Por que a telefonia de São Paulo apaga. Vamos comprá-la de volta
22/setembro/2009 9:25

Ela privatizou, mas tornou a telefonia pública – ou seja, é dos acionistas ingleses ( e não espanhóis ...)
O Conversa Afiada tem o prazer de publicar texto do amigo navegante Virgilio Freire.
É uma singela homenagem a Fernando Henrique Cardoso, o pai desse privatização descontrolada, que colocou um serviço público essencial na mão de empresários que fazem o que bem entendem.
O que faz a Anatel ?, por falar nisso…
A publicação deste artigo é também uma homenagem a ao engenheiro civil Zé Pedágio, “economista competente” – clique aqui para ler “Quantos diplomas tem o Serra ? Nenhum” -, que privatizou a saúde pública de São Paulo e vai, proximamente, vender o ar encanado do “Vale do Anhangabaú” ao Departamento Ambiental da Unversidade de Harvard.
Por que o Farol de Alexandria, o campeão do neo-liberalismo brasileiro, o rei da dependência, não copiou a Margaret Thatcher ?
Está na hora de retomar a Telefônica por Virgílio Freire*
1. No final da década de 1990, sob a influência de Margareth Thatcher, Ronald Reagan e Wall Street, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu privatizar tudo que pudesse, e na sua lista o item mais importante eram as telecomunicações. Por dar a máxima importância ao assunto, colocou seu melhor amigo e principal colaborador, Sérgio Motta, no Ministério das Comunicações, com a principal missão de privatizar a Telebrás. A idéia corrente na época era de que o Estado não tinha condições de investir nem de ser um bom administrador de empresas. Este conceito mostrou-se falso na última década.
2. Antes de prosseguirmos, é importante, muito importante, destruir um mito. O de que a antiga Telebrás e suas subsidiárias eram incompetentes, ineficientes, lentas, burocráticas e incapazes de prestar os serviços de telecomunicações necessários exigidos por uma sociedade moderna. Mostrarei por que isto não é verdade.
3. A Telebrás tinha sede em Brasília, e atuava através de subsidiárias, uma em cada Estado brasileiro. Estas operadoras, todas, sem exceção, tinham lucros consideráveis todos os anos. Os balanços anuais da Telebrás e de suas subsidiárias estão nos arquivos dos jornais, da Anatel, do Ministério das Comunicações, e confirmam isso. Com estes lucros, a Telebrás e suas empresas poderiam facilmente investir, implantar novos sistemas e instalar milhões de telefones para os brasileiros. Os recursos, na época, eram da ordem de bilhões de dólares, nada inferiores aos valores que as operadoras privadas “investem” atualmente (voltarei a este tema mais adiante).
4. Durante os governos militares, entre 1964 e 1974, nestes 10 anos, a Telebrás teve grande autonomia de ação, pois os generais e militares que governavam o Brasil viam as telecomunicações como um setor estratégico para o desenvolvimento e a defesa. Quando entrei na Telesp, subsidiária da Telebrás em São Paulo, em 1973, não havia necessidade de concurso público: a empresa admitia seus funcionários através de um Departamento de Recursos Humanos, como qualquer outra organização, com base em testes, entrevistas, comparação entre candidatos etc. Nosso orçamento era administrado pela própria Telesp e pela holding, a Telebrás, e inteiramente gasto e aplicado dentro do sistema de telecomunicações.
5. Quando entrei para a Telesp, o Brasil todo tinha 3 sistemas de micro-ondas – um ligando o Rio a São Paulo, outro ligando São Paulo a Campinas e um terceiro ligando o Rio a Brasília.
6. Os militares criaram um fundo para que o sistema de telecomunicações pudesse expandir-se e manter-se financeiramente robusto. Era uma taxa, cobrada em todas as contas telefônicas, chamada FNT, ou Fundo Nacional de Telecomunicações. Por lei, este dinheiro, que era de bilhões de dólares, deveria TODO ser aplicado na expansão, ampliação, manutenção e operação das telecomunicações do Brasil.
7. Estes recursos foram aplicados de forma ética e profissional por um grupo de jovens profissionais vindos da universidade na década de 60, engenheiros acima de tudo, gente com pós-graduação na França, nos Estados Unidos etc., e orientados por engenheiros militares – homens sem qualquer orientação ideológica, mesmo naquela época da Guerra Fria. Entre os anos de 1968 e 1978 o Brasil passou de apenas 3 ligações de micro-ondas para uma rede de torres com altura de até 100 metros, cobrindo desde Manaus a Porto Alegre, de Corumbá a Natal. Dezenas de milhares de quilômetros de micro-ondas, interligando o País. Implantou-se a Discagem Direta a Distancia, que hoje é considerada corriqueira, mas, antes da Telebrás, para se falar com outra cidade tinha de ser através da telefonista.
8. A Embratel, encarregada dos troncos de longa distância, mandou seus engenheiros especializarem-se no Japão, Estados Unidos, França, Itália. Assim, os recursos do Fundo Nacional de Telecomunicações foram usados da forma prevista em lei, e eficientemente.
9. Ocorre que nos últimos governos militares, ou seja, dos generais Ernesto Geisel e João Figueiredo, e posteriormente já sob a presidência de José Sarney, que somam 16 anos (note bem, 16 anos), a Telebrás viveu sob uma série de limitações e restrições. Foi a época da hiperinflação, em que em apenas um dia a moeda brasileira perdia mais de 1% ou 2% de seu valor. Em um ano a inflação era de mais de 1.000%.
10. O ministro todo-poderoso na época dos militares era o hoje deputado Antônio Delfim Netto. O Brasil havia contraído pesadas dívidas com bancos estrangeiros, e havia uma enorme pressão do governo americano, do FMI e do Banco Mundial para que esta dívida fosse paga dentro do prazo. E não conseguíamos. Todos os anos renegociávamos a dívida. Deixávamos de pagar, atrasávamos os pagamentos. Delfim, então, criou um “Fundão”. Ilegal, mas na época nada que os militares e seus amigos resolvessem era ilegal.
11. Delfim determinou que os recursos de todos os fundos setoriais, como era o caso do Fundo de Telecomunicações, fossem diretamente depositados no Fundão, e que não fossem mais aplicados nos setores respectivos. Então, a partir da década de 1980, a Telebrás foi forçada a renunciar aos enormes recursos do FNT e colocá-los no Fundão. Mas a coisa ficou ainda pior. Delfim criou um organismo chamado Secretaria de Controle das Estatais (Sest). A função desta secretaria era administrar as estatais. Literalmente.
12. Então, também a partir dos anos 1980, a Telebrás, todos os anos, elaborava seu orçamento de investimentos e de gastos em operação para o ano seguinte, e seu presidente era forçado a ir negociar estes números com a Sest. Nesta última, quem mandava eram os jovens economistas discípulos de Delfim Netto, preocupados apenas em pagar a famosa dívida externa, e sem nenhuma sensibilidade para um conceito mais amplo e estratégico de desenvolvimento da infraestrutura do País, em estradas , transportes, ferrovias (sucatearam toda a rede ferroviária do Brasil) e telecomunicações.
13. Então, a Sest analisava os planos da Telebrás apenas do ponto de vista econômico, e ainda assim com a estreita visão de verificar o quanto a Telebrás poderia contribuir para a redução da dívida externa – não comprando equipamentos importados, não gastando em pessoal etc. O nível de controle central e de opressão da Telebrás chegava ao ponto de que qualquer reajuste de salários tinha de ser aprovado pela SEST, qualquer aumento no número de funcionários da Telebrás tinha de também ter sua aprovação. Os gastos com operação, com pessoal, com equipamentos, os investimentos em novos sistemas, tudo tinha de ser aprovado pela Sest.
14. Pense um pouco no martírio que é para uma empresa de alta tecnologia, que tem de atuar num mercado ágil e em contínua mudança, ter de solicitar à Sest aprovação para aumentar o número de funcionários de 50.356 para 51.896, por exemplo – não estou exagerando, estes fatos ocorreram. Nós, executivos da Telebrás, estávamos constantemente frustrados pela camisa de força da Sest, e impedidos de reagir contra ela – até porque o presidente da Telebrás era um general (muito íntegro, respeitado por todos, mas nenhum general descumpre uma ordem superior).
