 |
| Zeina
Latif: Brasil apresenta consolidação
da macro-economia |
PIB EM ALTA
+ DÍVIDA EM QUEDA = GRAU DE INVESTIMENTO
A agência de risco Standard & Poor’s
concedeu ao Brasil a classificação
de grau de investimento (investment grade) nesta
quarta-feira, dia 30 (clique
aqui). Com a nova classificação,
o Brasil passa a ser considerado um país
seguro aos olhos dos investidores internacionais.
A economista-chefe do ABN-Amro Bank Zeina Latif
disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim
que o Brasil conquistou o grau de investimento
graças à consolidação
da macro-economia (clique
aqui para ouvir).
Segundo Zeina Latif, os dois principais fatores
dessa consolidação da macro-economia
são: crescimento sustentável e
queda da relação dívida
/ PIB.
“O Brasil, nos últimos anos, apresenta
uma consolidação do lado macro-econômico
bastante importante, mantendo inflação
baixa, mantendo resultados fiscais robustas...
As agências olham várias variáveis,
mas as principais são o crescimento econômico
sustentável e relação dívida
/ PIB em baixa, em queda. Que é o que
a gente vem observando hoje no Brasil. Então
é isso: a macro-economia em ordem vem
permitindo o país crescer com dívida
decrescente”, disse Zeina Latif.
Zeina Latif destacou também que o crescimento
sustentável do Brasil é uma marca
inédita. “É verdade que
o crescimento do Brasil é mais modesto
em relação aos seus pares. Enquanto
o Brasil cresce 4,5% ou 5%, os emergentes crescem
mais de 7%. Mas de qualquer forma essa marca
entre 4% e 5% de forma mais sustentável
é uma marca do Brasil muito importante
e inédita, essa perspectiva de crescimento
mais sustentável”, disse Zeina
Latif.
Leia a íntegra da entrevista
com Zeina Latif:
Paulo Henrique Amorim –
Zeina, a Standard & Poor’s acaba de
conferir o grau de investimento ao Brasil. Eu
quero saber por que, se você puder me
ajudar a entender. Em segundo, quais serão
as conseqüências disso?
Zeina Latif – Vamos
lá. O Brasil, nos últimos anos,
apresenta uma consolidação do
lado macro-econômico bastante importante,
mantendo inflação baixa, mantendo
resultados fiscais robustas, ainda que a qualidade
dos gastos não seja das melhores, mas,
enfim, temos mantido resultados fiscais robustos,
taxa de câmbio flutuante, ou seja, uma
macro-economia em ordem. De certa forma esse
é o principal motivo. Por que? Porque
a macro-economia em ordem tem impulsionado o
crescimento econômico. É verdade
que o crescimento do Brasil é mais modesto
em relação aos seus pares. Enquanto
o Brasil cresce 4,5% ou 5%, os emergentes crescem
mais de 7%. Mas de qualquer forma essa marca
entre 4% e 5% de forma mais sustentável
é uma marca do Brasil muito importante
e inédita, essa perspectiva de crescimento
mais sustentável. E na nossa avaliação,
Paulo, o que são as variáveis
principais que as agências olham? As agências
olham várias variáveis, mas se
a gente tiver que elencar as principais seria
crescimento econômico sustentável
e relação dívida / PIB
em baixa, em queda. Que é o que a gente
vem observando hoje no Brasil. Então
é isso: a macro-economia em ordem vem
permitindo o país crescer com dívida
decrescente.
Paulo Henrique Amorim –
E o que vai ser a conseqüência dessa
promoção que agora nos confere
a Standard & Poor’s?
Zeina Latif – Olha,
em parte, esses movimentos, esse investment
grade, já era antecipado pelos mercados.
Mas isso não quer dizer que o efeito
seja inócuo. Aliás, hoje a euforia
do mercado financeiro mostra que não
é inócuo. Então, é
uma decisão que reforça esse bom
momento da economia brasileira, lembrando que
a gente está observando um cenário
mundial com turbulência, mas o Brasil
seguindo numa trajetória muito favorável,
que reforça ainda mais esse quadro. Então,
tem, em princípio, alguns investidores
internacionais que são limitados para
fazer investimentos no Brasil se o país
não é investment grade, ao retirar
esse entrave, tende a reforçar fluxo
para o Brasil. Enfim, não dá para
a gente achar que é uma Panacéia,
não é isso, mas, de certa forma,
é claro que é uma boa notícia
e reforça o bom momento da política
macro-econômica e de crescimento do país.
Paulo Henrique Amorim –
Você veria essa promoção
com uma conseqüência imediata que
seria a tendência próxima de queda
de juros para as empresas brasileiras no mercado
internacional, ou não?
Zeina Latif – Para algumas
empresas, nós temos algumas empresas
que já são investment grade, na
verdade. Mas, sim, tirando esses casos, de uma
forma geral, significa custo mais baixo para
a captação das empresas, com exceção,
é claro, dessas que já atingiram
investment grade, que já têm uma
credibilidade internacional, já que estava
adiante até da própria preocupação
do país.