater
a corrupção, mas tem um direito
fundamental: se não houver um bom uso
dele, nós vamos estar violando um direito
do cidadão brasileiro.
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