15. E ainda ficou pior. Uma vez aprovado pela Sest quanto a Telebrás podia investir, era necessária a aprovação do Congresso Nacional. Permitam-me insistir – a Telebrás, em determinado ano, lucrava US$ 4 bilhões. Propunha à Sest investir em novos sistemas US$ 2 bilhões, por exemplo, a fim de atender à demanda telefônica, que não era atendida. A Sest fazia seus cálculos cabalísticos e informava à Telebrás que só poderia investir US$ 1 bilhão – o restante iria para ao pagamento da dívida externa. A Telebrás obedientemente investia apenas o autorizado, e a demanda ficava não atendida, as pessoas frustradas, revoltadas, porque devido a esta limitação artificial de recursos e ao fato de não dispor mais do dinheiro do FNT, os prazos para receber uma linha telefônica nova eram de 2 ou 3 anos. Repetindo: a Telebrás tinha dinheiro e não a deixavam gastar. O sistema telefônico estagnava, e a culpa era atribuída erroneamente à nossa empresa de telecomunicações.
16. O orçamento de investimentos já drasticamente reduzido pela Sest era então submetido ao Congresso, que fazia novos cortes. E enquanto o Congresso não aprovasse, a Telebrás não podia investir sequer o que a Sest havia autorizado.
17. Essas eram as condições de governança da Telebrás. Apesar de seu porte, de ser lucrativa, de ter um mercado ávido, de possuir recursos financeiros e humanos, era impedida de trabalhar como uma empresa, e forçada a funcionar como uma repartição pública. Os governos civis mantiveram o Fundão, mantiveram o controle da Sest, e a Telebrás continuou engessada, para frustração do público e dos profissionais que nela atuavam, e que queriam atender às necessidades em telecom do Brasil.
18. Criou-se então, propositalmente ou não, a imagem de que “o Estado não sabe administrar”. Pelo visto acima, não era uma questão de ser ou não administrada pelo Estado e sim de ter liberdade de funcionar como uma empresa. Na mesma época, a Petrobrás era dispensada destes controles, ou, se os havia, ela os ignorava, e continuou expandindo-se, no Brasil e no exterior. Prosseguiu nas pesquisas de extração no mar, assinou parcerias com outros países etc. Já a Telebrás foi ficando cada vez mais desmoralizada, por se submeter aos cortes e à perda de seu fundo de expansão.
19. Era a década de 1980, e a moda eram as privatizações na Inglaterra feitas por Margareth Thatcher, era a implantação do “Modelo Competitivo” nos Estados Unidos. Ambas as ideias mostraram-se inadequadas e ambiciosas demais. Margaret Thatcher vendeu as ferrovias, as estradas, as telecomunicações, tudo. Ainda durante seu governo houve pelo menos 4 grandes acidentes ferroviários, consequência de má administração nas ferrovias privatizadas. Já nos Estados Unidos, a filosofia ultracapitalista da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), a Anatel americana, era de que, se fossem vendidas licenças para que outras empresas concorressem com as telefônicas do Grupo AT&T, também chamado Grupo Bell, a concorrência seria benéfica para o consumidor. Venderam então licenças para operar sistemas de telefonia fixa, celulares, de longa distância. A concorrência nunca decolou.
20. Após mais de 20 anos, as novas operadoras não haviam conseguido mais do que 10% do mercado. Simplesmente porque a ideia é inviável. Imagine-se que o governo deseje implantar “concorrência” no sistema de fornecimento de energia elétrica. Venda uma licença para operar a distribuição de eletricidade. A empresa ganhadora da licença teria de fincar milhões de postes, lançar milhões de quilômetros de fios, para poder chegar na sua casa. Evidentemente seria impossível investir tudo isso e ainda ser lucrativa. O mesmo ocorre em telecomunicações, com raras exceções. É impossível a real competição, porque já existe uma operadora com uma rede imensa de cabos e fios, de sistemas, e quem quiser concorrer vai ter de investir bilhões de dólares, com retorno duvidoso. Por isso a competição não funcionou nos Estados Unidos, nem na Europa, e nem no Brasil.
21. Aqui, então, surfando na ideologia mundialmente aceita na época de que o Estado é mau administrador e de que “a competição é sempre benéfica para o consumidor”, o governo de Fernando Henrique Cardoso decidiu fazer o que a Inglaterra havia feito – vender a operadora estatal de telecom e abrir licenças para competidores. Com a venda dos ativos estatais, o governo recebia dinheiro para terminar de pagar a dívida externa, e com a venda de licenças para outros concorrerem no mercado de telecom, também recebia polpudos recursos para aplicar onde quisesse. E, teoricamente, quem comprasse a Telebrás iria usar seu próprio dinheiro para investir e melhorar as telecomunicações no Brasil.
22. Vendeu-se então a Telebrás, dividida em quatro partes – a Embratel, que tinha todo o sistema de longa distância e de transmissão de dados, e a telefonia fixa local agrupou-se em três empresas: uma em São Paulo, a Telesp, outra cobrindo o Sul e o Oeste, e uma terceira cobrindo o Nordeste desde o Espírito Santo até o Amapá.
23. No caso de São Paulo, venceu o leilão a Telefónica de España. Grandes esperanças, grandes comemorações. Mas logo uma nova realidade desabou sobre a Telesp. Chegaram os espanhóis. Inicialmente colocaram um espanhol “grudado” a cada gerente brasileiro. Em seguida demitiram os brasileiros. Hoje não existe na atual Telefônica, ex-Telesp, ninguém com mais de 10 anos de casa. Toda a memória profissional da empresa foi perdida.
24. Implantaram desde o início a famosa mesa de compras, uma instituição de caráter financeiro extremamente prejudicial à própria Telefônica – mas o sistema vinha sendo usado na Espanha, por que não no Brasil? Consiste do seguinte: a empresa faz uma concorrência, como é normal. Convida cerca de 5 a 10 participantes. Uma análise de preços é feita, bem como uma analise técnica. Escolhe-se o vencedor, com o menor preço e a melhor proposta técnica. Normalmente o processo de compra terminaria aí, com a assinatura do contrato e implantação do sistema. Mas na Telefônica é diferente.
25. O processo vai para a mesa de compras, na qual os executivos são remunerados em função dos descontos que conseguem. Chamam a empresa vencedora, e comunicam (sim, não negociam, comunicam) que se o vencedor não der um desconto de, por exemplo, 20%, nada feito, o contrato não será assinado. A empresa escolhida preparou a sua proposta com base em dados de custos, de mercado, prevendo certo nível de compras, certo número de homens-hora de profissionais etc. É obrigada a aceitar a redução imposta pela Telefônica, assina o contrato, o espanhol da mesa de compras fica mais rico com um enorme bônus, e o usuário brasileiro é o único prejudicado. A fim de conseguir implantar o sistema pelo novo preço, agora drasticamente reduzido, o fornecedor tem de fazer cortes.
26. Reduz a qualidade do material, a qualidade da mão-de-obra, reduz a confiabilidade dos sistemas, enfim, adapta sua proposta ao que vai receber. E assim a Telefónica foi ao longo destes últimos 10 anos expandindo as telecomunicações no Estado de São Paulo, da forma mais barata possível, e com baixíssima qualidade e confiabilidade.
27. Mas pelo menos os espanhóis investiram, trouxeram dinheiro da Espanha, verdade? Infelizmente, não. A Telefónica de España não enviou de Madri um único euro para investir no Brasil. Todo o investimento feito aqui pela Telefônica usou receitas obtidas aqui mesmo. Ou seja, quem pagou os investimentos – mal feitos – da Telefônica foi o consumidor brasileiro – e os bancos brasileiros, principalmente o BNDES. Veja bem, vendemos a Telesp aos espanhóis, estes usaram nosso dinheiro para investir e obter lucros enormes que mandam para a Espanha. Além disso, criaram um enorme desemprego no setor – a privatização da Telebrás colocou na rua em dois anos nada menos do que 200 mil pessoas. Sim, 200 mil profissionais foram dispensados. Para dar lugar aos espanhóis ou para fazer economias que no futuro iriam cobrar um pesado preço sob a forma de péssimo serviço e falhas no sistema.
28. A Telefônica terceirizou tudo que foi possível, começando pelo atendimento. Vendeu o setor de atendimento à empresa espanhola Atento, de propriedade da Telefónica de España. Note: de propriedade da Telefónica de España. Ou seja, a Telefônica Brasil compra os serviços da Atento, paga pelos serviços, a Atento lucra com eles, e remete seus lucros diretamente para Madri. Terceirizou manutenção de prédios, operação dos sistemas, manutenção, tudo. Os projetos são feitos pelos fornecedores, a engenharia idem. Não existe na Telefônica, hoje, um grupo de profissionais de telecom. Ela é nada mais do que a marca. O resto é de terceiros. E mais uma vez feito de forma impositiva e leonina, pois os fornecedores que implantaram os sistemas são chamados e informados de que terão de tirar os defeitos, operar, manter etc. O fornecedor faz seus cálculos, usando o número adequado de homens, de veículos, equipamentos de teste etc. Apresenta uma proposta, e a mesa de compras exige -mais uma vez – enormes descontos. O fornecedor tem de ceder, mas de novo reduz o número de pessoas, de veículos, de equipamentos, reduz a qualidade da mão-de-obra, faz cortes drásticos para poder cumprir o contrato e ainda ter lucro.
