Zeina Latif: Brasil apresenta consolidação da macro-economia

30/04 - 18h25

PIB EM ALTA + DÍVIDA EM QUEDA = GRAU DE INVESTIMENTO

A agência de risco Standard & Poor’s concedeu ao Brasil a classificação de grau de investimento (investment grade) nesta quarta-feira, dia 30 (clique aqui). Com a nova classificação, o Brasil passa a ser considerado um país seguro aos olhos dos investidores internacionais.

A economista-chefe do ABN-Amro Bank Zeina Latif disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim que o Brasil conquistou o grau de investimento graças à consolidação da macro-economia (clique aqui para ouvir).

Segundo Zeina Latif, os dois principais fatores dessa consolidação da macro-economia são: crescimento sustentável e queda da relação dívida / PIB.

“O Brasil, nos últimos anos, apresenta uma consolidação do lado macro-econômico bastante importante, mantendo inflação baixa, mantendo resultados fiscais robustas... As agências olham várias variáveis, mas as principais são o crescimento econômico sustentável e relação dívida / PIB em baixa, em queda. Que é o que a gente vem observando hoje no Brasil. Então é isso: a macro-economia em ordem vem permitindo o país crescer com dívida decrescente”, disse Zeina Latif.

Zeina Latif destacou também que o crescimento sustentável do Brasil é uma marca inédita. “É verdade que o crescimento do Brasil é mais modesto em relação aos seus pares. Enquanto o Brasil cresce 4,5% ou 5%, os emergentes crescem mais de 7%. Mas de qualquer forma essa marca entre 4% e 5% de forma mais sustentável é uma marca do Brasil muito importante e inédita, essa perspectiva de crescimento mais sustentável”, disse Zeina Latif.

Leia a íntegra da entrevista com Zeina Latif:

Paulo Henrique Amorim – Zeina, a Standard & Poor’s acaba de conferir o grau de investimento ao Brasil. Eu quero saber por que, se você puder me ajudar a entender. Em segundo, quais serão as conseqüências disso?

Zeina Latif – Vamos lá. O Brasil, nos últimos anos, apresenta uma consolidação do lado macro-econômico bastante importante, mantendo inflação baixa, mantendo resultados fiscais robustas, ainda que a qualidade dos gastos não seja das melhores, mas, enfim, temos mantido resultados fiscais robustos, taxa de câmbio flutuante, ou seja, uma macro-economia em ordem. De certa forma esse é o principal motivo. Por que? Porque a macro-economia em ordem tem impulsionado o crescimento econômico. É verdade que o crescimento do Brasil é mais modesto em relação aos seus pares. Enquanto o Brasil cresce 4,5% ou 5%, os emergentes crescem mais de 7%. Mas de qualquer forma essa marca entre 4% e 5% de forma mais sustentável é uma marca do Brasil muito importante e inédita, essa perspectiva de crescimento mais sustentável. E na nossa avaliação, Paulo, o que são as variáveis principais que as agências olham? As agências olham várias variáveis, mas se a gente tiver que elencar as principais seria crescimento econômico sustentável e relação dívida / PIB em baixa, em queda. Que é o que a gente vem observando hoje no Brasil. Então é isso: a macro-economia em ordem vem permitindo o país crescer com dívida decrescente.

Paulo Henrique Amorim – E o que vai ser a conseqüência dessa promoção que agora nos confere a Standard & Poor’s?

Zeina Latif – Olha, em parte, esses movimentos, esse investment grade, já era antecipado pelos mercados. Mas isso não quer dizer que o efeito seja inócuo. Aliás, hoje a euforia do mercado financeiro mostra que não é inócuo. Então, é uma decisão que reforça esse bom momento da economia brasileira, lembrando que a gente está observando um cenário mundial com turbulência, mas o Brasil seguindo numa trajetória muito favorável, que reforça ainda mais esse quadro. Então, tem, em princípio, alguns investidores internacionais que são limitados para fazer investimentos no Brasil se o país não é investment grade, ao retirar esse entrave, tende a reforçar fluxo para o Brasil. Enfim, não dá para a gente achar que é uma Panacéia, não é isso, mas, de certa forma, é claro que é uma boa notícia e reforça o bom momento da política macro-econômica e de crescimento do país.

Paulo Henrique Amorim – Você veria essa promoção com uma conseqüência imediata que seria a tendência próxima de queda de juros para as empresas brasileiras no mercado internacional, ou não?

Zeina Latif – Para algumas empresas, nós temos algumas empresas que já são investment grade, na verdade. Mas, sim, tirando esses casos, de uma forma geral, significa custo mais baixo para a captação das empresas, com exceção, é claro, dessas que já atingiram investment grade, que já têm uma credibilidade internacional, já que estava adiante até da própria preocupação do país.