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| Fajardo:
Serra não deixou Sindicato participar
da investigação |
METROVIÁRIOS: METRÔ TENTA
JUSTIFICAR ACIDENTE DA LINHA 4
Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo
desta terça-feira, dia 30, trata de dois
relatórios que indicariam a necessidade
de uma escavação maior na obra
da Linha 4 do Metrô (clique
aqui). A estação foi escavada
a 30 metros e o ideal seria, segundo os relatórios,
uma escavação de 35 a 45 metros.
O presidente da Federação Nacional
dos Metroviários Wagner Fajardo disse
em entrevista ao Conversa Afiada que essa parece
ser mais uma justificativa técnica para
o acidente (clique
aqui para ouvir).
Fajardo questiona o modelo do contrato utilizado
na obra (“turn key”) e o fato de
até hoje ninguém ter sido responsabilizado
pelo acidente, que aconteceu no dia 12 de janeiro
de 2007.
“É óbvio que, nesse caso,
há uma tentativa, na nossa opinião,
de justificar tecnicamente o desabamento. E,
na nossa opinião, não tem nenhuma
indicação aqui de quem mesmo foi
o responsável pelo desabamento... Nós
entendemos que a responsabilidade do problema
não está nessa pedra, não
está na profundidade, mas está,
principalmente, naqueles que tomaram essas decisões
sem seguir eventuais orientações
técnicas”, disse Fajardo.
Wagner Fajardo também reclama do fato
de os metroviários serem impedidos da
comissão que investiga o acidente. “Embora
tenhamos solicitado, o governador José
Serra, na época, não abriu a possibilidade
do Sindicato participar do processo investigatório”,
disse Fajardo.
Leia a íntegra da entrevista
com Wagner Fajardo:
Conversa Afiada – O
jornal O Estado de S. Paulo publica hoje uma
reportagem em que fala de dois relatórios
que indicariam a necessidade de uma escavação
maior na obra da Linha 4 do Metrô. A estação
foi escavada a 30 metros e o ideal seria uma
escavação de 35 a 45 metros. Sobre
esse assunto eu converso agora com o presidente
da Federação Nacional dos Metroviários
e secretário-geral do Sindicato dos Metroviários
de São Paulo, Wagner Fajardo. Fajardo,
Vocês metroviários tinham conhecimento
desses relatórios apontados pelo Estadão
e dessa necessidade de uma escavação
mais profunda na obra da Linha 4?
Wagner Fajardo – Não,
nós não tivemos conhecimento.
Estamos tomando conhecimento desse relatório
agora. O estranho é que um dos autores
de um dos relatórios é o mesmo
que encontrou a tal da pedra grande, que teoricamente
eles afirmam ter feito a movimentação
do terreno que provocou o desabamento. Mas nós
não tínhamos nenhum conhecimento
dessa informação até agora.
E mesmo dentro do Metrô nunca ouvimos
nenhuma informação a esse respeito.
Conversa Afiada – Por
que você diz que é estranho um
dos autores de um dos relatórios ser
o mesmo que encontrou a chamada pedra grande?
Wagner Fajardo – Porque
ele foi contratado pelo Consórcio. E
é óbvio que, nesse caso, há
uma tentativa, na nossa opinião, de justificar
tecnicamente o desabamento. E, na nossa opinião,
não tem nenhuma indicação
aqui de quem mesmo foi o responsável
pelo desabamento. De quem é a responsabilidade?
Quer dizer, o que nós sabemos é
que o Governo Geraldo Alckmin fez uma contratação
por um serviço em contrato fechado, o
chamado “turn key”, que, na nossa
opinião, tirou do corpo técnico
do Metrô a capacidade e a possibilidade
de fazer o acompanhamento adequado da obra,
inclusive evitando ou analisando todos os passos
dela, inclusive o seu projeto executivo ou as
mudanças nele, como foram realizadas.
Então, portanto, nós entendemos
que a responsabilidade do problema não
está nessa pedra, não está
na profundidade, mas está, principalmente,
naqueles que tomaram essas decisões sem
seguir eventuais orientações técnicas.
Mas não é só isso. O que
deveria ter sido feito lá que não
foi feito e provocou o desabamento?
Conversa Afiada – E
vocês entendem que o que deveria ter sido
feito e não foi feito, por exemplo, pode
ter sido essa escavação mais profunda?
A minha pergunta é a seguinte: uma escavação
mais profunda, conforme apontariam esses relatórios,
daria mais segurança a obra? Evitaria
o acidente?
Wagner Fajardo – É
o que afirmam os técnicos. Eu não
tenho certeza se esse foi o motivo do desabamento
da estação Pinheiros. Nós
não conhecemos ainda o relatório
técnico e os relatórios emitidos
pelo IPT e pelo Ministério Público
da investigação do acidente. Por
enquanto, nós estamos tendo acesso apenas
à investigação feita pelo
Consórcio. Eu não sei qual o nível
de responsabilização nem do Metrô
e muito menos das empreiteiras nesse processo.
Por enquanto, nós temos um lado só
se pronunciando. Não temos ainda o resultado
da investigação.
Conversa Afiada – Segundo
essa reportagem do Estadão, o Metrô
disse que a responsabilidade pela elaboração
do projeto, inclusive a profundidade da escavação,
é do Consórcio Via Amarela. O
sindicato concorda com esse argumento de que
a responsabilidade é toda do Consórcio?
Wagner Fajardo – Pelo
modelo de contrato elaborado, isso é
verdade, o que o Metrô está dizendo.
Por isso é que nós contestamos
o modelo de contrato. Porque se fosse no modelo
anterior, o Metrô teria obrigação
de verificar como estava sendo construído.
Como o modelo foi entregue e era um pacote fechado,
era uma porteira fechada, o nível de
interferência do corpo técnico
do Metrô é muito menor, é
praticamente nulo. Então, o Consórcio
e a construtora fazem exatamente aquilo que
ela achar que é mais adequado.
Conversa Afiada – Fajardo,
como andam as investigações, em
que fase estão as investigações
do acidente?
Wagner Fajardo – Olha,
a última informação é
aquela que nós tivemos dos jornais. O
Ministério Público ainda não
deu seu parecer final. Há poucos dias,
questão de menos de um mês atrás,
o promotor deu algumas pistas de como estava
caminhando a investigação, mas
até agora nós não temos
notícias de quando é exatamente
que o Ministério Público vai concluir
as investigações. Nós esperamos
e estamos torcendo para que isso seja feito
logo. Até porque tem muitas famílias
que foram prejudicadas, não só
pelas mortes que ocorreram lá, que são
as mais graves, que são as mais sentidas,
mas nós precisamos responsabilizar, inclusive,
pelos prejuízos que a população
no entorno sofreu com aquele acidente.
Conversa Afiada – E
como vocês, metroviários, avaliam
o andamento dessas investigações?
Wagner Fajardo – Nós
tivemos pouca possibilidade de participar desse
processo. Inclusive nós não fazemos
parte de nenhuma equipe. A única coisa
que nós fizemos foi fornecer, na época,
as poucas informações que nós
dispúnhamos, mas nós não
conseguimos fazer parte do processo investigatório,
inclusive por ser uma região e um local,
e a forma como foi conduzido o processo, nós,
embora tenhamos solicitado, o governador José
Serra, na época, não abriu a possibilidade
do Sindicato participar do processo investigatório.
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