29. Neste ponto cabe uma pergunta: como pode a Telefônica imaginar que um determinado serviço que ela anteriormente fazia com mão-de-obra própria ser feito por outra empresa, que irá obrigatoriamente colocar uma margem de lucro, e ainda assim ficar mais barato do que se a operadora o fizesse? Não há lógica.
30. Não se terceiriza jamais o contato com o cliente. É por isso que as empresas aéreas não terceirizam pilotos e aeromoças. Seria inimaginável. E, no entanto, fomos levados aceitar como normal que um atendimento para uma reclamação de defeito numa rede de altíssima tecnologia seja feito por uma mocinha que não tem nenhum vinculo com a Telefônica, nenhum interesse em realmente resolver seu problemas, que não tem a mínima ideia do que é o sistema, que foi treinada como um autômato para burocraticamente anotar a reclamação e passar adianta. Cujo tempo de atendimento é rigidamente controlado e não pode superar 90 segundos. Que mesmo para ir ao toalete tem horários determinados. Tudo para que Madri tenha mais lucros.
31. No último trimestre o faturamento da Telefônica na Espanha caiu 4,2%, enquanto na América Latina cresceu 4,8%. Traduzindo: os cortes de pessoal no Brasil, as economias e cortes de custos que provocam panes e apagões, ajudam a aumentar o lucro da Telefônica no mundo. Quem sustenta a empresa somos nós, latino-americanos, e não os espanhóis. Sabe por quê? Porque na Espanha ela não poderia tratar o cliente da forma que faz aqui. O governo espanhol imediatamente trocaria toda a diretoria da empresa.
32. Mas então, cabe a pergunta: se a Telefônica veio para o Brasil para atender ao Estado de São Paulo, não investiu recursos próprios, é campeã de reclamações no Procon, tem um histórico de falhas, defeitos e panes inédito em todo o mundo, o que ela está trazendo de positivo para o Brasil? Não traz dinheiro, não traz know-how, piorou os serviços.
33. Pare um instante, leitor, e honestamente responda: no dia de hoje, quem é melhor administrada: a Telefônica em São Paulo ou a Petrobrás?
34. Quiséramos nós que as telecomunicações em São Paulo tivessem o mesmo nível que a extração, o refino e a distribuição de combustíveis. Logo, não é verdade que “o Estado não sabe administrar”. Mesmo com alguma interferência política que sabemos existir, a Petrobrás é eficiente, respeitada aqui e lá fora, e não sofre de apagões de combustível.
35. Apenas para reforçar o argumento, e o Banco do Brasil? É estatal e luta no mercado bancário em condições de igualdade, dá lucros enormes e ninguém acusa a diretoria do BB de ser inepta devido ao fato de a empresa ser estatal.
36. Então, esta ideia de que empresa estatal é por definição lenta, obsoleta, com gente preguiçosa e ineficiente, é uma inverdade. Temos de olhar a realidade, sem ideias preconcebidas, e reconhecer que o mundo mudou, Marx está morto, mas o capitalismo selvagem também, e que temos de ser criativos e repensar alguns conceitos. E algumas decisões do passado.
37. Nessa linha, olhando o que a Telefónica de España fez no Brasil nos últimos 10 anos, parece-me que fica claro que não fez nada melhor ou nada mais do que a própria Telebrás teria feito se tivesse a liberdade de que sempre gozou a Petrobrás. Se tivéssemos mantido a Telebrás e a liberado para investir seu próprio dinheiro, hoje teríamos uma empresa poderosa, eficiente, brasileira, e certamente atuando com competência no exterior, como é o caso da Petrobrás.
38. Chegou a hora. Vamos aproveitar o momento de transformações por que passa o mundo, o novo status que o Brasil ganha, e o péssimo nível dos serviços da Telefônica, para comprá-la de volta, colocá-la em mãos brasileiras, com gente que tome decisões com base no cliente brasileiro e não com base em aumentar os lucros que manda para Madri. O Brasil todo irá aprovar.
Poucos sabem, mas a Telebrás ainda existe, não foi extinta, permanece como que “em estado de hibernação”. Tem sede em Brasília, com meia dúzia de funcionários que cuidam principalmente de comunicações governamentais.
39. O contrato de concessão assinado pelo governo brasileiro com a Telefônica, no Capitulo XXVIII, trata da extinção da concessão. Podemos a qualquer momento informar aos espanhóis que nossa paciência se esgotou, que temos gente igual ou melhor do que eles, e que queremos as telecomunicações de São Paulo de volta. Compramos a empresa de volta. Definimos uma forma suave de pagamento. Colocamos gente nossa, do Brasil, comprometida com nossa sociedade, para administrar a empresa. E garanto que os apagões nunca mais se repetirão.
40. Se você acha que este artigo tem lógica, divulgue a ideia. Hoje, enfrentar a gigante espanhola pode parecer um projeto de difícil implantação. Mas Gandhi também tinha um projeto enorme, a liberdade de seu país, e começou com um partido de um homem só. Também Martin Luther King. Se nós quisermos, nós conseguimos.
* Virgílio Freire é engenheiro de telecomunicações, consultor sênior, ex-funcionário da Telesp, ex-presidente da Lucent Technologies no Brasil, da Nortel e de outras empresas.
88 Comentários para “Por que a telefonia de São Paulo apaga. Vamos comprá-la de volta”
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Adoreiii! Todos conhecemos estes fatos, já que são fatos vivenciados por todos nós, quem sabe chegou a hora de encurralar nossos políticos, o Sergio Mota já foi prestar contas no “piso superior”, mas o FHC ainda está aqui, sorrindo com os bolsos cheios. Temos que fazer o país todo cobrar a conta dele antes que nosso “Administrador Mor” (Deus) o chame para sua prestação de contas lá em cima.
Me considero uma espanhola legítima, já que meus antepassados são todos espanhóis de nascimento, mas me sinto envergonhada quando lembro que estamos nesta situação de telefonia por conta dos espanhóis. Aliás dos espanhóis não, mas, exclusivamente dos nossos políticos desmerecedores de nossos créditos.
Vamos iniciar um movimento para a retomada do que é nosso de direito, já que não há, no empreendimento um euro espanhol.
Faço parte de um “grupo” um site criado por um ex-funcionário da CTBC, Erasmo Assumção Filho, com mais de 600 membros, todos ex-funcionários da CTBC, ex subsidiária da Telebrás, massacrada pela privatização. Vou sugerir que ele estude a possibilidade de um movimento.
Aproveito o ensejo para divulgar nossa família de ex-funcionários da CTBC.
Visitem nossa família “Ex-Funcionários CTBC”.
Não sei como eles conseguem aprovar uma coisa dessas depois de a mesma empresa ter sido empedida de praticar novas contratações por serviço de qualidade péssima.
[...] Gostou? Então leia o texto na íntegra clicando aqui. [...]
Fazia tempo que nao lia um texto com criticas tao bem elaboradas e construtivas.
Nos brasileiros, temos que sair desta nefasta inércia que nos assola e dar um basta a estes exploradores(saqueadores).
Saber que não estamos sozinhos, faz toda a diferença.
Os espertos daqui ganharam duplamente, ou seja, na estatização e na privatização. O negócio deles é ganhar ou ganhar. Também, arreganhar os dentes para o capital estrangeiro que lhes paga e muito bem para que eles entreguem o Brasil.
Ta mais que na hora do Lula enfiar o pe na jaca da Anatel e acabar com aquela bagunça que mais parece um bunker PSDBista.
Em qualquer lugar serio a Telefonica ja teria perdido a conseção, sido expulsa do pais e ainda teria de pagar indenização.
Comprar de volta? Por que? So para dar mais dinheiro para o PIG. Ta na cara que a Telefonica serve um “por fora” para poder continuar explorando o Brasil e remeter o lucro todo para fora.
A privatização da Telefonica em SP foi uma piada de mal gosto. Ta mais que na hora do Lulão botar ordem na Anatel que ta parecendo um bunker PSDBista.
Se a Anatel realmente se importasse com os usuarios a Telefonica ja teria sido expulsa do pais.
Lulão tem de expulsar a Telefonica e chegar junto na Anatel pra botar os PIGuentos pra correr de lá.
Se estatal é tão boa, por que é que a Anatel não toma medidas drásticas contra a Telefônica?
A historia foi interessante, eu posso atestar a veracidade pois tive minha carreira toda na area de Telecomunicações, eu mesmo Engenheiro nesta especialidade, residindo na França desde 1997.
Seu artigo é muito bom,
Esperava, meu caro colega que se defendesse aqui um modelo para o Brasil e não para um dos estados da Federação.
Somente gostaria de retificar uma coisa. A Telefonica espanhola é uma das operadoras mais fracas na Europa, com sérios problemas de organização. Deixa a desejar em termos de eficiência e passou pelo mesmo modelo de terceirização, assim como a British Telecom e a Deutshe Telecom. A France Telecom seguiu uma outra linha e não repõe a mão de obra que sai da Empresa.
Vamos mudar o Brasil!
Trabalhei por 28 anos na Companhia Telefonica da Borda do Campo em Santo André e 10 anos na Telesp em São Paulo, vivenciei tudo isso, além de ver profissionais que detinham a memória da empresa serem descartados quase que todos os meses, além de ver também famílias serem desestruturadas em prol das mudanças do Sr, FHC.
Tudo que conquistei em minha vida (Amigos e bens materiais), devo primeiramente a Deus, e depois a CTBC e a Telesp, mas também conquistei, angustias, mágoas e falta de respeito.
Excelente texto!!
PHA ,
Trabalhei na Telefônica por um período de 2 anos e , na verdade , a Telefônica terceiriza praticamente tudo.
Gostava do ambiente de trabalho , principalmente por que não atendia o consumidor final , mas as empresas que lá estavam.
Após a terceirização , soube que quem ocupou meu cargo nao chegava à ganhar 70% do que ganhava , por isto , imagine a motivação do terceiro para o trabalho ( se não me engano da Stefanini).
Acho que foi um erro estratégico da Telefônica Espanã , que é quem manda de verdade lá , que pensou só no lucro mas não pensou na qualidade.
Também substituiram máquinas por máquinas chinesas (Huawey) de menor custo , porém foi feito de forma sub-dimensionada também.
Esse é o meu testemunho.
Gilvan (22/setembro/2009 as 18:53)
.
Zuzo zen, então.
Onde está escrito “estatização”, leia-se “socialização dos prejuízos”.
Fica melhor assim?
WPósnik – Olhem ! Achei ’seminal’, como se dizia antigamente, o texto do Vicente Freire. Semana passada, escrevi algo sobre a questão, mas não postei. Surpreendi-me com a coincidência na matéria de capa, da Carta Capital. E agora, no teu espaço, PHA. As consequências caóticas das privatizações, ao que tudo indica deliberadas por FHC-Sérgio Motta, sempre estiveram visíveis a quem quis vê-las. A zorra, em todas as nossas grandes e médias cidades, nestes últimos 10-12 anos. Buracos, por todo lugar, além daqueles ‘normais’, dos reparos da rede de água e galerias pluviais. Para no centro dessas cidades, enterrar inúmeras redes paralelas. Resultado: ruas e calçadas remendadas, irregulares – mal reinstaladas. Nas chuvas, pedestres podem ser tragados, por novos buracos, surgidos do nada. Tomo por base Curitiba: aqui, no centro da cidade, instalaram-se em paralelo às redes subterrâneas de energia e telefonia, outras da Embratel, GVT-Intelig e Netstream; e pelo resto da cidade, mais outras redes penduradas nos postes da Copel, da Net e Tva. E ainda, como se não bastasse, algumas redes próprias, ligando as torres de telefonia móvel, da Vivo, TIM, Claro etc. Deste modo, somadas à rede da BR Telecom (hoje Oi) e as da Copel (elétrica e de fibra ótica), temos mais de dez serviços paralelos. Há que ressaltar, o sucateamento da rede de telefonia (da ex-Telepar – originalmente, estatal estadual, criada por Ney Braga, na sua fase de estadista). Esta mais, após privatizada, submetida a um caos de gestão, nas brigas pelo seu controle, pela gangue de Daniel Dantas, seus sócios ou comparsas. Quem vem pagando esta conta ? Nós consumidores, nós contribuintes de impostos. Em última análise, buracos e seus constantes reparos, são pagos pelo erário municipal. Notícias recentes, nos diziam que a banda larga básica, que custa 5 no Japão (de quaisquer dinheiros), custa por aqui, até 150. Trinta vezes mais. E na qualidade do serviço, nem há o que comparar: ou seja, 30 vezes cinco, dez, nesta comparação de qualidade. São as tais ‘perdas relativas’, ‘custo Brasil’ etc. e tal. Para o nosso futuro, isto está aumentado ou diminuindo nossas defazagens ? Um serviço sofrível a um custo absurdo. Será que o acesso a celular pelos pobres, em si mesmo, mudou a sua condição de cidadania ? Será que o ex-Sistema Telebrás, se mantido íntegro, mesmo privatizado, não estaria fornecendo hoje, serviços infinitamente melhores e a custo similares aos internacionais ? Ficam aí mais alguns elementos para essas excelentes reflexões do Vicente. E um parâmetro objetivo, para as nossas escolhas, nas próximas eleições !
Carlos Tronco da Borda do Campo em 23/setembro/2009 as 2:16
“textos do Aloysio que foram publicados na “grande imprensa”, mas que não foram levados a sério. A própria imprensa, de forma indireta e covarde, acabou por desmoralizar os argumentos do jornalista.”
BIONDI ERA COLUNISTA DA FOLHA, QUE O DEIXOU FALANDO SOZINHO CONTRA A RAPINAGEM, OU SEJA: A FOLHA TRAIU, VIROU AS COSTAS PARA SEU MAIS ABALIZADO COLABORADOR NA ÁREA DE ECONOMIA.
É O CASO DE SE PESQUISAR JORNAIS (E REVISTAS) DE 1998, ESPECIALMENTE OS EDITORIAIS – VEREMOS O QUANTO DE CUMPLICIDADE EXISTIU, SEJA PELA AÇÃO, SEJA PELA OMISSÃO.
.
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“E, sr. Virgílio, talvez pela extensão do seu artigo não foi possível comentar outros pontos importantes que ajudariam a entender o processo de privatização da Telebrás.
a) O sr.. fala do Delfim, mas não comentou que após a morte de Tancredo Neves, as Teles passaram a ser loteadas por políticos, sobretudo governadores de estado.”
PRESIDENTE DA TELEPAR (PR) INCORPORADA À TELECENTRO SUL (DEPOIS BRASIL TELECOM) QUANDO DA PRIVATIZAÇÃO: ÁLVARO DIAS.
Gilvan em 22/setembro/2009 as 18:53 Caro Atalhos,
1) GM e os bancos nos EUA não foram estatizados. Leia um pouco mais sobre os casos que voce vai entender.
2) GM e bancos nos EUA (alguns) estavam quebrados e, para não ir a bancarrota, o Estado investiu dindin. A Telefonica é muuuito diferente. Se o Estado quiser intervir vai ter que tomar a força.
TERGIVERSE, CHAME COMO QUISER, MAS O FATO É QUE AO COLOCAR DINHEIRO PARA EVITAR FALÊNCIA, O ESTADO AMERICANO… ESTATIZOU OS NEGÓCIOS – DISCURSO NEOLIBERAL ERA: SE QUEBRAR, QUEBROU, ESTADO NÃO PODE INTERVIR.
Novamente pergunto: quem teve coragem de fazer isto? De tomar empresas privadas pelo bem do povo? Eu tenho a resposta…
AGUARDEMOS OS FATOS.
Prezado Virgílio: nos dois anos anteriores à colonização, digo, privatização da Telesp a empresa fez grandes invetimentos na região onde moro (Lorena e cidades vizinhas). Lembro-me que foram feitas muitas galerias e instalados muitos cabos. Moro na mesma rua onde se situa o prédio da Telesp em Lorena. Lembro-me que fizeram um enorme buraco na parede externa do prédio para a entrada de equipamentos. Lembro-me, finalmente, que me perguntava o motivo de os equipamentos não serem ativados. Logo depois vieram os espanhóis, que passaram uma boa temporada aumentando a base de assinantes sem haver realizado investimento prévio. Apenas ligaram as casas aos cabos na rua. Do dia para a noite surgiu o prefixo 557 (hoje 3157), sem que se tivesse adicionado nem um metro de cabo à rede. Em Cachoeira Paulista surgiu o prefixo 3103 em em Guaratinguetá o prefixo 3125. Isso não foi um golpe de fernando henrique cardoso e serjão, para dar a impressão de que os espanhóis expandiram a rede? Esses criminosos vende-Pátria não deveriam ter ido a um tribunal popular, mesmo post-mortem, no caso de serjão? Minha irmã, que morava em São Paulo, tem a mesma percepção que eu a respeito do golpe. Finalizando: se foi o maldito espanhol que expandiu a rede, qual o motivo de quase todos os tampões das galerias terem o logo da Telesp?
O VERBO CORRETO É ENCAMPAR… COMPRAR PINÓIA NEHNUMA!
Esses caras vem cá, vendem gato por lebre, vigiam nossos telefones, boicotam e atravessam nossas negociações, enfraquecem nossas relações e ainda temos de assumir alguma dívida com eles?!
Bem que o CHAVES podia dar uma descidinha aqui pra responder porque ele sentiu-se tão a vontade pra falar enquanto importunava o rex espanhol, que precisou da ajuda do próprio interlocutor pra responder a pergunta do porque ele não se calava… é o CÚ MULO mesmo!!!!!
Comprar….
Não acho essa idéia viável! Acho que o verbo melhor aplicado é ENCAMPAR! E imediatamente. Telecomunicações não é brincadeira! É coisa séria. Só pro pessoal acordar pra realidade, informo que todos os cidadãos de alguma relevância existencial, no estado de são paulo, tem um perfil, comdados inclusives biométricos, na telefônica; também que seus mecanismos de telecom tem atenção especial, entre outras mazelas por aquela que utiliza nosso VERBO para se promover e passar a perna….
PAU NELES!
Prezado PHA, permita-me alguns pitacos nesse post.
Vamos, então, por partes:
- Marco em 22/setembro/2009 as 10:31
A linha custava realmente algo em torno de R$5 mil (dependendo do bairro, disponibilidade e procura) mas o comprador recebia ações que depois podiam ser resgatadas. Ou seja, o comprador recebia de volta o valor da compra e em contrapartida pagava tarifas e assinatura bem menores que hoje.
- MSC em 22/setembro/2009 as 11:05
Sim, infelizmente isso é verdadeiro. O sr.. Virgílio descreveu de forma clara e didática a “mecânica” da privatização da Telebrás (mas antes, bem antes desse post, um jornalista ficou rouco de falar sobre isso, no entanto não foi escutado. Veja abaixo).
- James em 22/setembro/2009 as 12:38;
Maria Dirce em 22/setembro/2009 as 18:05;
José Carlos Vaz em 22/setembro/2009 as 18:30
James, exatamente, o Aloysio Biondi escreveu, denunciou, e o deixaram só… só uma voz rouca no deserto. José Carlos, excelente dica para os alunos. Maria Dirce, sugiro acessar o endereço: http://www.aloysiobiondi.com.br/ . Vc irá encontrar textos do Aloysio que foram publicados na “grande imprensa”, mas que não foram levados a sério. A própria imprensa, de forma indireta e covarde, acabou por desmoralizar os argumentos do jornalista.
- E, sr. Virgílio, talvez pela extensão do seu artigo não foi possível comentar outros pontos importantes que ajudariam a entender o processo de privatização da Telebrás.
a) O sr.. fala do Delfim, mas não comentou que após a morte de Tancredo Neves, as Teles passaram a ser loteadas por políticos, sobretudo governadores de estado. Eram indicações políticas que ajudaram a desmoralizar ainda mais as empresas. O último presidente da Telesp, por exemplo, com gabarito para o cargo foi o engenheiro Carlos Paiva Lopes (falecido em 2006), formado pelo ITA e profundo conhecedor do setor de telecom. Depois só apaniguados, que não eram do ramo, que eram indicados apenas por suas ligações com determinados políticos (o sr. Virgílio deve lembrar bem da descrição debochada de um presidente da Telesp, ligado ao PMDB, que as pessoas diziam ser o homem mais religioso do país – trabalhava no Paraíso (sede da Telesp) – tinha o nome do filho de Deus – e um 1/3 no bolso);
b) O sr. Virgílio não mencionou que quando a Telesp foi privatizada, o presidente da empresa era o sr.. Fernando Xavier Ferreira, indicado pela turma do FHC, Sérgio Motta e cia. Logo após a privatização ele se tornou presidente do Grupo Telefônica no Brasil, ficando no cargo até o final de 2006. Hoje é conselheiro do grupo no Brasil;
c) O sr. Virgílio não mencionou que o atual presidente do Grupo Telefônica no Brasil, sr. Antonio Carlos Valente, foi membro do Ministério das Comunicações na gestão Sérgio Motta, o ministro da privatização da Telebrás, e logo depois foi presidente da Anatel (a mesma agência em que ele vai depor sobre os atuais problemas que a empresa, da qual é presidente, enfrenta atualmente).
Pois é sr. Virgílio citei esses detalhes para enriquecer ainda mais sua análise, exemplar diga-se, do processo de privatização da Telebrás.
Em tempo, não estou pondo em dúvida o caráter dos srs. Fernando e Valente, mas sim “testando hipóteses” sobre capacidade de aparelhamento político do Grupo Telefônica no Brasil.
abs
Oh Virgilio Freire!!!!
Parabéns pelo post!!!!!
Se vc quiser saber mais ,sobre os bastidores q levaram a tal situação !!!!!
http://www.anovaordemmundial.com/ .
http://www.verdadeoculta.com.br/news/001.htm
Boa pesquisa.
Abraços.
PHA,
Quando trabalhei na antiga TELESP fui contemporâneo do Sr. Virgilio Freire, posso afirmar sem sombra de dúvida que é um profissional altamente competente e profundo conhecedor do antigo sistema TELEBRÁS. A voracidade da privataria colocava em descrédito qualquer voz que se levantasse para defender a TELEBRÁS.
Hoje todos estão vendo e sentindo as consequencias de um processo de privatização irresponsável.
Respondendo a Magali, que disse
Magali – SP em 22/setembro/2009 as 21:03
Artigo sensacional, esclarecedor. Parabéns ao Virgilio Freire. Vou passar adiante. Como podemos pressionar pra ter a Telebrás de volta? E, a propósito, e a Vale?
Resposta do Virgilio Freire:
Magali, o caminho me parece ser através dos Deputados e Senadores, como Carlos Sampaio, que hoje pediu intervenção na Telefonica, Eduardo Suplicy, que é um homem íntegro, e dos jornalistas, se bem que as operadoras de Telecom são os maiores anunciantes dos jornalões, então Folha, Estadão, simplesmente ignoram o tema.
Mas a blogosfera esta cada vez mais importante no universo da informação .
Vamos insistir.
Grande abraço Virgilio
Trabalhei com o virgilio 2 vezes na antiga Telesp. Posso afirmar que ele sabe do que fala com profundidade, experiencia e vivencia. Na última pesquisa tornada pública, não sei se manipulada ou não, infelizmente, o Sr. José Pedágio Serra está bem colocado nas intensões de votos. Em junho fui a Caraguatatuba de ônibus e paguei R$ 0,80 de pedágio embutido na passagem para um ônibus de 50 lugares. Fazendo-se conta simples esse pedágio não deveria ser mais do que R$ 0, 35. Escrevi para esse Sr. reclamando, carta com cópia para a OAB, jornais, redes de TV (record inclusive), ministério dos transportes, etc…Seus assessores responderam de forma totalmente sem nexo tentando justificar o valor aviltante cobrado. Não contente em entregar o Brasil para estrangeiros esse Sr. e seus seguidores também criam mecanismos para extorquir os próprios cidadãos, fazendo transferencia de renda dos pobres para os ricos. Imaginem no governo central como será.
Artigo sensacional, esclarecedor. Parabéns ao Virgilio Freire. Vou passar adiante.
Como podemos pressionar pra ter a Telebrás de volta? E, a propósito, e a Vale?
Esse processo de má-administração eu estou vendo ocorrer na empresa de Correios agora.
Extremamente lucido seu artigo. Trabalhei para uma empresa que prestava serviço para telefonica, logo no inicio da doaçao da telesp para os espanhois.
Infelizmente vivi isso de perto, para se ter ideia o menor dos pecados foi ter que presenciar gente qualificada e experiente ter que engolir sapo de engeiro espanhol recem formado ….
Esquema de desmonte !!!!!
Aplicado em vários países de 3º Mundo como nós.
Golpes,corrupção ,falcatruas,assassinatos(mataram por ex: o Kennedy : vejam o teor de seu ultimo discurso ,antes de ser assassinado. Vejam no Youtube ).
Acordem : A Nova Ordem Mundial serve aos banqueiros e capitalistas para nos escravizar.
Vejam como o Clube ou Grupo “Bilderberger” se encontra todos os anos.
A reunião deste ano foi na Grécia,um primor de segurança.Tinha até caças F-16 (armados) patrulhando os entornos do resort onde se deu a reunião.
http://www.verdadeoculta.com.br/bilderberg.htm
Caro Atalhos,
1) GM e os bancos nos EUA não foram estatizados. Leia um pouco mais sobre os casos que voce vai entender.
2) GM e bancos nos EUA (alguns) estavam quebrados e, para não ir a bancarrota, o Estado investiu dindin. A Telefonica é muuuito diferente. Se o Estado quiser intervir vai ter que tomar a força.
Novamente pergunto: quem teve coragem de fazer isto? De tomar empresas privadas pelo bem do povo? Eu tenho a resposta…
[...] Para os alunos que forem apresentar o seminário sobre privatizações, recomendo o livro do Aluísio Biondi, “O Brasil Privatizado“, da Fundação Perseu Abramo; e o artigo de Virgilio Freire, Está na hora de retomar a Telefônica. [...]
Prezado Virgílio Freire,
Muito interessante seu artigo. Repassei para meus alunos de gestão de políitcas públicas na EACH-USP. Se possível, gostaria de entrar em contato para algumas consultas (vaz arroba usp.br). Obrigado.
Resposta para o James
James, vc pergunta onde estávamos, se a tal “privataria” estava sendo feita.Acontece que não tínhamos um moderador, todos os jornais da época, hoje chamados de pig,achava o máximo a privatização, pois iria cortar gastos acabar com cabides de emprego etc e o povo mais acesso o que na época era caríssimo por ex ter a um telefone. Com a lavagem cerebral, achávamos que era o que tinha a ser feito,e os números que nos apresentavam eram catastróficos para o estado.Não sabíamos que era um ardil para a venda de nosso patrimonio, e para ser sincera não conhecia o livro do Aloísio Biondi, e penso que muitos brasileiros tb não.
Faltou um pequeno detalhe, pelo menos para os usuários da Telefônica em SP: comparem as tarifas (em dólares) desta empresa na Espanha com as praticadas aqui em São Paulo.
Tampouco adianta esperar qualquer providência da ANATEL, que assim como as outras agências, foi criada no (des) governo de Dom FHC e sua quadrilha, pois a Agência não está nem aí para os consumidores. Experimente fazer uma reclamação junto À ANATEL e diga-me o que acontece; Literalemte NADA!!! Mesmo formalizando suas reclamações junto à Agência, onde são devidamente protocoladas, etc, nada acontece… É um abuso, total!
Por outro lado, infelizmente isso não acontece apenas com a ANATEL, meus amigos… Basta dar uma olhada nos setores (energia elétrica, transportes terrrestres, Águas, Aviação Civil, saúde, etc) que elas, a agências reguladoras (ANEEL, ANTT, ANAS, ANAC, ANS, etc) deveriam controlar. Verifica-se facilmente que os serviços prestados pelas empresas concessionária em cada um dos setores são de 5ª categoria e que os que preços cobrados são exorbitantes.
Ou seja, a função precípua destas agências é – além de fornecer altos salários para os 2º e 3º escalões do governo, claro – dar cobertura aos ilícitos das empresas que atuam nos respectivos setores e dar uma banana para o consumidor e seus direitos, na maior cara de pau do mundo, pois não conheço nenhuma ação para brecar o procedimento escandaloso e lesivo è economia popular adotado por estas “nulidades”.
MUDA SÃO PAULO!
FORA PSDB-estas do DEM-o!
VIVA DILMA 2010!!
Esses tucanos deveriam estar atrás das grades.
CAL (em 22/setembro/2009 as 15:38)
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Expansão da telefonia poderia ser viabilizada por decisão política, de governo – e a da móvel estava a caminho e seria lucrativa, dai a privatização acelerada: bastaria abrir um caixa e faturar, faturar, faturar,…
Os defensores da privatização alegavam que a maioria da população não poderia comprar ou alugar uma linha telefônica… Realmente, mas é também verdade que essa mesma maioria às vezes não tinha recursos para comprar uma ficha de telefone público, ou seja: o problema estava na renda da população e não no fato de o serviço de telefonia ser estatal.
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Interessante abordar também os serviços nas demais regiões – pra nós do Sul, interessa uma radiografia na área da Telecentro Sul / Brasil Telecom.
fora do país telefonia “privadaria” relativo a privada onde da descargas para fezes!!!!!
Execelente! Vou passar adiante.
Gostaria no entanto que análises semelhantes fossem feitas em relação as demais operadoras que prestam serviço nas outras regiões do país, considerando a baixa qualidae desses serviços e os preços exorbitantes cobrados.
Seria interessante que a ANATEL se manifestasse em relação aos serviços da telefônica. Tanta omissão da agência termina por gerar especulações. Por que será que não tomadas medidas para coibir esses absurdos? Incompetência?Negligência? ou coisa bem mais grave?
Também acho que a Telebrás deveria retomar o controle das telecomunicações no país e não só em São Paulo.
O pior é ter que pedir autorização na Espanha para comprar equipamentos para atender a uma pequena localidade no interior de SP. Se Madri não autorizar, bye bye. Cadê a soberania para decidir o que é melhor para o país?
Anos antes da privatização, eu discutia com um parente meu sobre o caso das linhas telefônicas terem um preço absurdo aqui no Brasil. E ele retrucou com o seguinte: tudo bem, poderemos ter o serviço feito por cias particulares, porém o valor da tarifa será bem mais caro (ele me deu um exemplo de como a Bell operava nos EUA, naquela época).
Hoje, fazendo uma conta bem tosca com o que eu gasto pagando a Telefônica, vi que ele tinha razão.
Meu consumo mensal médio gira em torno de R$ 150,00 (impostos e tudo).
R$ 150,00 X 12 meses = R$ 1.800,00
Eu tive um plano de expansão, que adquiri pouco antes do início das privatizações. Se não me engano, o valor total era igual ou menor que o que gasto hoje com a Telefônica em um ano. E a linha telefônica era um bem comercializável, tinha valor, dava pra negociar.
É claro que popularização do telefone foi indispensável para o Brasil. Porém, em contrapartida, recebemos um serviço que não é de primeira, e é muito caro.
Como ex-titular de média gerência da Telesp/Telefônica, data venia ao Virgílio Freire, gostaria apenas de complementar o modo espanhol de administrar: além da mesa de compras e da terceirização, simultaneamente, cerca de 2 meses após tomarem conta da mina de ouro, começaram a aplicar o corte de pessoal e a restruturação da empresa extinguindo alguns departamentos e fundindo outros. Resultado: perderam-se controles vitais para o domínio da infraestrutura da empresa e manutenção de sua planta. Não é a toa que durante os dois primeiros anos até o PIG era obrigado a mostrar diariamente na TV ligação de orelhão em casa particular e vice-versa, panes em cabos de rede e surdões nas centrais telefônicas. A empresa transformou-se na Teleafônica, como disse o Zé Simão.
Muito Bom! Porém muito prolixo o texto, não da pra repassa-lo inteiro para meus contatos, a maioria não o leria! Enfim, aqui no norte do Mato Grosso a telefonia, vivo, claro, tim já precária, internet já era uma M…. depois que entrou a Oi, piorou de vez, um dia temos internet outros 4 ou 5 não, é o fim. Infelizmente os políticos nativos são todos analfabetos digitais e não se importam com tecnologia.
Assuerum (22/setembro/2009 as 13:29)
Mas é de se perguntar também ao Serra (e Aécio e…) posição dele sobre reestatização da telefonia – por SP (o Estado) ou pela União.
Excelente artigo. Didático, com informações relevantes e muito bem escrito. Parabéns ao Virgilio Freire por ter escrito e ao Paulo Henrique Amorim por ter divulgado.
É isso o que dá ter uma empresa na mão do Estado , a cada governo , alguém quer mudar o sistema de gerenciar.Imagina se a telefonia fosse estatal até hoje..ia ser o caos.E a corrupção que existia?Enquanto um pobre mortal esperava até por anos por uma linha , tinha pessoas e empresas que alugavam essas linhas…como eles conseguiam isso?
Quanto menos estatais menos roubalheira…..
PHA, esse artigo deveria ser lido pelo Lula e pela Dilma e ser perguntado o que eles teriam a dizer. Que tal voce sugerir isso ao autor?
Abraços
James (em 22/setembro/2009 as 12:38)
“Aonde estavam vocês, a nossa “elite” bem pensante…”
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Tem certeza?
Ao Virgílio Freire
Voltar ao tema, especialmente sobre tecnologia, e abordar também a telefonia pública.
PHA, não é só a telefonia de São Paulo que apaga.
A (des)governadora do RS, Yeda (Ara)Crusius acaba de enviar o pepino das privatizações das rodovias (conduzidas durante o dueto Britto / FHC, nos áureos tempos do entreguismo) de volta ao governo federal.
As concessionárias estão cobrando R$ 1 bilhão do (des)governo do estado à título de “prejuízos operacionais”. O (des)governo, recusando-se a assumir o suposto prejuízo, empurrou o problema à União (devidamente acompanhado por um relatório de 25 mil páginas). Pergunto-me que prejuízos tiveram as concessionárias se a cada 40-50 km há uma praça de pedágio e o valor cobrado é extorsivo (de R$ 5,40 para automóveis até R$ 45,00 para caminhões com 9 nove eixos, em ambos os sentidos)?
A sempre estardalhante mídia grande gaúcha – quando a “crise” é federal – não tece um único comentário crítico a respeito do retumbante fracasso do entreguismo do dueto mencionado anteriormente. NADA, nenhuma única palavra! Apenas a coragem da decisão da (des)governadora. E a CPI dos pedágios que rolou na Assembleia Legislativa há algum tempo atrás, não descobriu nada de errado nas concessões…
População na rua cobrando providências do poder público? parece ser pedir demais para boa parcela dos “politizados” gaúchos. A grande maioria só repara no transtorno causado para o trânsito (como se este fosse perfeitamente organizado…).
Só nos resta evocar pelo salvador: “Oh, e agora, quem poderá nos defender?”
Antes de comprar, devia ser multada em uns 4 bilhões por crime contra a economia popular, já que nem cumpre contratos com clientes e as contas não passam em nenhuma auditoria séria. Depois, devia ser obrigada a devolver o $$ indevidamente apropriado, então, o que sobrar vai a leilão. Garanto que vai sair barato.
Enquanto o Rei de Espanha toma Jerez, os paulistas bebem lodo.
Anatel!
A loucura dos sábios.
Excelente o texto, e apenas para citar, fui funcionário da CSN – Companhia Siderurgica Nacional em Volta Redonda de 1977 a 2000 e lá o “filme” foi o mesmo.
Entregaram de bandeja uma empresa símbolo da indutrialização nacional, criada em 1941 por Getulio vargas, usando os mesmo argumentos apresentados aqui.
Depois da “privatização”, dá pena ver o que restou da nossa Ex-CSN em Volta Redonda.
Não adianta querer fazer a Telefonica trabalhar direito, a Anatel pode impôr metas, punições e limites a eles, mas não tem poder para mudar o modelo de negócio da Telefonica. Eles trabalham exatamente do mesmo jeito em simplemente TODOS os países da América Latina em que atuam, em todos eles o serviço é péssimo, caro e a empresa é campeã em reclamações!
E essa situação se repete até nos EUA, onde eles fornecem serviços corporativos internacionais de comunicação. Sei de empresas americanas que durante meses receberam dinheiro da Telefonica em vez de pagá-la, devido ao acúmulo de multas previstas em contrato em caso de falha de serviço!
Nos casos mais drásticos, estas empresas apelaram para a Telmex, e não se arrependeram (não que a Telmex seja a oitava maravilha do mundo, mas parece prestar serviços de melhor qualidade, pelo menos para grandes clientes).
Aliás, tem muita gente que diz (em tom de brincadeira) que Carlos Slim agradece a Deus todo dia por ter um concorrente como a Telefonica…
Virgilio Freire,
Seu texto é impecável. Na década de 80, quando iniciava minha carreira em uma multinacional, atendi um executivo da Telesp e o mesmo me confidenciou a angústia pela qual estavam passando. A empresa gerava altos lucros, porém, para programar investimentos, tinha de ir de joelhos implorar verbas para o governo. Deu no que deu.
Estou retransmitindo a todos meus contatos. Além disso, enviarei meus protestos e sugestões a nossos representantes no congresso.
Parabéns.
Gilvan (22/setembro/2009 as 12:05)
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“(aliás, quem faz isto no mundo?)”
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Obama faz: estatizou a GM – veja bem: empresa automobilística – e bancos.
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Pro Estado – o Poder Público, a União – fazer o que deve ser feito, só assumindo o comando, nomeando diretoria e estabelecendo contrato de gestão, metas.
“11. (…) Delfim criou um organismo chamado Secretaria de Controle das Estatais (Sest). A função desta secretaria era administrar as estatais. Literalmente.”
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Chefão da SEST entre Abril/1985 – Abril/1986:* Henri Philippe Reichstul – presidente da Petrobrás quando das vendas das ações da empresa em 2000 e 2001.
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* A SEST era subordinada à Seplan, comandada por João Sayad naquele primeiro ano da “Nova República”.
Essa indignação de todos os ilustres comentaristas me espanta… O Aloysio Biondi já tinha cantado esta bola há muito tempo, gente! Aonde estavam vocês, a nossa “elite” bem pensante que agora critica a m…. de servço prestado por esta empresa vampira, na época das famigeradas privatizações???
E o FHC que foi o grande mentor desta espoliação do patrimônio nacional, hoje é protegido por foro especial que foi instituído no seu próprio governo, e ninguém pode, ou quer, fazer nada contra este desclassificado, que deveria estar na cadeia, essa é que é a verdade. Não é a toa que uma das condições para que o Lula fosse eleito foi desistir da revisão das privatizações. Muita merda apareceria caso essas revisões se efetivassem e não só nas Telecomunicações, certamente.
E o que acontece agora: Vamos permitir que esta empresa continue usufruindo de forma criminosa de um setor estratégico para o país ou vamos recomprar a empresa e tentar consertar o mal feito?
Em todo o caso, tenho certeza, a “cordialidade” (ou seria burrice?) do brasileiro não vai culpabilizar ninguém e tampouco exigir punição dos responsáveis por tamanha improbidade administrativa, como acontece com os militares até hoje. Afinal o Delfim Neto, que geriu está porcaria toda, hoje é um dos maiores e mais reconhecidos representantes da “inteligenzia” nacional. Infelizmente, nosso país é o paraíso dos corruptos e o Eden da impunidade e apesar da indignação legítima de alguns e oportunista de outros, tudo ocntinuará como está.
Quer apostar quanto?
Vai Brasil! Vai si f…., vai!!!!
Ô tristeza…
O PIG deveria publicar este texto na primeira pagina e o Bonner fazer um editorial com este assunto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Para entender profundamente toda essa ´tramóia da privatização das teles´, uma informação:
Todo o Sistema TELEBRÁS (Embratel, Telesp, Telerj, etc) foi leiloado/doado por U$19 milhões, quando havia acabado de contratar US$30 milhões
Em suma, entregamos um tesouro a preço de besouro.
Depois de tudo quer comprar a telefônica ainda?
Tem que rescindir o contrato e pronto, vai embora e não volta mais!!!
O que eles lucraram já basta!
Sensacional!!!
Digno de um Prémio Pulitzer.
Os venenos injetados por fhc e camarilha no corpo a Patria Brasileira ainda está corroendo partes significantes do seu organismo… Mas aos poucos iremos retomando o que esse pulha tirou do nosso país e entregou, com dinheiro do BNDES a quem não tinha nenhum compromisso com o bom atentimento, mas apenas mamar nas tetas da nossa Pátria… Esse momento tá chegando ao fim… Ah… e a incoerência então de suas falas (da camarilha do fhc)… Tinham que desestatizar pq o estado não tinha condições de gerir etc e tal… e venderam, no caso da Telesp, a uma ESTATAL espanhola…
Demorô!
PHA, o sr. Virgilo Freire tem que ser levado à Brasília por algum parlamentar que ainda tenha um minímo de preocupação com São Paulo e o Brasil para divulgar essas idéias e iniciarmos um movimento cívico de retomada da Telefonica. Essa empresa é uma desgraça para todos os brasileiros!
Pra que estatizar a Telefonica? Por que o Estado não exerce sua função e resolve realmente controlar, aumentar a concorrencia e cobrar excelencia no serviço de Telecomunicações?
A empresa é vagabunda? Pode até ser. Mas como muito bem ressaltou o Virgílio em seu artigo, vai ver se na Espanha a Telefonica faz o usuário de gato e sapato! Provavelmente porque lá o consumidor tem mais força, as instituições são mais sólidas.
Assim, uma sugestão ao governo antes de se aventurar em uma corrida para a estatização (aliás, quem faz isto no mundo?): exerça sua função. Controle, cobre, estabeleça regras rígidas. Do contrário, é esta draga que está aí.
E precisa pagar pros ladrões devolverem o que roubaram?
Basta expropriar e pronto.
Os espanhóis que vão rapinar em seu próprio país.
Minha sicera opinião acho que um Projeto de Dilma Presidente seria colocar as Brois e Telefonicas da vida na Parede e colocar em pratica a Telebras com telofina fixas e internet seria um concorrente das Privadas elas vão ter que investir ou correr, agora temos que olha o projeto que esta no congresso, ja tem tucano la criticando o proteção do Pre sal, eles querem vender temos que fazer pressão, isto é serio, estão querendo entregar o Pre sal e a Petrobras, temos que fazer marcação serrada.
MSC (22/setembro/2009 as 11:05)
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“Isso é verdadeiro? Se sim, fomos sumariamente enganados por FHC!!!!”
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População foi ENGABELADA!, e COM CUMPLICIDADE DA MÍDIA!
A tal “equipe FHC” e os bancos montaram uma farsa, uma partilha de butim envolvendo a privatização da telefonia e de ações da Petrobrás.
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Que o assunto continue na pauta – amanhã, depois de amanhã e… pelo tempo necessário.
Há tempos não lia algo tão bem escrito por alguém do ramo que conhece e conheceu a capacidae inteletual dos engenheiros da TELEBRÁS.
Parabéns
Entrei na Telebrás no último concurso que houve , infelizmente passei pouco tempo lá .
A turma colonista coloca a telefonia como exemplo de evolução social por conta da privatização.
Mas em qualquer lugarejo do mundo a telefonia evoluiu, independente de privatização, pois a evolução foi tecnológica e como decorrência social.
Nenhum sistema econômico evitaria esse progresso, é uma tecnologia barata, fácil de ser implementada e até na BIAFRA tem telefone celular.
Aliás eles tivessem ficado no poder talvez estivessemos piores que a Biafra.
Isso é verdadeiro?
Se sim, fomos sumariamente enganados por FHC!!!!
Marco (em 22/setembro/2009 as 10:31)
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“Era inconcebível que uma pessoa tivesse que pagar o equivalente hoje a R$5 mil para adquirir uma linha telefonica e ainda assim ser atendido como se fosse um favor pela Telebrás. Sem chance!!”
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Não sei o valor atualizado, mas a linha era investimento de família e foi a única maneira de o poder público reunir recursos para estabelecer/criar um sistema de telofonia no País.
Ou isso ou sinais de fumaça, rufar de tambores,…
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“O Governo amarrava a empresa? Pode até ser e isto só comprova a incompetência do mesmo em gerir. Tenho comigo que do que jeito que estava, o próprio governo não conseguiria se livrar das suas limitações e seria incapaz de implementar as mudanças necessárias.”
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Não se tratava de incompetência, mas de má-fé: estrangular/asfixiar para justificar a ´saída´apresentada: privatização.
Isso ocorreu na siderurgia, na RFFSA, na Mafersa,… e na Petrobrás, e consistia em congelar preços em período inflacionário de modo a impedir que empresas tivessem condições de investir.
SIMPLESMENTE SENSACIONAL a análise!!! Parabéns para o Virgilio Freire!!!
Se a privatização se mostra nociva à população (como é nesse caso da Telefonica), a concessão deveria ser cassada e o serviço reestatizado. E manda esses caras de volta pra Espanha.
Excelente artigo!
Os neoliberais não propagavam aos quatro ventos, que o setor privado era mais eficiente que o setor público? Então porque o descontentamento dos usuários dos serviços privados? Acabou o “gás”? Onde estão os defensores da economia de mercado? É muito fácil uma empresa ser rentável onde não há concorrência e nem mesmo assim conseguem manter os seus serviços funcionando a contento. E olhem que receberam tudo prontinho; infra-estrutura já instalada; mercado cativo; mão-de-obra treinada, etc. Agora vem de novo o governo ocupar um espaço deixado pelo setor privado. Esperem daqui alguns anos, depois de tudo pronto, o setor privado se arvorando novamente dizendo-se mais eficiente que o setor público. Quem viver verá.
Parabens Sr. Virgilio Freire, mais claro do que isso imposivel.
Aproveitando o ensejo, e a CPI da Dívida Pública, PHA? Nâo te interessa comentar sobre ela? Uma CPI que investiga uma dívida de mais de 1 trilhão não tem importância jornalística? O PIG ficar caladinho até entendo…mas vc?
Excelente artigo, fundamenta tudo que nós pensamos da privatização das teles e tem uma proposta radical, se o Lula está comprando a Petrobrás de volta, por que não as teles?
Como o FHC era “brilhante” !!!! Meu Deus ,que inveja !!!
Concordo e discordo com partes deste artigo. Trabalho dentro de uma grande empresa de Telecomunicações desde 2001 interagindo diretamente com a grande gerência e diretoria e posso dizer que a privatização era realmente necessária mas não do jeito que ela foi feita.
1 – Era inconcebível que uma pessoa tivesse que pagar o equivalente hoje a R$5 mil para adquirir uma linha telefonica e ainda assim ser atendido como se fosse um favor pela Telebrás. Sem chance!!
2 – O Governo amarrava a empresa? Pode até ser e isto só comprova a incompetência do mesmo em gerir. Tenho comigo que do que jeito que estava, o próprio governo não conseguiria se livrar das suas limitações e seria incapaz de implementar as mudanças necessárias.
3 – O modelo e a forma de venda foi um grande erro. Roubalheira!! O FDP do Fernando Henrique e sua galerinha levaram o deles. Venderam barato, emprestando dinheiro do BNDES (Onde já se viu isto?) e criaram a ANATEL que não faz P… nenhuma para controlar a prestação do serviço.
4 – Lucrava US$ 4 Bilhões? Lucrava e prestava um péssimo serviço. Hoje o governo lucra muuuito mais só com impostos (ou seja, com vento), sem esforço algum, e ainda temos um serviço melhor, mais igual. A arrecadação de impostos hoje passa dos US$ 6 Bi.
5 – Quanto a comprar de volta a Telefônica: sou contra. Como se trata de uma concessão, com regras claras a serem cumpridas, as quais estão sendo burladas, temos sim é que tomar de volta sem pagar nada à Telefônica. Afinal, o dinheiro que usaram e usam para investir no Brasil é do BNDES ou da própria operação da empresa, ou seja, nosso dinheiro sendo usado para gerar dinheiro para eles. Desde que o Brasil é Brasil, a história é a mesma: damos de graça aos estrangeiros que não deixam nada aqui. Isto tem que acabar!
A ideia da privatizacao a qualquer custo, perola do governo FHC, hoje mostra a verdeira face de tal politica, feita a toque de caixa (Margareth Tatcher, embora privatista, teve escrupulos), e que beneficiou alguns amigos do rei.
Gente que manda cavalos de Londres para Paris para competir, foram os verdadeiros beneficiados dessa avalanche de privataria.
Privatizar não é uma aberração. Desde que feita com criterios e qualidade.
Do jeito que foi feito no Brasil, se assemelha mais as ocorridas na Russia, de tão triste memória.
Oi PHA, super esclarecedor, lembro MUITO BEM da época de Sérgio Motta (que o bom diabo o tenha no pior lugar de lá…), era proibido vender carta de celular p/ quem precisava e por aí vai…
Desde que cheguei de Curitiba p/ morar em Sampa, só tenho PESADELOS intermináveis com a Telefonica S/A.
Tá na hora de revermos esta concessão pública à Telefonica S/A., vide capítulo XVIII sobre concessões públicas, e cade a ANATEL?!?!?!?!
Simplesmente “não existe” para nós mortais comuns e brasileiros,…
Isso só comprova o que eu já pensava sobre essa empresa: te telefônica, não tem nada!!!
Está mais para TELE-AFÔNICA!
O Estado Brasileiro deveria recomprar a Vale e a telefônica para investir todo o lucro no Brasil em educação e diminuição da pobreza.
O idéia “plantada” corrente era de que o Estado não tinha capacidade de investir; a idéia de fato, por trás, era a de que os tucanos queriam ser súditos de sua magestade, o rei d’Espanha, e com isso ficarem no poder igual ao PRI mexicano ficou; e por isso entregaram tudo de graça aos “extra-numerários” do Opu$ Dei; safra, “filhotes” da ditadura franquista, parte do grande projeto nacional espanhol de revisão de sua glória antga de grande espoliador do mundo. Projeto esse que teve nos Estados Unidos neo-fascista dos neo-cons seu mais forte aliado. O resto é bla-bla-blá pra me convencer (posso falar por mim) como se eu fosse um otário. Anotem: vão chupar tudo até o bagaço. Depois, como já ocorreu naté meados do século passado, o governo receberá a carcaça pra recomeçar do zero. Os problemas com a Telefonica em São Paulo é só parte do começo do que vem pela frente. Essa raça espanhola não alisa. E pior é que vão repetir o século XVI quando assaltaram toda a América (até o Brasil português lá esteve por 60 anos) e depois empobreceram porque dinheiro não brota do chão. Riqueza é sempre produto de trabalho; nunca de saques.
Alguem poderia me fornecer o e-mail do Sr Alexandre Garcia e da Sr Ana Maria Braga,para enviar este comentário,eles elogiaram tanto o sistema de telefonia privatizado,queria saber ,se eles depois dos apagões e de ler este,tem a mesma opinião.
Alguém tem dúvida?????????????
Excelente e esclarecedor.
Daí posso concluir que a empresa que administra
a telefonia deveria chamar-se GATOFONICA!!!